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Seixas

Reunião descentralizada participada e viva

Rui Lages, presidente da Câmara Municipal de Caminha, considerou ser "um bom sinal" a presença de muitos seixenses na reunião descentralizada que decorreu no salão de actos da Junta de Freguesia na passada Quarta-feira, no âmbito da política descentralizadora que os executivos socialistas implementaram desde 2014.

Sendo prática habitual conceder a palavra logo no início da sessões aos presidentes das juntas anfitriãs, Dionísio Rua aproveitou para manifestar satisfação pelas realizações conseguidas neste segundo ano de mandato, tendo-as enumerado: prolongamento da rede de saneamento(400.000€) levado a efeito pela Câmara Municipal, conclusão da Calçada da Cabreira, calcetamento da Trav. do Castanhal, reparação a linha de água na Rua do Poço, reparação dos muros, portão de entrada e instalação de mais gavetões no cemitério, aquisição de um tractor que deverá chegar proximamente, limpezas da marginal, dinamização do edifício da escola de Coura, criação de uma nova imagem de Natal e apoio aos mais carenciados em colaboração com a Câmara Municipal.

"Seixas quer continuar a contar com o apoio do Município"

Apesar destas realizações, o presidente da Junta de Freguesia pediu mais apoios para a concretização de obras nas ruas Alfredo Cruz, Faias (águas pluviais), Costa, repavimentação da Rua do Sobral, melhorias no parque infantil e revitalização do antigo posto da Guarda Fiscal, em Pedras Ruivas.

Rua do Sobral "nove meses intransitável"

E em matéria de intervenções na rede viária da freguesia, também um morador da Rua do Sobral, Fernando Catarina, lamentou a pouca atenção dada a esta artéria situada na parte alta de Seixas - onde apenas foi colocada a canalização em 28 anos, sinalizou - e que esteve intransitável durante nove meses após queda de um muro" (o qual apenas foi erguido após este tempo, assinalou) e onde "parece que andamos de barco" quando chove, o que o levou a pedir "encarecidamente" que intervenham.

Deu como exemplo das inúmeras situações vividas nesta rua condicionada ao trânsito, quando condutores decidem entrar nela, vendo-se impedidos de prosseguir devido ao seu estado, mas que se vêem impossibilitados de recuar. Por diversas vezes, Fernando Catarina viu-se obrigado a abrir o portão de sua casa para que os carros pudessem dar a volta, como sucedeu com a própria vereadora Liliana Silva que decidiu entrar nesta rua e beneficiou da boa-vontade do morador, embora ela não soubesse na altura quem tinha disponibilizado o terraço da habitação para que invertesse a marcha.

Fernando Catarina lamentou ainda que ninguém se tivesse dignado agradece-lhe a disponibilização da sua água para que tivesse sido possível erguer o muro tombado e que interferia no trânsito.

Aproveitou ainda o momento para chamar a atenção para o perigo de uma habitação abandonada junto à sede dos Escuteiros.

Sobre este último caso, Rui Lages revelou que já tinha ido lá a protecção civil e que a 19 deste mês será realizada uma vistoria, com a finalidade de decidir o que deve ser feito.

No que toca à Rua do Sobral, após agradecer os préstimos do morador na cedência de água para reerguer o muro da quinta da Casa Ventura Terra, recordou que ela tinha sido cedida à Associação criada para a sua recuperação, mas nada foi feito, o que levou a que pretendessem devolver o edifício ao Município. Dessa forma, vai ser realizada uma reunião proximamente para analisar o futuro do imóvel, respondendo dessa forma a uma interpelação do morador e delegado da Assembleia de Freguesia, Ilídio Pita, que se interessou pelo futuro desta casa.

"Linha do comboio preocupa-me"

"Eles param em frente da minha casa" denunciou, preocupada, Dulce Almeida, porque os comboios detinham-se junto a um talude virado para o rio, por detrás da zona da feira, que já registou quedas de terra e pedras.

Esta moradora e delegada na Assembleia de Freguesia, teme que haja perigo de derrocada e aconteça algum acidente, levando-a a abordar este caso que já tinha sido objecto de apreciação em reunião deste órgão autárquico (Setembro).

Continuando na zona da marginal de Seixas ("tão bonita" e "muito frequentada" mas "um pouco esquecida", lamentou), esta moradora pediu obras no parque infantil, o arranjo de um poste junto ao antigo posto da Marinha e denunciou a existência de esgotos a verter para o rio junto ao Bar dos Pescadores, após o que perguntou ao Executivo se existia algum projecto para a doca aterrada.

