No âmbito do Projeto Erasmus+ os docentes Agostinho Oliveira, Beatriz Barreiro, Nuno Pereira
e Carlos Carrilho, deslocaram-se, entre os dias 23 e 29 de abril, em representação do
Agrupamento, à Terra do Fogo e do Gelo, isto é, a Reiquiavique, na Islândia.
Esta viagem revelou-se uma experiência inesquecível, não só pela possibilidade de contactar
com uma realidade sociocultural, geográfica, climática e geológica completamente distinta da
nossa, mas também pela oportunidade de partilhar e contactar com abordagens educacionais
diferentes daquilo que se vai fazendo no nosso país, nomeadamente ao nível do modelo
organizacional, das práticas didático-pedagógicas e dos respetivos currículos escolares. Nestes
dias tivemos o privilégio de discutir a abordagem educativa com docentes de escolas de
França, Espanha, Grécia, Alemanha, Letónia, Finlândia e Hungria, que privilegiavam modelos
educativos bilingues (inglês + língua materna) ou que apostam em modalidades de ensino de
caráter profissionalizante.
A formação teve duas vertentes: uma indoor, de índole mais teórico, na qual as escolas
debateram práticas educativas relacionadas com o efeito de estufa e as alterações climáticas, a
pegada ecológica, as energias “verdes” e todos os problemas relacionados com
sustentabilidade das nossas cidades e de que forma os docentes trabalham estas temáticas
com os seus alunos. É importante salientar que, muito do que se debateu já consta das
aprendizagens essenciais das nossas disciplinas e que são tidas em linha de conta nas
atividades pedagógicas do nosso Agrupamento. Na outra vertente, de carácter mais prático e
outdoor, tivemos oportunidade de visitar uma eco-escola, do ensino pré-escolar, sita num
ambiente mais rural, longe da capital e cujo ensino lá praticado tinha como principal objetivo,
nas palavras da sua diretora, a felicidade das suas crianças, em plena harmonia com o meio
ambiente que as rodeia; noutro dia os docentes visitaram a maior central geotérmica deste
país e uma das principais a nível mundial, durante a qual nos foi explicado o seu
funcionamento, assim como a rede de distribuição de energia elétrica e de água quente, que é
usada para aquecimento de 99% das habitações deste país, com cerca de 380 mil habitantes.
Em paralelo foram efetuadas várias viagens exploratórias a sítios geotectónicos, a paisagens
inacreditáveis e a cenários extraordinários, já usados por cineastas. Os docentes, à semelhança
de exploradores de antanho, calcorrearam estradas, disseram “presente” ao pisarem o famoso
rift, que separa as placas tectónicas euroasiática e norte-americana, subiram ao vulcão que
sofreu erupção em 2021, com lava recente e centenas de fumarolas, observaram sorridentes e
expectantes dois geysers ativos, visitaram magníficas cascatas, fotografando tudo, filmando a
todo o tempo na ânsia de nada ficar por registar. Durante estas viagens, por estradas quase
livres de outros carros, os docentes animaram-se em debates sobre o relevo mutável destes
territórios gélidos, sobre o clima extremamente exigente para este povo que aqui persiste em
viver, sobre o estado do tempo em constante mutação, sobre a fauna e a flora muito distintas
das nossas, sobre o vento gélido que baixa a sensação térmica, sobre a constância da água por
este país abençoado com recursos hídricos nos três estados físicos e pela pertinência das três
cores que constituem a sua bandeira: o vermelho das erupções, o azul aquático e marinho e o
branco da neve e dos gelos eternos. Ao mesmo tempo recolheram-se inúmeras as amostras de
solo e rochas para servirem de evidência e enriquecerem o espólio da nossa escola.
Ainda assim, o melhor ficou para o fim do nosso périplo acima do paralelo 63: após uma longa
jornada os docentes chegaram ao majestoso glaciar Vatnajokull, que se estende por 8 mil
quilómetros quadrados (o maior da Europa) e que coloca qualquer ser humano em sentido
tamanha é a sua beleza, a sua magnitude, a vastidão e o silêncio que nos percorre a espinha:
devidamente equipados, os docentes andaram sobre o glaciar e percorreram 3 grutas naturais
dentro do mesmo – uma experiência verdadeiramente surreal.
Esta foi, assim, uma aventura que permitiu levar o nome do nosso Agrupamento e do nosso
concelho além-fronteiras: Islândia, França, Espanha, Grécia, Alemanha, Letónia, Finlândia e
Hungria. É importante salientar que esta ação no âmbito do Erasmus e a interação com o
território terá, certamente, um contributo fantástico para a prática educativa, pois esta
partilha de experiências e vivências irá, certamente, ser transferida para as nossas salas de
aula e, deste modo, enriquecer o processo de ensino-aprendizagem dos nossos alunos.
Por fim, deixamos aqui uma palavra de agradecimento à diretora do agrupamento e respetiva
equipa que permitiu que pudéssemos usufruir desta oportunidade formativa, o apoio dos
nossos familiares e em especial à coordenadora do Projeto Erasmus+, professora Fernanda
Oliveira que, a milhares de quilómetros, soube estar presente, resolvendo, aconselhando e
ajudando sempre que necessário.
Um bem-haja a todos.