Desde há bastante tempo (10 anos) que a Associação de Pescadores de Vila Praia de Âncora vinha mantendo reuniões com diversas entidades, incluindo a DGRN, LNEC e Ambiente, referiu-nos o seu presidente Vasco Presa, de modo a encontrar uma solução que minimize as condições de assoreamento verificadas até ao presente neste porto de abrigo, e reduzir substancialmente as operações de dragagem de manutenção, e, sobretudo, melhorar as condições de segurança para as embarcações no acesso ao porto, permitindo-se, assim, que os operadores e armadores conseguiam fazer a sua descarga do pescado em melhores circunstâncias.
Pescadores e técnicos lado a lado
"Temos estado a trabalhar em conjunto", acentuou este profissional de pesca, "o que não sucedeu no passado", lamentou, com os resultados negativos que se mantêm ainda hoje e que se espera sejam ultrapassados logo que a obra de reconfiguração seja aprovada, financiada e iniciada.
"Estou confiante"
"A nossa experiência aliada aos conhecimentos dos técnicos", permitiu encontrar uma solução "muito positiva", acredita, se, pormenorizou, "arranjarmos verbas para se corrigir" os erros iniciais.
"Isto, provavelmente, já não será para os a minha idade, mas, pelo menos, ficará para os que vierem a seguir", evidenciando contentamento por "ter valido a pena lutar anos a fio", de modo a que "não se cometam erros que serão as próximas gerações a pagar".
Estas declarações ao C@2000 dias antes da apresentação da proposta que as diversas entidades envolvidas nos estudos aconselham, ocorrida na passada Quinta-feira, viriam a ser reconfirmadas pelo próprio presidente dos pescadores ancorenses, após o debate amplo sobre as consequências, vantagens e expectativas geradas no seio da comunidade.
Obra oscilará entre 20 e 40 milhões de euros
Os pescadores de Vila Praia de Âncora e o presidente da Associação de Pescadores de Caminha foram os principiais intervenientes nesta apresentação, que "finalmente" veio a suceder, como afirmou Rui Lages, presidente do Executivo caminhense, satisfeito por se ter chegado a este ponto, mas, advertiu, "o trabalho é para continuar", em referência às sugestões que todos possam acrescentar até Setembro, altura em que o processo entrará numa nova fase de auscultação.
Vasco Presa resumiu para o C@2000 o que de mais substancial é proposto para reconfigurar o porto de abrigo, fruto de uma solução encontrada ao fim de 12 anos, como destacou Carlos Sampaio, companheiro de Vasco Presa na direcção da associação, esperando agora seja possível agarrar esta "oportunidade", apesar de algumas opiniões divergentes, mas incitou todos a irem "ao trabalho".
"Muito trabalho de campo feito"
Desta forma, Vasco Presa referiu que para chegarem a este ponto, "houve muito trabalho de campo feito, muitas reuniões e opiniões não técnicas" até que foi possível aliar a experiência dos pescadores ("nós conhecemos como se movem as correntes, os aparelhos de pesca, os objectos e o mar") aos estudos científicos ("linhas batimétricas"- um modelo que os investigadores seguem e que "fazem muito melhor do que nós", acentuou).
Assim, crê que estão reunidas as condições para se avançar com a proposta escolhida (o estudo custou 50.000€), e, "para nós é o melhor que nos pode acontecer", criando uma zona abrigada, "quando temos actualmente uma zona zero na maré baixa e uma entrada completamente desfasada porque temos de atravessar as embarcações ao mar".
"Entrada relativa entre o mar e a velocidade que temos"
Relevou a criação de uma fuga directa "como existia no pequeno porto", permitindo calcular por estimativa o tempo de entrada e o afastamento em relação ao mar "para podermos entrar e fugir ao mar".
"Isto passa a acontecer novamente, o que não acontece agora e obrigando-nos a dar uma volta de 180 graus que leva muito tempo e o mar colhe-nos sempre".
Na zona mais afastada da costa passa a existir uma profundidade muito maior, conseguindo assim "eliminar o mar que se forma nos baixios e manter a embarcação abrigada. Entrar para o porto passa a ser uma brincadeira de desporto", expicou com satisfação.
Este pescador veterano reforça a sua tese plasmada na proposta avalizada pelos técnicos, embora nunca pensasse que fosse possível por se tratar de "um investimento muito pesado, mas, a ser possível monetariamente, é a solução para a pesca".
Barcos com dois metros de calado poderão entrar no porto
Revela ainda que a concretizar-se este projecto, os barcos até dois metros de calado poderão seguramente entrar no Portinho.
Um dos receios patenteados pelo presidente da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora aos técnicos, residia na possibilidade de a Av. Ramos Pereira e a praia dos Caldeirões ficarem desprotegidas. Estes garantiram a Carlos Castro que tal não aconteceria, o que levou o autarca a aprovar a solução adoptada pelo LNEC, Direcção-Geral de Pescas, Docapesca, Ministério do Ambiente e Hidráulicas. Vasco Presa comungou do optimismo dos técnicos, insistindo na importância da profundidade do mar "logo à saída da boca", impedindo tanta quantidade de areia com a vaga de mar.
"Finalmente uma solução"
"Finalmente uma solução", corroborou Vasco Presa as nossas palavras, para solucionar de vez o problema do porto de abrigo de Vila Praia de Âncora.
A secretária de Estado das Pescas, Teresa Coelho, presidiu a este acto público que aponta desde já para uma "economia azul, como assinalou o Director Regional das Pescas.
Autacas de Caminha elogiados
A governante considerou ter sido dado "um salto muito grande" com este projecto e garantiu que o dinheiro do Estado não faltará para o concretizar, não cabendo à Docapesca subvencioná-lo, esclareceu, face à sua falta de verbas desta entidade para o efeito.
Teresa Coelho enalteceu o empenho e envolvimento do anterior presidente da Câmara de Caminha e do actual neste projecto, cujo acompanhamento reputou de decisivo para o efeito desejado.