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Vilar de Mouros em crescendo de afirmação

Para quem nunca apostou no maior evento musical do Alto Minho, cuja continuidade esteve seriamente ameaçada devido aos conflitos criados artificialmente, a edição deste ano do Vilar de Mouros/23 terá sido a prova de que o decano dos festivais portugueses se encontra num momento de plena expansão e com condições para progredir, tendo sido um erro grave - e que poderia ter sido fatal - interromper as edições em meados da primeira década (2007) deste século, para tentar, apressadamente, anunciar a sua retoma em 2013, em vésperas de eleições autárquicas, através da celebração de um acordo com um novo parceiro que se revelou desastroso.

Após dois anos titubeantes (2014/15) de um festival que se via que não tinha pernas para andar, foi possível à Câmara de então romper com a associação que levava o peso da organização de dois festivais pífios, e reiniciar um processo de recuperação do Festival com novas empresas ligadas ao mundo do espectáculo e com a Junta de Freguesia, cujos resultados começaram a ser desde logo visíveis nas sucessivas edições e reconfirmados agora pela enchente (25.000 espectadores no último dia, segundo os organizadores) registada.

Foi a prova da visão de futuro - embora uma aposta arriscada e que saiu cara em termos financeiros ao seu mentor - do dr. António Barge, cujo nome foi dado ao antigo Largo de Chousa (Julho/99) - cujo terrenos foram adquiridos pela autarquia local - e em 2011 foi colocada no local uma placa com o seu nome.

Ironicamente, aqueles que tudo fizeram para acabar com o Festival, esqueceram-se que António Barge foi seu representante político na Assembleia Municipal de Caminha.

A edição deste ano, com mais um dia de concertos, figurino que se manterá em 2024, sensivelmente nos mesmos dias do mês de Agosto (21 a 24), evidenciou logo na primeira noite uma significativa adesão de festivaleiros, reforçada no último dia, com uma enchente que os mais veteranos destas andanças admitem como a que registou a maior afluência de espectadores de sempre.

Torna-se evidente pelos contactos estabelecidos com quem presenciou os 17 concertos, que os gostos variam de acordo com a idade de cada um e as preferências pelas bandas, o que atrai muitos a deslocarem-se a Vilar de Mouros a apreciá-las de acordo com as suas apostas musicais e apreço pelos conjuntos em palco.

Se houve quem tivesse apreciado os James (voou sobre as cabeças do público) e Within Temptation (não esqueceram a causa ucraniana) por representarem uma linha musical mais melódica, sem recurso às batidas duras dos baixos dos Limpbizkit (a atracção do primeiro dia, em que as luzes e lasers combinados também contribuíram para deliciar os seus fãs), outros vieram reviver os Xutos e Pontapés e a voz estridente da vocalista dos igualmente repetentes Guano Apes, ou a atracção local dos Micomaníacos, jovens músicos do concelho a quem foi dada a oportunidade de pisar o palco dos mais consagrados. Ouvir os Ornatos Violeta após a actuação dos James, só mesmo para os seus seguidores e para quem quis aproveitar estes quatro dias até à última nota. Mas gostos não se discutem e cada qual desfrutou como entendeu e interpretou as concertos, mesmo em relação aos músicos (vocalistas) que utilizam o "fucking" como um forma excêntrica (no mínimo) de atrair as atenções.

Avançar ou manter?

A avalanche de público registada no último dia, levando ao cancelamento de mais entradas com a palavra "esgotado" nas bocas do mundo já nas vésperas do fecho do Festival, obriga a uma reflexão da parte da organização.

Ou pretende que o evento não volte a registar números de entradas como a da última noite, ou permitindo que este avance, dando resposta maior à procura que já revelou este ano.

Nunca tinham sido vistas filas para a entrada desde a traseiras do CIRV, ou desde o lugar de Chelo (na estrada 301), levando a que muitos festivaleiros tivessem perdidos os dois primeiros concertos ao não conseguirem ingressar no recinto a tempo. E para ser possível conseguir uma refeição em algumas das rulotes, foi necessário esperar mais de uma hora.

Este ano, foram criados mais parques de estacionamento (20 no total), mas muitos carros tiveram de ser deixados fora deles, a larga distância do recinto, tal a quantidade de viaturas que pretendiam aceder festival de música. O reforço destes espaços impõe-se, tal como a frequência dos autocarros para transporte desde Caminha algumas horas antes do início dos concertos. Se os campings tiveram capacidade para 4.000 campistas, este número deverá aumentar igualmente.

