A associação ambientalista Corema cumpre este ano 35 anos de vida na luta pelas causas ambientais e patrimoniais, como o comprova a seu empenho nas campanhas de limpeza das praias do concelho em curso (além dos areais marítimos, também as praias fluviais da Levada/ Vilar de Mouros e Pedras Ruivas/Seixas foram incluídas nesta acção conjunta com a Câmara Municipal e juntas de freguesias respectivas), ou a recente luta contra a mineração da Serra d'Arga, cuja determinação deverá ter contribuído para que uma empresa fabricante de sabonetes tenha disponibilizado 1% dos seus lucros (935€) para esta associação, o que levou a sua direcção a pretender "reunir com o proprietário" que desconhecem, "a fim de lhe dar a conhecer a nossa actividade", assinalou José Gualdino, presidente da direcção desde a criação deste grupo, no decorrer da aprovação das contas e relatório de actividades/22.
"Se há empresas a disponibilizar 1% dos seus lucros à Corema é porque lhe reconhecem interesse", comentou Ângelo Fernandes, vice-presidente da direcção.
No final da assembleia geral que sufragou estes documentos e o plano de acção para 2023, confrontamos José Gualdino sobre este número redondo da associação a que preside desde a primeira hora, acerca da preparação de alguma actividade que realce a sua longevidade não isenta de incompreensões, ameaças e até idas a tribunal com aconteceu na luta contra o traçado do IC1.
"Ainda não pensamos em assinalar esta data", reconheceu, mas "acho que merecia ser comemorada, porque é difícil que uma associação de defesa do ambiente chegue a este número", admitiu, o mesmo se verificando com a presença da mesma pessoa à sua frente, como é o seu caso, "o que não é fácil" igualmente "manter a vitalidade e o dinamismo que eu tinha no início da fundação da Corema".
A falta de alternativas tem contribuído para a sua manutenção neste cargo, justificou desta forma a permanência na presidência, embora as actividades que acabava por avocar no início, "se encontram presentemente distribuídas por outros elementos, e ainda bem", vincou.
Ao longo destes anos, "houve lutas ganhas que deixaram lastros com reflexos no presente e no futuro", dando como exemplos algumas delas em que "só passados uns anos é que nos dão razão e às posições que a Corema defendeu", o que considerou "importante por deixarmos alguma cultura em termos da defesa do ambiente e no intuito de mudarmos as mentalidades".
Parceria com o Município e a empresa de recolha para a campanha das rolhas
Se a renovação nos cargos directivos é sentida como uma necessidade, essa mudança geracional "não é fácil". "Temos a noção de que temos de apostar em iniciativas que possam enquadrar mais facilmente os jovens", dando como exemplo a campanha que pretendem encetar de recolha de rolhas e "a sua substituição por plantas, poderá ser uma das iniciativas abrangentes que poderá mobilizar a população mais jovem".
Pretendem que a Câmara Municipal de Caminha colabore e indicou ser seu propósito "distribuir frascos (recipientes em vidro) para depositar rolhas, sobre tudo nos restaurantes, cafés, garrafeiras e cantinas", sendo posteriormente recolhidas, uma operação em colaboração com o Município e a empresa de recolha, devendo escolher qual a forma mais "expedita e mais fácil de a fazer".
"Muita actividade"
Esta assembleia geral permitiu aos sócios apreciar as actividades desenvolvidas no ano passado, com destaque para as diversas participações contra a exploração de lítio no concelho de Caminha e noutros territórios.
"Muita actividade", foi a expressão utilizada por Luís Guerreiro, presidente da AG, para definir as iniciativas e acções encetadas pela Corema nesses doze meses, fazendo votos para que no próximo relatório de actividades não surjam mais coisas, caso contrário, "é sinal que há problemas ambientais" aos quais esta associação sediada em Lanhelas teve de dar resposta, sublinhou.
"Um nicho de apoiantes em cada freguesia"
Tentar a adesão de mais militantes para a causa ambiental e criar nichos de apoiantes em cada freguesia do concelho de Caminha, foi uma ideia lançada pelo presidente da AG, porque, alertou, "as ameaças não vão parar", apontando que "quem domina a União Europeia entende que há que industrializar a Europa", mas, advertiu, "são os mesmos que deram cabo dela".
