O projecto de associar Portugal à descarbonização, uma exigência da União Europeia feita igualmente a outros países, levou a que o Governo tivesse optado por um rumo que se tem revelado inseguro.
A exemplo do caso do lítio, a aposta nas energias eólicas ao longo da costa tem também originado receios e dúvidas junto da classe piscatória e proporcionado contestações não só dos profissionais de pesca, como das forças políticas da oposição.
Nuno Pereira, vereador da OCP na Câmara de Caminha, aproveitou a segunda sessão deste mês para confrontar o presidente do Executivo sobre a sua posição na projecção de um parque eólico desde Viana do Castelo até Caminha.
O edil teme que a pesca seja afectada e não acredita na política de subsídios compensatórios dos danos que eventualmente venham a ser produzidos no sector, tendo ainda incluído no seu pensamento a proibição da pesca desportiva num raio de 600 metros a contar do farol da Ínsua, e perguntado qual o contributo da Câmara Municipal na elaboração do Regulamento do Rio Minho já em vigor.
Nuno Pereira solicitou ainda informações sobre o projecto de construção de um hotel na ilha da Ínsua.
"Complexo e técnico"
Rui Lages admitiu ser este um projecto "complexo e técnico", em que a Câmara Municipal "nem é contra, nem a favor", insistindo ainda que "a nossa influência é reduzida", mas "este processo começou mal", assim o interpretou.
"Por princípio", assinalou o autarca socialista, o Executivo não quer as eólicas, mas não está certo de que tal não venha a suceder, levando-o a advogar a necessidade de "minimizar os mecanismos de impacto territorial", incluindo neste âmbito os pescadores e indústria da pesca, a náutica de recreio, a pesca lúdica, o turismo, a natureza, o comércio relacionado com o negócio de venda de apetrechos de pesca ou os nadadores-salvadores.
Rui Lages admitiu que "as preocupações são muitas, e as respostas, hoje, são muito poucas", tendo já abordado esta temática com o secretário de Estado das Pescas, tendo recebido a garantia de que estaria "100% ao lado dos pescadores", prometendo, aliás, ser "a voz deles junto do Governo".
Reforçando a sua ideia de que a criação de um parque eólico deveria ter-se iniciado "com as comunidades locais (pescadores)" e autarquias, atingido este patamar, "há que trabalhar para o futuro", embora comungando das "preocupações dos pescadores" perante a eventual blindagem de mais de 600 km2 da costa minhota.
Referindo-se à interdição da pesca lúdica nos 600 metros ao redor da Ínsua (refira-se que aos pescadores profissionais já tinha sido interditada a pesca neste perímetro), frisou que tal "não correspondia à verdade", prometendo reunir com pescadores desportivos e com a Capitania do Porto de Caminha, apesar de o Município estar arredado desta competência, pretendendo apenas "tentar soluções".
Sobre o projecto do Hotel da Ínsua, disse que tinha sido apresentado na Câmara.
O autarca aproveitou para valorizar a atribuição a três praias do concelho (Âncora, Caminha e Vilar de Mouros) do diploma de qualidade de ouro concedido pela Quercus.
As respostas sobre as eólicas levou Nuno Brás a alertar para a importância da plataforma continental como viveiro de peixe e que a área onde se pode pescar já é exígua, levando-o a propor que as eólicas sejam instaladas fora da costa do concelho.
Associação de Pescadores de Caminha pode concorrer às bancas do mercado
Tendo sido aprovado o concurso para sorteio de espaços de venda (bancas) de peixe no futuro Marcado Municipal de Caminha, o vereador Nuno Pereira perguntou se a Associação de Pescadores poderia concorrer - a exemplo do que sucedeu em Vila Praia de Âncora -, tendo Rui Lages garantido que sim.
A homologação da lista final dos incentivos a conceder pelo Município aos estudantes universitários com dificuldades económicas, levou Nuno Pereira a pedir que para o próximo ano o processo seja conduzido com mais antecedência, porque este já chegara com atraso.