A concentração de entradas num único ponto, junto à Capela de Santo Amaro, é manifestamente insuficiente, não sendo de descurar abrir mais pontos de ingresso, o que obrigaria a alargar o perímetro do recinto para o Largo do Casal, no qual se poderiam concentrar as rulotes de comestíveis e outras barracas de bebidas e diversões.

Os bares da freguesia existentes no lugar da Ponte deverão preparar-se para uma resposta adequada, porque um deles, às seis da tarde do primeiro dia já não servia mais finos.

Tudo o mais, Vilar de Mouros foi igual a si próprio.

O bom tempo que se fez sentir, a receptividade dos moradores, a serenidade dos festivaleiros, o ambiente bucólico desta aldeia e o convívio decorrente destes pressupostos contribuem para que Vilar de Mouros continue igual a si próprio e com boas perspectivas de crescer.

"Estou aqui desde o primeiro Festival"

O C@2000 aproveitou esta edição para recolher alguns depoimentos sobre este evento e saber aquilo que move milhares de pessoas a acorrer a esta chamada anual de encerramento da época de festivais de verão.

Sebastião Penedo, um vilarmourense de 81 anos, residente há mais de 20 anos numa casa sua no Lugar da Ponte, bem junto ao recinto do Festival, apresentava-se com uma t-shirt da edição de 2000 ("a primeira - das muitas que tenho - que me veio à mão este ano", justificou) no primeiro dia do evento, à porta da habitação apreciando com um sorriso nos lábios o corrupio dos festivaleiros antes de entrarem para o largo da Chousa (agora designado António Barge).

Recordou com saudade todas as edições em que marcou presença, desde 1968, passando pelo "grande Festival de 1971", dizendo-nos haver algumas diferenças entre "o público daquela altura e o de agora".

"Talvez o público de agora ande mais à vontade" porque nos tempos idos "havia mais repressão e menos liberdade", embora tivessem aproveitado alguma dela, porque, "ainda me recordo de vê-las ir tomar banho ali (no Coura) muito pouco vestidas".

"Era grande amigo do dr. Barge e estive muitas vezes aqui dentro à conversa com ele, falando dos festivais e isso tudo", tornando-se uma referência para muita gente, "tanto aqui como em todo o lado", e a quem "agradecemos todos os festivais que se realizaram", porque, reforçou, "se não fosse ele nada tinha existido".

É com nostalgia que vê passar cada edição do Vilar de Mouros, porque nos tempos iniciais "era jovem e ia lá para dentro desfrutar, deitar-me no chão como os outros, ouvir a música e isso tudo, mas nunca deixei de gostar do Festival e vou lá". Refere que anda sempre fora da sua casa. Há pessoas que o conhecem e cumprimentam, "mas eu não sei quem são", insistindo eles se não as reconheciam, porque tinham estado a conversar "comigo há um ou dois anos".

Contudo, "o tempo passa" e não consegue reter todas essas vivências fugazes de festivaleiros que o saúdam".

Festival de Vilar de Mouros serviu para campanha para legalização de terapia personalizada

Um Festival eclético como o de Vilar de Mouros, permite todo o tipo de surpresas e oportunidades, como foi o caso de Eda Gonçalves Alves, uma jovem estudante finalista da EBS de Caminha apostada em seguir Ciências da Comunicação (Faculdade de Letras do Porto), portadora de uma doença grave e rara (fibrose quística).

Aproveitou o Festival para recolher assinaturas inseridas numa campanha que tem como objectivo obter apoios do Estado para "uma terapia, quando os antibióticos deixam de ser eficazes, após as bactérias se tornarem resistentes, mas que ainda não está implementada e aprovada em Portugal".

Por tal motivo, os doentes portugueses necessitam de recorrer a médicos no estrangeiro. Contudo, "esses clínicos já não têm capacidade para aceitarem doentes doutros países", pretendendo, por conseguinte, que "Portugal adopte esta terapia", através de uma legislação apropriada, o que permitirá ainda "diminuir o tempo de espera" para este tratamento. Explica que que nesta terapia "não são possíveis os ensaios clínicos" por se tratar da aplicação de uma medicação "para cada pessoa".

Adianta que os custos para o Estado não serão significativos, tornando-se assim numa opção de tratamento quando já não existe outra alternativa que "pode salvar uma vida", tanto no caso desta doença, como naqueles em que qualquer pessoa que vai a um hospital e é atingida por uma bactéria em relação ao qual a medicina não tem solução através dos antibióticos tradicionais, acentua.

