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Valença do Minho homenageou maestro Victorino d'Almeida nos 70 Anos do seu primeiro concerto

O percurso musical do maestro António Victorino d'Almeida mereceu destaque da parte da Câmara Municipal de Valença, ao comemorar 70 Anos de carreira deste compositor que se sente mais minhoto do que lisboeta (terra onde nasceu "por acaso"), conforme o próprio referiu na apresentação do espectáculo que teve lugar no passado dia 22 no Jardim Municipal de Valença, mas vincou: "a minha terra é aqui".

Victorino d'Almeida, após a suas interpretações ao piano, foi acompanhado pelas mornas cabo-verdianas cantadas por Cremilda Medina, e pelo fado de Cátia Guerreiro.

"É uma honra que o maestro venha cá comemorar os 70 anos de carreira"

Conforme nos referiu José Manuel Carpinteira, presidente do município valenciano, no seguimento das actuações do maestro proporcionadas durante este inverno/primavera em diversas igrejas e espaços públicos, "como forma de dinamizar as épocas baixas", surgiu a ideia de assinalar as sete décadas de vida cultural do maestro.

No dia anterior ao concerto integrado no Festival IKFEM, organizado em conjunto com o município de Tui - uma "ponte cultural" estabelecida entre os dois concelhos -, teve lugar na Pousada de S. Teotónio a apresentação do concerto do dia seguinte.

Enrique Caballero, alcaide de Tui, considerou "importante" este tipo de iniciativa, porque, esclareceu a sua posição, "isto significa muito para a cultura portuguesa e galega".

"Colegas de palco"

"Estou contente por estarmos juntos", assinalou na ocasião Victorino d'Almeida, em referência às cantoras que se integraram no evento, considerando-as "colegas de palco".

Aos 13 anos, Victorino d'Almeida terá dado o seu primeiro concerto. De acordo com uma fotografia encontrada recentemente por ele próprio em sua casa, foi em 1953 que actuou em público, subindo a um estrado e trajando a rigor, precisamente na Casa do Concelho de Gouveia em Lisboa, "rodeado de muitos velhinhos". "Não sei por que foi lá", disse ao C@2000 a propósito desta data, atendendo a que "nunca tive ligações a Gouveia".

Antes, já tinha realizado alguns recitais de piano, mas sem que essas actuações se pudessem considerar como espectáculos reais.

Caminha, não só por razões familiares (seu avô Achilles d'Almeida, funcionário das Finanças, ficou célebre na vila pela sua ligação ao teatro de revista do anos 30), representa muito para o maestro, motivo que o levou a considerar "muito duro" o afastamento de Moledo, onde passava o verão, não só devido à pandemia, mas também pela ausência de contactos com o público caminhense e turistas que nos visitam e que acorriam aos seus concertos e "dos seus convidados" na primeira década deste século organizados pela Câmara Municipal em diferentes pontos do concelho. Aliás, foi um pouco idêntico a este modelo descentralizador que Valença definiu o seu programa nas freguesias.

Uma vez que foi em Valença que estes 70 anos de carreira se comemoraram no Alto Minho, perguntamos-lhe se não gostaria que Caminha se tivesse associado à efeméride.

"Amnésias caminhenses"

Rindo-se, respondeu que "Caminha, em primeiro lugar, deveria associar-se ao meu avô, mas como Caminha também não se associou ao João Lourenço Rebelo (o "Rebelinho", compositor da corte de D. João IV, nascido em Caminha em 1610), "um dos maiores compositores da história", acentuou, não o espanta que a sua trajectória musical também tivesse passado ao lado do nosso concelho.

Ópera para Guimarães e Setúbal

Apesar de já ter atingido os 83 anos, continua a manter um ritmo de concertos (dois por mês) nestes últimos dois anos que "eu próprio me espanto" , referiu-nos enquanto que aguardava pelo acto de apresentação do espectáculo do dia seguinte (22/Julho) em Valença. Esta procura pela sua produção musical, inclui uma "ópera que será estreada em Guimarães e Setúbal no final do ano", atendendo a que estas duas cidades pretendem criar companhias de ópera, tendo contactado três ou quatro compositores para o efeito, tendo recaído a escolha em Victorino d'Almeida. Esta ópera tem como mote "a República e as Constituições Portuguesas"

Comemorando-se em 2024 os 50 Anos do 25 de Abril, quisemos saber se já tinha recebido algum convite de algum ponto do país. Ainda não foi contactado por ninguém, mas não se admira que o venha a ser, prevê.

Quisemos saber a sua opinião sobre um eventual decalque das suas actuações em Valença do figurino levado a cabo em Caminha. Embora admitindo tal similitude, realçou que em Caminha "havia aquelas multidões" que o seguiam, acrescido pelo facto de os concertos se realizarem em pleno verão. Referiu que em Valença isso não aconteceu, mas "as igrejas estiveram cheias" apesar das temperaturas negativas que se fizeram sentir em alguns deles.


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