Prosseguindo a sua análise profunda, Luís Guerreiro reconheceu que "o Alto Minho é apetitoso para eles", exigindo, em consequência, que se reclame essa "etiqueta de importância ambiental" para a nossa região, pedido ainda que haja cuidado "com as industrializações apressadas".
Neste sentido, Ângelo Fernandes pediu que se mantivessem em guarda contra a exploração do lítio, nomeadamente devido às "guerras comerciais" existentes, no que foi corroborado por Luís Guerreiro e permitiu a José Gualdino dar conta do processo da discussão pública "pela terceira vez" da avaliação ambiental da pretensão de mineralizar o território das Covas do Barroso, bem como da pressa em despachar o de Montalegre.
Esta questão da utilização do lítio suscitou uma análise sobre as alternativas à necessidade da descarbonização sem o recurso a este minério.
"O lítio é muito reactivo"
Os preços das viaturas com equipamentos à base deste minério, os custos da substituição de baterias em fim de vida e das reparações dos veículos sinistrados, serão motivos a considerar na aposta final para substituição dos motores a combustão.
A propósito, Ana Lages, membro da direcção, reportou o caso de um cargueiro carregado com carros eléctricos que se incendiou no alto-mar devido ao contacto com o sal do mar.
Autarcas devem exigir a alternativa através de comboios
Horários e paragens condizentes com as necessidades das pessoas (nomeadamente as que trabalham em zonas industriais, como é o caso de Cerveira e Valença), foi o repto lançado por Ângelo Fernandes aos autarcas do Alto Minho para que reivindiquem junto do poder central a melhoria da rede ferroviária, como alternativa à utilização do automóvel - o único meio para se deslocarem para estes zonas industriais, cuja partilha foi também defendida por Ana Lages.
Rui Fernandes, membro dos corpos sociais da Corema, pediu uma frota ferroviária "maior e melhor", e Ângelo Fernandes exemplificou as dificuldades que se deparam aos trabalhadores que entram nos turnos das 7 e 16H, porque "não há comboios" a essas horas, lamentando ainda que os preços praticados na linha Lisboa-Porto sejam mais baratos do que os do Alto Minho.
Classificação das pesqueiras do Rio Minho
Por último, José Gualdino sublinhou a importância da classificação das pesqueiras do Rio Minho por parte da Direcção-Regional da Cultura do Norte - motivo para recordar Antero Leite, presidente do Conselho Fiscal desta associação, autor do livro sobre As Pesqueiras do Rio Minho -, e uma vez que pretendem montar uma exposição em Melgaço sobre estas estruturas graníticas centenárias utilizadas na pesca da lampreia, fez votos para que haja referências ao contributo da Corema para sua preservação. Ainda sobre este tema, o presidente da Corema lamentou as "divergências políticas" existentes na Galiza que têm obstado à tomada de uma posição idêntica à portuguesa.
Este reunião serviu ainda para eleger os corpos gerentes para o biénio 2022/23:
DIRECÇÃO
PRESIDENTE: José Gualdino Fernandes Correia
VICE-PRESIDENTE: Ângelo Veiga Fernandes
TESOUREIRO: Joaquim Luís Ramalhosa Guerreiro
SECRETÁRIA: Ana Cristina Fernandes Lages
SECRETÁRIA: Lucy Ann Small
1ª SUPLENTE: Isilda de Jesus Fernandes Cunha
2ª SUPLENTE: Miguel Carlos Barroso Pereira
ASSEMBLEIA-GERAL
PRESIDENTE: Luís Manuel Ramalhosa Guerreiro
VICE-PRESIDENTE: Josefina Jesus Cancela F. Covinha
SECRETÁRIA: Ana Maria Carvalho Silva Dantas
SUPLENTE: Carlos Alberto de Freitas Pestana
CONSELHO FISCAL
PRESIDENTE: Antero Leite
RELATOR: Rui António de Oliveira Fernandes
SECRETÁRIA: Rita Lima Aires Parreira Roquette
SUPLENTE: António Paulo Fernandes da Cunha