Portos de Galiza informaram que o pontão de atracagem do ferry-boat que faz a ligação entre A Guarda e Caminha estaria pronto no dia 18 de Agosto.
Esta estrutura encontra-se em reparação num estaleiro, depois de ter colapsado há mais de ano e meio.
Logo que o pontão esteja pronto, será expectável que o Município de A Guarda contacte o seu homólogo português para que a ligação entre as duas margens seja retomada
Contudo, Rui Lages, presidente da Câmara Municipal de Caminha, disse-nos que não tem qualquer informação oficial de que o pontão se encontre operacional nessa data. "Desconheço" tal informação, porque "formalmente ainda não tenho qualquer comunicação de uma entidade espanhola" relativamente a essa data. Quando a tiver, Rui Lages contactará com as entidades espanholas, nomeadamente com o Concelho de A Guarda que apresenta agora um novo alcaide eleito nas listas do Partido Popular.
Abordando a questão do assoreamento e do estado da embarcação, confirmou-nos que o canal se encontra "fortemente assoreado, o que compromete a navegabilidade da embarcação com quase 30 anos" de existência, alertou.
Em Abril deste ano, contactaram a DG Recursos Naturais, por forma "a sabermos que tipo de intervenção de dragagem é que deveremos fazer, quantos métricos cúbicos de areia é que deveremos extrair". Estando a aguardar uma resposta, frisou que "só a partir daí é que conseguiremos avaliar a capacidade desta embarcação operar em segurança".
Depois de todo este tempo parado, "é óbvio que as embarcações se vão deteriorando e o ferry não é excepção".
No que se refere ao transbordador, confirmou que "não se consegue retirar dali a embarcação por estar assente num banco de areia". Adiantou que "os nossos técnicos têm feito as manutenções no local", incluindo a colocação em funcionamento "todas as semanas, testando a sua operacionalidade" e garantindo que o ferry "flutua quando a maré está bem cheia".
Caso do ferry abordado na Assembleia Municipal
Este assunto do ferry-boat já vinha sendo abordado pelos eleitos locais de Caminha, como sucedeu na última Assembleia Municipal, quando o deputado municipal da OCP Luís Alexandre interpelou o presidente da Câmara sobre a eventual chegada do ferry eléctrico.
Recordou então que este processo do "actual" ferry "já se encontrava parado há meses", acusando ainda o Município de Caminha de ter "perdoado uma dívida de cerca de um milhão de euros" e o barco continua imobilizado, insistiu.
Perguntou ainda se tinha falado com o presidente da Câmara de A Guarda acerca deste impasse e se tinha "noção dos prejuízos que esta situação está a causar".
Na ocasião, Rui Lages recordou ao deputado que o ferry-boat "já se encontra parado há um bom par de anos", sendo uma das razões o Covid que encerrou fronteiras. Mais tarde, porque o pontão no cais galego se encontrava inoperacional. Apontou então para três anos de funcionamento irregular da carreira fluvial, agravada a situação pelo assoreamento do canal e do cais de atraque em Caminha.
Sobre o desassoreamento, assumiu que "não deve ser só o Município de Caminha a suportar" os custos, porque "o Rio Minho é internacional". Pretende que o canal seja limpo, mas "devemos saber quantos metros cúbicos de extracção" são necessários, e quais os locais, tarefa solicitada à DGRN.