Aproveitando a vinda do Papa Francisco em Lisboa aquando das Jornadas Mundiais da Juventude em princípios de Agosto, Eda Alves conseguiu através de um pedido para o Santuário meses antes, encontrar-se com o Sumo Pontífice na Capela das Aparições.

"Aqueles momentos prévios foram uma ansiedade", recorda esta jovem moradora em Moledo, e pelo facto dele se encontrar a "poucos metros de mim", acabando por conseguir dar-lhe a mão, embora não lhe tivesse sido possível conversar com o Papa Francisco, "isso foi uma sensação muito boa e vim de lá com um ânimo diferente", reconhece.

Explicou que toda a sua família, por parte de sua mãe, é "muito crente e sempre me transmitiram a fé como uma forma de tentar viver o dia-a-dia", filosofia de vida na qual "sempre me baseei muito", assumiu, ao justificar o encontro com a figura principal da Igreja.

Apesar de ter a sua banca de recolha de assinaturas bem junto ao Festival, desde as 14 até às 19H, Eda Alves não pôde assistir aos concertos, como seria seu desejo, devido ao muito pó que se forma no recinto, o que lhe poderia ser pernicioso para a saúde.

Antes do Festival, o número de assinaturas tinha atingido as 1.400 e no final do evento esta campanha já conseguira 5.300, mas ainda são necessárias mais assinaturas as quais serão enviadas para a Assembleia da República a fim de obter a sua aprovação.

Para assinarem a petição basta carregar em "Assinar petição", preencher o questionário com os dados pedidos (nome, número do cc e mail) e submeter a assinatura.

https://peticaopublica.com/mobile/pview.aspx?pi=PT117260&fbclid=PAAaYTnO_-3jynstXkhnTRlLe9iHt7KTyevoacfPesPXkzWK-tzWDTMPpRTns_aem_AXkxLu-F_1_FsBVQ73HsqMdODNJ2WJiP7anHumP2c8xs6HXOXVyfqJfT_6FhFKgEkyQ

"Ver na fila da frente é outra sensação!"

A juventude marca - e sempre marcou - o ritmo dos festivais.

Para muitos jovens, conseguir um lugar junto às grades que vedam o acesso do público ao palco, bem perto, portanto, dos músicos, é uma obsessão que os leva a esperar atempada e pacientemente junto à entrada do recinto, e logo que lhes é dada autorização para avançar, despois de devidamente revistados, é uma correria até conseguir a posição privilegiada.

Erica e seus amigos de Aveiro, posicionaram-se logo no primeiro dia na "pole position" a fim de atingirem a meta desejada.

"Ver na fila da frente é outra sensação", admitiu esta jovem de 16 anos ao repórter do C@2000 quando se abeirou do seu grupo. Ao "estar na fila da frente, tão perto deles (músicos) é uma sensação muito boa, principalmente quando são os nossos ídolos", acentuou esta espectadora que fez a sua estreia ("em grande", conforme assumiu) em Vilar de Mouros.

Veterano de 71 não faltou à grande festa da música

A mística de Vilar de Mouros perdura até aos dias de hoje, sendo possível ainda constatar como alguns festivaleiros que viveram o Woodstock português de 1971 continuam a marcar presença regular nas sucessivas edições que se realizaram a partir de então embora de forma irregular. Basta ver que após esse ano, apenas em 82 foi ensaiada nova experiência de uma semana de festival.

António França veio desde Coimbra até Vilar de Mouros.

Não à boleia, como há 52 anos, com um amigo, mas com o mesmo espírito de quando tinha 18 anos, estudante, cabelos compridos, a rebeldia no olhar e ávido de se envolver naquilo que considerou "uma pedrada no charco" da altura.

Assinalou perante o C@2000 que o entrevistou por detrás da régie dos concertos, que nessa altura "estávamos antes do 25 de Abril em que tudo era proibido", tendo interpretado o Festival de 71 como "um clamor da malta nova". Tudo porque no ano anterior "tinha havido o Woodstock" nos EUA, sendo por isso comparado a esse festival, interpretado como "um hino à paz, à juventude e um grito a tudo o que estava mal naquela altura". "Não foi só música, foi isto tudo!", vincou com vigor.

Entusiasmado com o que Vilar de Mouros representa ainda nos dias de hoje, classifica-o como um "estado de espírito" porque representa voltar 50 anos atrás e "lembrar toda uma série de coisas que na altura nós vivemos, lembranças que nunca mais nos vão passar".

Frisou o que representou o contacto com "as pessoas daqui, com os naturais desta terra quando a viram inundada por tanta gente que não era de cá, a forma amiga como reagiram", chegando a jogar a sueca no largo quando os cafés fecharam "por não terem mais nada para vender".

