Há cerca de quatro anos que a Estação da CP encerrou e a partir de então a sua degradação vem acentuando-se, nomeadamente nos anexos deteriorados pela ocorrência de um incêndio no edifício que funcionava como armazém e na antiga casa do guarda da passagem de nível.
Embora o edifício principal tenha sido objecto de uma "lavagem de cara, após muita insistência", as demais dependências encontram-se devassadas e vandalizadas, apresentando um aspecto negativo no principal acesso à praia.
Joaquim Guardão, presidente da Junta, confirmou-nos que tem tentado por diversas formas sensibilizar a CP para a resolução deste problema numa das melhores estâncias balneares do país, cujo "impasse" não gera retornos turísticos favoráveis.
"Eles não entregam aquilo às autarquias locais e estão à espera que sejam os privados a tomar conta daqueles edifícios", explicou-nos o autarca moledense em referência à perspectiva que a CP possui para estes edifícios encerrados em inúmeras estações do país.
Embora tivesse sido informado que era intenção das responsáveis da empresa atribuir este conjunto de equipamentos a um privado, o que é facto é que passado este tempo nada sucedeu.
O autarca revelou-nos que chegou a falar com algumas pessoas sobre o eventual interesse em explorarem-nos, mas após se deslocarem a Lisboa, essas tentativas goraram-se. Alias, numa das assembleias de freguesia de Moledo/Cristelo, citou o caso de um eventual interessado ter contactado a empresa ferroviária, mas ter-lhe-iam exigido o pagamento de umas rendas em atraso para que pudesse ficar com os edifícios, além do pagamento de uma mensalidade nova, isto de acordo com o que essa pessoa lhe tinha referido.
"De maneira a que tenha vida outra vez"
Insistiu para a necessidade de ser encontrada uma solução ("de maneira a que tenha vida outra vez"), recordando a carência sentida actualmente no campo da habitação, logo num "local nobre da freguesia, na passagem para a praia", apontou, entendendo ser inadmissível que "os edifícios continuem devolutos, ao abandono e à mercê de quem os pretenda utilizar". Acrescentou, a propósito, a situação de degradação das antigas casas dos funcionários da Estação da CP de Caminha, cujo destino continua a ser igualmente uma incógnita.
Lamentou que a Junta não tenha poder para desbloquear o impasse, limitando-se "frequentemente" a "alertar quem de direito para que procedam às limpezas", sendo dessa forma que conseguiram que a Ferrovia procedesse à pintura e limpeza do edifício da estação propriamente dito.
Joaquim Guardão é de opinião de que a ser opção entregar a estação e anexos a privados, "deveriam conceder um período de carência para que fosse possível recuperar o investimento realizado" por eles.
Finalizando, assinalou que o "que é preciso é recuperar os imóveis degradados".
Câmara nada sabe
Da parte da Câmara Municipal de Caminha não existe qualquer informação sobre os propósitos da IP quanto à finalidade a dar a este conjunto de imóveis pertença do Estado.
Rui Lages soube que um particular pretendeu explorá-los, mas nada de concreto se materializou até ao presente.