A reunião camarária descentralizada que decorreu na passada Quarta-feira nas instalações da incubadora verde (antiga escola primária, onde teve lugar a primeira descentralizada no ano de 2014), permitiu à presidente da Junta (Sandra Ranhada) e a uma moradora (Marta Araújo) exporem ao presidente da Câmara algumas das preocupações da freguesia.
"Foi um crescimento grande" durante a última década nesta aldeia caminhense, reconheceu Sandra Ranhada ao enumerar os melhoramentos, mas, "há questões a resolver".
Desde logo, a importância de recuperar o projecto da ligação com Aldeia Nova/Venade, através do caminho de Colarinha, é uma necessidade sentida ano após ano - como ficou patente mais uma vez esta semana com a subida das águas na ex-N301 -, porque permitirá uma alternativa ao trânsito sempre que a estrada esteja cortada devido às cheias no Rio Coura.
Rui Lages solicitou "mais dados" sobre este assunto, porque era a primeira vez que ouvia falar dele.
"Desde 2018, um desastre"
A presidente da Junta, contente com a realização de mais uma reunião camarária descentralizada, chamou ainda a atenção para o estado do piso (285 metros, conforme precisou uma moradora, Marta Araújo) na Guimbra. O saneamento não chegou a este ponto do lugar situado na parte alta da aldeia, devido a dificuldades técnicas para o concretizar, mas por lá passaram os camiões desde 2018 para dotar outros troços da estrada com a rede de esgotos, tendo esburacado o piso e colocado os tubos de abastecimento de água a descoberto.
A moradora neste lugar insistiu para que se "repavimente a sério" e para longos anos, porque a situação "agrava-se", acrescentando que até a água de consumo domiciliar poderá estar afectada, dando como exemplo o que sucede no tempo de verão, em que o líquido que brota das torneiras "sai a escaldar!".
Guimbra com solução até final do ano
O projecto de execução da rede de saneamento foi acompanhado de perto por Rui Lages, assinalou em resposta às interpelações das duas argelenses, frisando que tinham sido investidos 500.000€ nesta obra administrada pela AdAM.
Evidenciou preocupação pela manutenção dos tubos de água a céu aberto, temendo eventuais contaminações, o que o tem levado a insistir junto da AdAM para que resolva este caso, sabendo que a empresa avançou com um concurso específico para situações idênticas, tendo-lhe sido garantida uma intervenção até final deste ano.
Aproveitou para informar que em caso de danos verificados em viaturas devido ao meu estado do piso, os prejudicados deverão participar à GNR.
"Não há jovens"
O polidesportivo foi construído na perspectiva de constituir um local de prática desportiva para a juventude argelense. Contudo, a baixa de natalidade tem obstado a uma utilização regular, com a consequente deterioração das instalações, pretendendo agora a Junta de Freguesia que sejam realizadas obras de recuperação e o estabelecimento de uma "dinâmica externa" que permita uma prática desportiva sequencial.
"É um espaço aprazível para realizar eventos ao ar livre", admitiu o presidente da Câmara, o que o levou a endossar o assunto para o pelouro do desporto.
Estrada com pouco uso
Outra das preocupações da autarquia argelense prende-se com o estado do piso e falta de limpeza das bermas da antiga EN301 até Dem.
Rui Lages admitiu conhecer bem esta estrada que entrou em desuso após a abertura da A/28, tendo desde logo passado a ser considerada secundária, mas prometeu que pelo menos a vegetação será eliminada.
Caminho da veiga em touvenant
Igualmente em matéria de vias de acesso, a Junta de Freguesia pediu uma atenção especial para o caminho da veiga, muito utilizado por agricultores, mas que sofre com o trânsito intenso nos dias do Festival de Vilar de Mouros, porque é através dele que muitos acedem aos parques de campismo. Foi pedida a colocação de touvenant, solicitação que será atendida pela Câmara Municipal, avançou o seu presidente.
Incubadora com regulamento de utilização
Há cerca de um ano, foi inaugurada a incubadora de empresas para o mundo rural, precisamente no edifício onde foi realizada esta reunião.
Voltando o Executivo ao local, deu conta de que o regulamento de utilização do imóvel tinha acabado de ser publicado este mês no Diário da República, pretendendo agora dotá-lo de meios técnicos e humanos, tendo já sido aproveitado entretanto pelo IPVC para levar por diante algumas acções.
"Um longo calvário"
Por último, Rui Lages voltou a historiar "o longo calvário" em que se tinha tornado o projecto de obtenção de fundos de comparticipação nas obras de reabilitação dos espaços e equipamentos públicos (as juntas não foram contempladas com tal benesse, tal como os particulares) atingidos pelas intempéries de início de ano.
Na passada Segunda-feira tinham sido homologados os contratos com o Estado, nos quais se encontra incluída a obra de construção de um "muro de aluviões" no lugar do talude derrubado pelas águas no dia 1 de Janeiro. Rui Lages alertou, no entanto, que está a ser levada a cabo uma construção junto do local, o que poderá "condicionar" o arranjo. Os custos do muro deverão elevar-se a 100.000€, comparticipados em 60% pelo Estado, competindo ao Município arcar com os restantes 40%.
"Argela não está esquecida"
No decurso desta reunião, a vereadora do PSD Liliana Silva garantiu aos presentes que "Argela não está esquecida", dando como exemplos as suas intervenções nos plenários camarários de cada mês, designadamente os casos do polidesportivo e de Guimbra, prometendo que continuarão a falar deles. Aproveitou para generalizar as queixas existentes no concelho relativamente à actuação da AdAM, considerando que a empresa deveria ser "responsabilizada".