Foram dadas informações à Câmara Municipal de Caminha de que até final deste mês poderia haver novidades sobre a comparticipação estatal de 60% nas obras de recuperação das infra-estruturas danificadas pelas enxurradas do último Inverno, de acordo com as prioridades estabelecidas pelo Ministério da Coesão Territorial, anunciou Rui Lages, presidente do Executivo, em resposta ao pedido de "ajuda" feito por Sofia Loução, presidente da Junta de Venade/Azevedo, a abrir a reunião camarária descentralizada realizada na sede de Venade.
"Não se esqueça de nós"
"A reparação dos danos tem que ser feita o mais rapidamente possível", alertou a autarca venadense, não só porque "o inverno está cada vez mais próximo", mas também porque as pessoas manifestam impaciência com a demora na decisão da ministra que veio cá no dia 2 de Janeiro prometer que "para além dos danos visíveis, teria que ser feita uma reparação estrutural das infra-estruturas".
A autarca aproveitou ainda para abordar o estado de algumas ruas (Escusa, Castanheirinho, José Mendes Guerreiro, Regueiro (Azevedo) e Travessa da Laguna, aos que Gorete Alves acrescentou a de Rosmaninho, pedindo ainda sinalética para esta rua), por efeito das obras de instalação da rede de saneamento há dois anos. Embora reconhecendo que o saneamento é "fundamental" para o bem-estar das pessoas e ambiente das povoações, as obras daí decorrentes não podem ser executadas "à custa da destruição das vias", vincou.
Reparação do piso e sinalética na Rua do Rosmaninho
A existência das redes de saneamento são um elemento básico nos dias de hoje, assumiu Rui Lages, embora "condicione" a vida das pessoas no decorrer das empreitadas. Recordou o investimento feito nesta freguesia (agregada à força, refira-se), na ordem dos 550.000€, numa extensão de 10 km e que veio servir 400 habitantes, mas alguns dos pisos foram mal executados, o que o levou a insistir junto da AdAM para que os reponham devidamente.
No que toca aos prejuízos verificados com o temporal de 1 de Janeiro, o autarca revelou ainda que a avaliação feita pelos serviços camarários, para que a relação fosse apresentada ao respectivo ministério até ao dia 15, apontava para valores elevados que foram actualizados sucessivamente, à medida que particulares entregaram as suas listagens (muitos muros caíram nos dias subsequentes), tendo atingido uma estimativa de 13 milhões de euros (o Orçamento camarário para 2023 foi de 23 milhões, sublinhou também o presidente do Executivo).
Um milhão para reparar caminhos florestais
Se a aproximação do Inverno preocupa desde já os autarcas locais, de momento as atenções recaem na limpeza dos montes e reabertura dos caminhos florestais para que o combate a eventuais fogos seja executado com a maior rapidez e eficácia possíveis. Apontou como realidade desta preocupação, o milhão de euros de danos causados pelas enxurradas nas vias florestais, que têm vindo a ser paulatinamente regularizados pelos sapadores municipais e dos Baldios (neste particular, o autarca destacou o papel dos Baldios de Riba d'Âncora desde a primeira hora em que foi possível intervir na desobstrução de caminhos e ruas).
O atraso na recuperação das vias e muros destruídos pelos caudais de águas pluviais, mereceu igualmente uma chamada de atenção de Nuno Brás, vereador da oposição, fazendo votos para que tudo se resolva rapidamente, temendo consequências no próximo inverno.
Tendo decorrido esta reunião em Venade, Rui Lages, assinalou que ainda há uns dias tinha havido um "susto" (fogo) na zona do Castanheirinho.
Esta questão dos incêndios florestais suscitou algum debate entre os presentes sobre o destino do mundo rural, tendo um morador lamentado que "desde que acabaram com a agricultura artesanal nas freguesias, deram cabo de tudo".
"Tivemos grandes problemas com as cheias em Azevedo"
Azevedo foi uma das freguesias mais afectadas com os águas do monte, o que ocasionou "grandes problemas", como acentuou Lurdes Barreto.
A par de o caminho público do Carreiro Velho ser um problema de há muitos anos, tendo um muro tombado em 2019, as pedras caídas sobre ele tornaram-no intransitável, situação que afectou ainda a Rua da Aldeia, indicou a moradora. Esta azevedense pediu ainda limpeza dos caminhos, nomeadamente no de Labaradas e insistiu na necessidade de encaminhar devidamente as águas à entrada do Carreiro Velho.
Junta apostada em espaços de lazer para crianças e adultos
Este momento foi ainda aproveitado por Sofia Loução para apontar dois investimentos desejados na freguesia: construção de um espaço de lazer e de merendas na Av. Barão de S.
Roque, por detrás da casa paroquial, e um parque infantil ao lado da fonte do largo da Junta (Largo Alves da Cruz).