Competiu à freguesia das Argas (Arga de Cima, de Baixo e S. João) acolher mais uma reunião camarária descentralizada, uma iniciativa tomada pela governação socialista logo que retomou o poder em 2013, em todas as freguesias do concelho de Caminha, na qual é concedida a oportunidade de dar a palavra aos autarcas locais e à população.
Ventura Cunha, presidente do Executivo local, falou dos problemas mais prementes que preocupam as três aldeias serranas agregadas numa única freguesia, pedindo ao presidente da Câmara que o auxiliasse na limpeza dos ribeiros e regatos, eventualmente, através da apresentação de uma candidatura que suporte os custos da remoção de entulhos e raízes de árvores e arbustos "em alguns troços".
As háqueas, austrálias e outras infestantes "provocam cheias e destroem" campos e aquedutos, obrigando os moradores a pedirem intervenções, alertando para o facto de os carros que circulam na estrada das Argas serem riscados se passarem perto das bermas.
"Estrada das Argas é das melhores do concelho"
"As pessoas vêm à Serra porque e estrada é boa", reforçou o munícipe de Arga de S. João, Octávio Pires, quanto à necessidade de limpá-la, porque, frisou, "nunca esteve tão suja como agora".
Recordou os aquedutos construídos no tempo em que os serviços florestais actuavam no território, os quais se encontram obstruídos pelos salgueiros e outras espécies, mas centrou a sua intervenção nos estragos provocados pelo transporte das torres eólicas.
Para que estas pudessem aceder aos pontos altos da Serra d'Arga, foi necessário proceder a alterações nalguns pontos da estrada, nomeadamente nas curvas, utilizando materiais que posteriormente não retiraram, obstruindo aquedutos, tendo como consequência que quando chove, a água escorre sobre o alcatrão, deteriorando-o.
Otávio Pires insistiu que "cá em cima, o importante é encaminhar a água", o que os antigos souberam fazer com mestria, porque as enxurradas eram um problema real em terrenos desnivelados.
Este morador deu como exemplo da forma descuidada como por vezes certas pessoas tratam a Serra d'Arga, quando uma pedra tombou em Alcachadas, na estrada entre Dem e Arga de S. João. Ele próprio e mais uma pessoa colocaram-na na valeta, um funcionário municipal foi avisado mas, acentuou, "ainda lá está e uma outra já caiu em cima dela".
A forma como o transporte das crianças para as três Argas é feito actualmente, mereceu uma explicação da vereadora Liliana Ribeiro, responsável pela área educativa.
Uma conversa que Octávio Pires tinha estabelecido com uma criança que aguardava em Dem pela chegada da mãe para regressar a casa, intrigou-o, pois pensava que o transporte escolar estaria assegurado.
Liliana Ribeiro, com todo o detalhe, explicou como funcionam os transportes escolares das três crianças que frequentam o Centro Escolar de Dem e a única (!) que se encontra a estudar na EBS de Caminha. Existe uma articulação entre as carreiras públicas de transporte de passageiros e a viatura da Associação de Danças e Cantares Genuínos da Serra d'Arga, de acordo com os horários dos alunos, permitindo gizar um "acordo" estudado entre todos e consoante os pedidos de transporte dos encarregados de educação.
"Conheço muitos dos problemas"
Aproveitando a presença em Arga de Baixo, a vereadora da oposição Liliana Silva referiu ser uma frequentadora habitual desta montanha, onde de desloca, pelo menos, "uma vez por mês" fazendo percursos de bicicleta, razão pela qual "conheço muitos dos problemas" citados pelo morador, vincou quando lhe foi dada a palavra.
Aproveitou para recordar que "ainda na última reunião camarária" tinham abordado alguns dos problemas ouvidos neste fim de tarde na sede da Junta, precisando que também faltam protecções em certos pontos desta estrada, a par de considerar que "a limpeza deveria ser uma das prioridades".
"Como defender este belíssimo território"
Rui Lages, presidente do Executivo camarário, respondendo ao autarca e ao morador da Serra d'Arga, precisou que "conheço tudo" o que foi dito, garantindo que a Câmara Municipal não esquece a Serra d'Arga, porque, acentuou, "conhecemos o seu potencial e defendemo-lo", tal como o faz em relação a todos os habitantes do concelho de Caminha, garantiu.
De modo a obrigar a empresa das eólicas a cumprir com o estabelecido - reposição das vias -, notificaram-na, promoveu encontros com a Junta de Freguesia e, já na próxima Sexta-feira vão-se reunir todos novamente, anunciou.
Avançou ainda com a intenção de iniciar na semana seguinte uma limpeza dos aquedutos e tapar os buracos do troço da estrada com ligação a Covas que se encontra em território caminhense, a par de pretender estender estas obras de beneficiação na ligação a Ponte de Lima e entre Dem e Argela, pela estrada velha.
Entretanto, aproveitou para destacar algumas acções já empreendidas: gestão de combustível florestal, limpeza de cinco hectares de terreno à volta do Mosteiro de S. João d'Arga, em colaboração com o ICNF e Sapadores Florestais camarários, uma acção de fogo controlado em 21 hectares até final deste ano, pretendendo alargar esta área até aos 70 hectarres no início do próximo ano.
Apontou o CISA (Centro de Interpretação da Serra d'Arga) como um ponto onde devem ser levadas as crianças do concelho, talvez a única forma de permitir que elas tenham um contacto com esta montanha, bem como sendo um local de encontro e partida de muitos grupos de caminhantes.
A dificuldade em limpar os regatos e ribeiros é grande, admitiu este autarca, pelo que pretende contar com o auxílio da Junta de Freguesia na indicação dos "troços mais críticos".
Austrálias "atacam" ponte da Ladeira
A parte final da reunião foi aproveitada ainda por Octávio Pires para abordar a melhor forma de combater as háqueas e alertou que a Ponte das Ladeira ("a segunda ou terceira mais antiga do concelho", disse) corre o risco de ser destruída por efeito da proliferação das austrálias, a par de reconhecer ser difícil lidar com uma solução eficaz.