Acentuou que "um nunca me esqueci disto e hoje mesmo tive ocasião de encontrar ali um casal dessa altura, da minha idade, com quem conversei um bocadinho e tirei uma fotografia".

Não esqueceu que antes do Festival rock de 1971, já tinham acontecido dois antes, baseados no folclore e na música clássica, o que, no seu entender, já tinham proporcionado "uma habituação aos naturais desta terra", embora esse de início dos anos 70 "tenha sido diferente de todos os outros".

Se os dois primeiros estavam mais ligados às "raízes das pessoas", opinou, o terceiro "revolucionou tudo isto", por "estarmos num ambiente de censura, com GNR por todos os lados e, alguns, à civil, que nós víamos perfeitamente que estavam a controlar as coisas".

Por tudo isto, "nunca mais esquecerei este ambiente".

A própria experiência da viagem desde Coimbra onde ainda reside, tornou-se um facto inesquecível, referiu-nos.

"A última etapa até chegarmos a Vilar de Mouros, foi de Caminha até cá". Apanharam boleia em Caminha, quando um carro parou e nos disseram para entrar. "Digo isto com muito emoção" reconheceu ao C@2000, porque "o carro já vinha cheio de gente e quando parou, a pessoa que vinha a conduzir disse: "Entrem e a forma de nós entrarmos foi atirarmo-nos para cima de quem lá vinha". Mas o mais extraordinário dessa experiência, adiantou António França, "foi que ao conversarmos, depois de chegarmos a Vilar de Mouros, concluímos que tínhamos apanhado boleia com o homem que era o organizador do Festival - o dr. António Barge".

"Ideia brilhante" trazer uma banda dos anos 70

Nessa edição, Elton John e Manfred Mann marcaram o alinhamento das actuações.

Por tal motivo, perguntamos a este festivaleiro persistente, se não era de pensar em trazer a Vilar de Mouros uma banda que de alguma forma marcasse essas gerações.

Respondeu-nos que "seria interessante manter alguma recordação dessa altura", concordando que "essa ideia que me está a dar, seria de explorar, o que seria muito interessante para mim ter aqui algo que representasse esta terra e fizesse respeitar a memória de quem organizou isto".

Insistindo, acentuou que "uma banda a abrir, fechar ou no meio do alinhamento do Festival, seria uma ideia brilhante", disse-nos no final este conimbricense que apenas falhou uma das edições por se encontrar no estrangeiro com o grupo folclórico da sua terra.

Lugar para todos em Vilar de Mouros

A música e a envolvência deste Festival movem montanhas e ninguém se coíbe de desfrutar destes momentos, quaisquer que sejam os impedimentos que obstem à participação no Woodstock português.

João Queirós veio com um amigo desde o Entroncamento guiando a sua viatura adaptada, com a qual se desloca para o seu local de trabalho em artes gráficas (estampagem de t-shirts, cartões de visita etc.) em Torres Novas, mas a sua mobilidade encontra-se condicionada após ter sofrido um acidente de moto há 16 anos. Apesar desse infortúnio, "aceitei desde sempre a minha condição e faço a minha vida completamente normal", graças a um carro próprio, além de "ser independente na minha vida privada", apesar de reconhecer ser "um transtorno".

Quando necessita, utiliza a sua cadeira de rodas, como sucedeu em Vilar de Mouros para se dirigir ao parque de campismo onde pernoitou numa tenda colocada bem junto à ponte românica, na margem direita do rio Coura.

Não foi nenhum "fenómeno" que o trouxe até este recanto idílico pela segunda vez consecutiva. Foram apenas três horas e meia de viagem e "fizeram-se bem", admitiu ao C@2000. Veio cá atraído pelos Limpbizkit, atendendo a que sua actuação prevista para 2022 acabou por ser cancelada e "como já tinha bilhete vim na mesma e como retomaram o cartaz não podia faltar", explicou.

João Queirós já percorre festivais há 10 anos porque "o espírito festivaleiro já está dentro de mim há muito tempo". Este ano, teve de optar entre Vilar de Mouros e o Festival do Crato, mas o seu grupo preferido fê-lo tombar para o evento minhoto, apontando como grande diferença entre este e os demais, o facto de "ter pessoas mais velhas, mais calmas, respeitando-se uns aos outros e deixando as pessoas descansar - o que não sucede no do Crato", precisou.

