"Tenho uma boa notícia para o presidente da Câmara Municipal de Caminha", assim iniciou Paulo Alvarenga, presidente da Junta de Freguesia de Riba d'Âncora, a série de intervenções na reunião camarária descentralizada deste mês realizada nesta freguesia, e explicou porquê: "Hoje não lhe vou pedir nada!" - o que provocou risos entre os assistentes, porque os autarcas e moradores aproveitam habitualmente estas ocasiões para apresentarem os seus cadernos reivindicativos.
Esta sessão teve lugar na antiga Escola Comendador Ramos Pereira (onde estão instalados o Núcleo Museológico no 1º andar e a sede dos Baldios no 2º, "um espaço recuperado com requinte"…"e que só dignifica o concelho"), conforme classificou Rui Lages, presidente do Município caminhense, a intervenção nos baixos do edifício, e que agradeceu a cedência das instalações para mais esta etapa do périplo concelhio.
"Decisão em comunidade"
A presença das "forças vivas" e das "instituições" desta aldeia na antiga escola primária, nesse fim de tarde da passada Quarta-feira, foi motivo de regozijo da parte de Rui Lages, dirigindo-se com agrado a Paulo Alvarenga, tendo este referido a propósito que no início de cada ano, a sua autarquia reúne com todas elas, a fim de planearem as actividades e apresentarem os respectivos apoios para os doze meses, prática classificada pelo líder do Executivo como um "exemplo de associativismo partilhado", em que as decisões são tomadas em comunidade, sublinhou.
Aliás, a prática do autarca ribancorense foi apresentada como um exemplo pelo presidente camarário, atendendo à sua disponibilidade permanente, uma pessoa que "nunca diz que não", frisou, apontando como exemplo o pedido que lhe endereçou na manhã do tristemente célebre 1 de Janeiro, quando lhe telefonou a solicitar apoio com as máquinas do Conselho Directivo dos Baldios para acudir à tragédia que se abatera sobre a maioria das freguesias, respondendo-lhe de imediato que bastava que lhe dissesse "onde queria que actuasse", nomeadamente com a retroescavadora e os sapadores florestais.
Este momento foi ainda aproveitado por Rui Lages para elogiar o contributo do Conselho Directivo dos Baldios na limpeza da floresta em várias freguesias e a forma como criaram e procedem à manutenção do Souto do Rego Grande, uma referência na forma como se administra o baldio, assinalou.
Apesar dos elogios feitos ao presidente da Junta e do Conselho Directivo, Rui Lages admitiu que "nem tudo são flores", pois Paulo Alvarenga "chama-nos à razão quando é preciso", mas toda a obra realizada ou em curso em Riba d'Âncora espelha uma boa gestão, dando como exemplos as requalificações da sede dos Baldios, do edifício da junta, do salão comunitário de Vila Verde, e muitas outras obras, contribuindo para que "Riba d'Âncora fosse colocada no mapa nacional".
Como vem sendo habitual desde que estas reuniões descentralizadas foram implementadas logo que os socialistas regressaram ao poder em 2013, cabe ao presidente de junta de cada freguesia iniciar as intervenções, seguindo-se os fregueses e representantes de instituições.
Assim, Paulo Alvarenga começou por elogiar os trabalhadores da sua autarquia e dos baldios, vincando os trabalhos realizados na limpeza de caminhos e valetas, e saudou a dedicação da vereadora Liliana Ribeiro na área do desporto e do ensino.
"A política não serve para separar os homens"
Realçou ainda a regularização da luz pública em Vila Verde, o curso de pintura, restauro da Capela de Santo Amaro (garantiu ao pároco Manuel Joaquim Oliveira - um dos "moradores" nesta freguesia há 19 anos, como o próprio fez questão de vincar quando interveio -, que no Dia da Comunidade Ribancorense será inaugurado este pequeno templo) e vincou ainda o projecto de colocação de protecções à volta dos contentores do lixo, com motivos agrícolas da autoria do artesão (fingidor e restaurador de estuques artísticos) Rego Meira, e o apoio aos transportes escolares.
"O que me deixa feliz, é todos trabalharmos no mesmo sentido", rematou a sua intervenção Paulo Alvarenga, dando como espelho destas colaborações o apoio recebido da Câmara Municipal - "nunca esquecerei Miguel Alves" e o malogrado vereador Guilherme Lagido, porque "a política não serve para separar os homens", devendo-se simplesmente debater ideias e projectos, concluiu.
Novo Centro de Dia com dois imprevistos
Como referimos, um dos intervenientes nesta sessão camarária aberta à população, foi o padre Manuel Joaquim Oliveira, tendo manifestado satisfação por ver maioria e oposição juntas, "na mesma mesa", recordando que já tinha lidado com três câmaras e "sempre nos demos muito bem", sem que ninguém se intrometesse, assinalou.
