Os constrangimentos resultantes da obra de instalação do saneamento ainda são visíveis em alguns pavimentos desta freguesia, desde finais de 2021, nomeadamente na estrada do Funchal, Ponte e Cavada, destacou Carlos Alves no decorrer da reunião camarária descentralizada realizada na passada Quarta-feira na sede da junta, após Rui Lages, presidente do Executivo camarário, ter manifestado o seu contentamento pela possibilidade de "ouvir os problemas das freguesias" através da voz dos próprios autarcas e moradores.
Apesar dos constrangimentos provocados por estas empreitadas a cargo da AdAM, o presidente da autarquia vilarmourense pretende que toda a aldeia beneficie deste melhoramento, apontando para os lugares de Marinhas e Agrelo.
Museus abordados
O autarca lamentou que não tivesse sido possível criar o Museu dos Ferreiros (cujo recheio das oficinas desapareceu, a par de os edifícios terem sido vendidos, o que reputou de "lamentável") e voltou a insistir na disponibilidade da Junta para ceder a Casa dos Barrocas a fim de albergar o Museu do Festival.
Festival é uma "marca nacional e internacional"
Festival que centra as atenções dos vilarmourenses, como fez menção de salientar o autarca, frisando que tanto o seu Executivo, como o camarário e a empresa organizadora se encontram de "mãos dadas para que venha a ser um grande evento" em Agosto, prometendo notícias (cartaz) para breve.
Este evento "é uma marca nacional e internacional", reforçou Rui Lages, assinalando ser "importantíssimo para nós", despois de ter sido "muito difícil recuperá-lo", após ter sido eliminado. Adiantou que o Festival tem crescido, acredita que será um "sucesso" e avançou com o fecho do cartaz para o próximo mês.
Saneamento dependente de fundos comunitários

Referindo-se ao "muito que já foi feito em Vilar de Mouros", Rui Lages falou da consolidação e alargamento das redes de saneamento, importantes "por razões ambientais e de
conforto" para os residentes, agradecendo a colaboração da Junta de Freguesia na elaboração do caderno de encargos desta obra.
Dado que as pessoas aguardam que sejam estabelecidas as ligações da rede de saneamento a suas casas, Rui Lages reuniu esta Sexta-feira com a Junta de Freguesia e AdAM para que a empresa das águas proceda em conformidade, mas não conseguiu adiantar uma data para a continuação da rede através de Marinhas, acentuando, contudo, que já foram investidos 800.00€. Precisou que sem candidaturas comunitárias será inviável pensar em obras desta envergadura.
"Necessidade importante"
A estrada de Marinhas necessita de reparação, alertou uma moradora que interveio igualmente nesta sessão pública, Julieta Pires, chamando a atenção para o estado do piso perto de Seixas (Av. de Santo António), habitante que reforçou a necessidade de conseguir dotar este lugar com a condução dos esgotos, porque "só há fossas", o que é agravado pelo facto de o terreno ser xistoso e as águas residuais "aparecerem" nos caminhos, denunciou.
50.000€ de prejuízos causados pelas enxurradas
Os danos causados pelas enxurradas de 1 de Janeiro também afectaram Vilar de Mouros, como assinalou Carlos Alves, embora de uma forma menos acentuada do que noutras freguesias. No entanto, registou-se o derrube de vários muros.
A Junta estimou em cerca de 50.000€ os prejuízos causados pela intempérie entre bens públicos e privados, e tem conhecimento do empenho do presidente da Câmara para tentar obter verbas do Estado para acudir à maioria das situações, mas sabe que as hipóteses não são muitas. Entretanto, com os meios da Junta e apoio camarário, foi possível acudir e reparar situações mais fáceis e menos onerosas. Uma delas, premente pelos riscos que a ponte medieval sobre o rio Coura corria devido à acumulação de troncos de árvores e madeiras a montante desta travessia centenária, foi a de remover rapidamente esses detritos, revelou Rui Lages.
Um milhão para recuperar rede florestal concelhia
Só para reparação da rede viária florestal concelhia será necessário investir um milhão de euros, mas não está contemplado qualquer apoio estatal, deu conta Rui Lages, quando estes acessos são fundamentais para o combate aos incêndios florestais, caso contrário os carros dos bombeiros não passam, alertou.
De resto, Rui Lages explicou este processo, a exemplo do que tem feito noutros fóruns concelhios, lamentando ainda que os privados tenham apenas de contar com os seguros das suas habitações, porque os muros e logradouros não se encontram normalmente a coberto pelas seguradoras.
"Está uma lástima"
Um morador residente junto à estrada municipal de Marinhas, no Largo do Carvalhinho, António Carvalho, criticou que nada tivesse sido feito para reparar dois muros junto à sua casa, e o pequeno trabalho executado não foi bem conseguido e "entra-me água em casa quando chove", a par de ser difícil circular a pé, numa zona onde habitam vários idosos, alertou. Rui Lages prometeu a deslocação da chefe de divisão de águas e saneamento ao local a fim de analisar esta situação, prometeu o presidente da Câmara.
Pessoas devem interessar-se pela política
Liliana Silva, vereadora da oposição, interveio para se mostrar solidária com os pedidos feitos por Carlos Alves desde 2021, manifestou concordância com o Museu do Festival e apelou ao Museu de Serralharia - pois ambos seriam bons para atrair juventude, e insistiu que as pessoas se interessem pela política, em resposta ao desalento patenteado pelo morador de Marinhas.
Esta sessão permitiu ainda a Rui Lages manifestar o seu contentamento pela intervenção dos moradores, expondo os casos que os afectam: "Não tenham receio de vir falar connosco", porque, aduziu, "são as pequenas coisas que mudam a vida das pessoas", ou "quando perdemos o que temos é que damos valor", dirigindo-se em particular ao freguês que veio manifestar o seu desagrado pelo caso das águas junto à sua habitação.