O cartaz de Vilar de Mouros, na sua globalidade, inclui "nomes internacionais e só por isso já vale a pena vir a Vilar de Mouros", adiantando os já clássicos portugueses Xutos e Pontapés e Ornatos Violeta e os Guano Apes de que "gosto muito", a par das demais bandas contratadas.

O facto de estarmos junto a Espanha, com um público festivaleiro sempre presente nas margens do Coura, levou-nos a questioná-lo se seria de interesse contar com uma banda desse país no cartaz. "Eu sou suspeito porque não aprecio bandas espanholas", disse-nos sorrindo. Contudo, "não seria mal pensado esse aspecto", uma vez que os apreciadores de festivais desse país marcam presença, "até porque estamos perto da fronteira e essa aposta seguramente que cativaria mais espanhóis", prevê.

"Uma bela passagem à porta do recinto"

A beleza do local, com um rio mesmo ao lado, "favorecem a presença" em Vilar de Mouros, acrescenta este festivaleiro com capacidade de mobilidade reduzida.

Os condicionalismos impostos pelas sus incapacidades, levam-no a referir que nem tudo no recinto se encontra adaptado às suas condições. No entanto, como não vem sozinho, essa ajuda é preciosa, o que o leva a acentuar que faz uma vida completamente normal.

Aproveitou para avançar com algumas sugestões que poderiam melhorar as condições de pessoas em idênticas situações, o que o levou a contactar a organização ainda este ano. Deu como exemplos de melhorias, a existência de "um sítio específico para pessoas com mobilidade reduzida" - apesar de ter tido a sorte de encontrar um espaço minimamente adequado -, e o facto de haver "bastante brita na entrada do recinto o que dificulta a locomoção em cadeiras de rodas ou canadianas", mas responderam-lhe que não era possível mudar esta condicionalismo. Mas valorizou a existência de uma varanda "com excelente visão para o palco".

70.000 pessoas"

A meio das actuações da última noite, a organização deu uma conferência de imprensa na qual confirmou a realização da próxima edição, perante o "sucesso" deste ano, tendo passado por Vilar de Mouros cerca de "70.000 pessoas", conforme confirmou Diogo Marques, da empresa "Expectation", organizadora do evento juntamente com a Câmara Municipal, Junta de Freguesia e o patrocínio da Caixa Agrícola e Lidl.

"Os objectivos essenciais foram cumpridos", asseverou, "em prol de um Festival cada vez melhor", estando desde já a preparar contratações de artistas para o próximo ano, das quais contam dar conhecimento proximamente.

Paulo Ventura sublinhou a parceria estabelecida com a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo que "pela primeira vez" se associou ao evento, embora já no passado tenham apoiado as duas edições organizadas pela AMA (Associação de Autistas).

Caixa Agrícola apostada na juventude do Festival

O representante da instituição bancária relevou igualmente o sucesso deste evento "multi-geracional" e "com um legado de muitos anos", o que "faz todo o sentido para nós", atendendo ainda ao facto de se desenrolar numa pequena aldeia agrícola. Um evento com uma fortíssima componente de público jovem, insere-se da política da CA de atracção de clientes mais novos e que "são importantes para o banco".

"Cartaz magnífico"

Para a Junta de Freguesia, a edição deste ano "mostra que é uma afirmação completa de Vilar de Mouros", vincou Carlos Alves, após o que elogiou o "empenho" da empresa organizadora na elaboração deste "cartaz magnífico".

O autarca vilarmourense destacou o desvelo com que Junta e Câmara têm vindo a acompanhar as sucessivas edições, nomeadamente "o trabalho logístico" proporcionado pela Câmara, permitindo que Vilar de Mouros venha a ser cada vez mais promovida.

"Um dia histórico"

"Conseguimos fazer de Vilar de Mouros a grande capital de música da Península Ibérica", atalhou Rui Lages, presidente do Município caminhense, em referência à "enchente que tivemos hoje e nos dias anteriores", fruto de uma "estratégia" envolvendo todos os participantes neste projecto, incluindo os patrocinadores.

Insistiu que "começámos um trajecto e sabemos onde queremos chegar", acreditando que "o caminho está a ser bem feito", constatado pelo que se desenrolou nesses quatro dias, tendo aproveitado para agradecer a todos os que se empenharam neste objectivo, garantindo um renovado sucesso para 2024.

A perguntas da imprensa, Paulo Ventura assegurou um Festival multifacetado, tudo dependendo, no entanto, das agendas dos artistas, mas mantendo o "nível" atingido este ano, considerando "um dia histórico" o de Sábado, em que esgotaram os bilhetes. Não descartou a ampliação do espaço do recinto, como uma hipótese a considerar.



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