Concluindo, Dulce Almeida, em jeito de reflexão, disse que "é pouco o que fizeram para aquilo que a freguesia precisa".

"Foi feito para acabar com o perigo e pelas cheias"

Obteve como resposta do presidente do Executivo, que a doca tinha sido aterrada para acabar com o perigo do lodo, no qual alguns animais já tinham morrido, estando apenas previsto criar um jardim no local, porque se encontrava em leito de cheias, até porque Espanha tinha uma palavra a dizer no que toca a intervenções na margem portuguesa, dado que o Rio Minho era internacional.

Respondendo ao poste derrubado, prometeu ir insistir junto da entidade que superintende nessa área e ir averiguar o que se passava com os esgotos a céu aberto. Já no que diz respeito à eventual perigosidade de derrocada do talude junto à linha férrea - tema abordado igualmente por Ilídio Pita -, a CP garante-lhe que "está seguro".

Rui Lages entende que a praia de Seixas se encontrava requalificada, o que tinha colocado a praia de Pedras Ruivas "no mapa" das praias do concelho".

Enumerou as obras executadas nesta freguesia (R. Alfredo Cruz, Cal e outra, nas quais gastaram 100.000€), comentando assim a intervenção de Dionísio Rua, mas reconheceu que não consegue "fazer todas as obras ao mesmo tempo", dando como exemplos ruas atingidas pela intempérie e que ainda se encontram intransitáveis.

Embora considere que não haja ruas "prioritárias" em Seixas, Rui Lage adiantou que pretendem intervir na escola desactivada de Coura, na zona envolvente, e criar uma espécie de museu, e, no estabelecimento de ensino básico que ainda se encontra em funcionamento, o telhado e as paredes foram alvo de reparação e pintura, respectivamente.

O autarca socialista aproveitou ainda o momento para felicitar a Junta de Freguesia pela organização de uma festa dedicada ao rio Minho.

Passagem de nível de Coura

A manutenção do encerramento da passagem de nível de Coura desagrada ao morador Ilídio Pita, interrogando-se sobre o motivo por que não a reabrem, uma vez que já foram realizadas todas as obras necessárias.

Segundo revelou o presidente da Câmara, "temos insistido junto da IP", mas a tendência da antiga CP é "acabar com as passagens de nível". Contudo, como fizeram obra no local, espera que autorizem a reabertura.

Este morador abordou ainda na sua intervenção a situação da marginal de Seixas, pedindo casas de banho públicas e perguntou se o caderno de encargos do Bar de S. Sebastião perigosa."estava a ser respeitado". Apesar de reconhecer que a Câmara tinha melhorado a marginal, além das situações descritas anteriormente adiantou que a plataforma de embarque apresenta deficiências.

A finalizar, Ilídio Pita sugeriu que a Câmara procedesse à criação de brigadas camarárias que atendessem a determinadas situações, em conjunto com as juntas de freguesia.

PDM alterou capacidade construtiva de terreno

Um terreno murado com 1.120 metros quadrados, na Rua do Corgo, pertencente a uma família de Seixas, foi objecto de uma apreciação do morador Fernando Valente.

Recordou que há 30 anos tinham cedido uma parcela (25% do terreno) para construção. Mais tarde, em 2008 tentaram destacar parte do terreno e um ano depois o projecto tinha sido aprovado.

O PDM anterior permitia construção no local, mas com a mudança de regras, foram impedidos de contruir neste terreno rural. Assim, pretendem uma revisão do PDM que viabilize a construção (900 m2) e o torne rentável, vincando que à sua volta existem construções, e insistindo que a Câmara deveria "olhar com atenção" para esta situação.

A propósito, queixou-se que a Câmara possua o IMI mais alto do país (45%), ao passo que na maioria dos concelhos portugueses a taxa situa-se entre 30 e 35%.

Após as suas palavras, Rui Lages prometeu que iria reunir com o munícipe e o técnico camarário responsável pelo PDM com a finalidade de analisar este caso, e quanto à taxa elevada do IMI, referiu a descida aprovada recentemente (de 45 para 41%), assegurando que sempre que tenha condições para o diminuir, fá-lo-á.

Na próxima edição prosseguiremos o relato desta reunião, com a intervenção de Manuel Vilares (Casa de S. Bento), da vereadora Liliana Silva e das consequentes respostas do presidente da Câmara.



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