Como presidente do Centro de Dia, este pároco analisou as obras de adaptação da escola primária para instalar este serviço social, informando que a Segurança Social o tem contactado e interessando-se pelo seu andamento.
No entanto, o mau tempo tem-nas atrasado, a par de dois imprevistos que obrigarão a alterações. A parte eléctrica tem de ser substituída e os tubos de saneamento existentes não são compatíveis com outros mais modernos e maiores entretanto instalados, pelo que estas duas situações inesperadas obrigarão a uma alteração do orçamento, o que leva esta instituição a pedir apoio à Junta de Freguesia, Conselho Directivo dos Baldios e Câmara Municipal.
Após a conclusão desta empreitada, o Centro de Dia acolherá 25 utentes e concederá apoio domiciliário a 40 pessoas, informou ainda este pároco.
"O primeiro monumento desta comunidade"
O telhado da Igreja Paroquial está com problemas e o pároco chamou a atenção para tal facto, depois de ter prestado homenagem a todos os que no passado contribuíram para a conservação e reabilitação do valioso património religioso.
No entanto, "não é fácil" intervir na cobertura, alertou, devido ao material interior utilizado à base de gesso, levando-o a pedir o apoio da câmara municipal.
A recuperação da Capela de Santo Amaro - "o primeiro monumento desta comunidade", vincou - mereceu-lhe uma apreciação detalhada e elogiou o facto de "todos terem trabalhado" nesse sentido.
Exposição de imagens de Cristos na Páscoa
Os pedidos do pároco ribancorense foram classificados por Rui Lages como um "caderno de encargos consistente" e "frontal", sublinhando a importância de "saber preservar o que nos foi legado". No entanto, "sou sincero", reflectiu o autarca, a prioridade camarária neste momento dirige-se para a obtenção de apoios destinados a recuperar os efeitos da intempérie de 1 de Janeiro, porque "há pessoas com dificuldades para entrar em casa ou tirar o carro da garagem". Apesar desta opção imediata, Rui Lages assegurou que não irá descurar o apoio de que Riba d'Âncora necessita e embora não prometesse dinheiro, o presidente do Executivo, disponibilizou-se para conceder todo o apoio logístico e intensificar um "trabalho conjunto, dando como paradigma a organização de uma exposição de Cristos por alturas da Páscoa, em colaboração com todas as paróquias, a fim de "promover o nosso património religioso".
"80% dos casos resolvidos"
A questão dos prejuízos causados pelo vendaval do 1º de Janeiro levou a vereadora Liliana Silva a perguntar ao presidente da Junta quais tinham sido as consequências na freguesia de Riba d'Âncora, levando Paulo Alvarenga a registar alguns danos, nomeadamente nos caminhos de monte.
Revelou que já se encontravam a desobstruir e regularizar essas vias, estando 80% dos casos resolvidos e "para melhor", vincou, acreditando que tais situações não voltarão a acontecer, tendo em conta as obras executadas, faltando apenas regularizar o caminho do Pessegueiro.
ARA celebrará este ano os 40 anos
Dado que coube às forças vivas da aldeia preencher a maioria das intervenções, José Carlos Gonçalves, presidente da Associação de Riba d'Âncora (ARA), colocou como prioridade para este ano a comemoração dos 40 anos de vida desta colectividade que "nunca parou a sua actividade" apesar das demissões verificadas nos corpos gerentes.
José Carlos Gonçalves aproveitou o momento para destacar as actividades actuais da ARA, apontando para a criação de uma secção de patinagem artística com 30 atletas inscritos (inovação elogiada por Liliana Silva), o funcionamento "em força" do grupo de Cavaquinhos, a realização de caminhadas, jogos, festas e a comemoração do Dia de S. Martinho.
Perante as actividades desenvolvidas, o presidente da ARA pediu apoios "nestes momentos difíceis do associativismo" à Câmara, Junta de Freguesia e Conselho Directivo dos Baldios e agradeceu o apoio da vereadora Liliana Ribeiro na cedência no pavilhão de Vila Praia de Âncora.
As dificuldades desta colectividade são reconhecidas pela Junta de Freguesia, levando Paulo Alvarenga a interceder no pedido de apoio solicitado à câmara municipal.
Baldios "disponíveis"
A fim de "ouvir mais de perto o que os munícipes têm a dizer", foram criadas estas reuniões descentralizadas, acentuou João António Gonçalves, vice-presidente do Conselho Directivo dos Baldios de Riba d'Âncora, garantindo que se encontram "sempre disponíveis", apresentando como prova desta boa-vontade, o contributo dado no dia 1 de Janeiro para aliviar os problemas decorrentes das enxurradas, a organização de uma conferência sobre silvicultura e sustentabilidade, ou a presença da equipa de sapadores florestais no Camarido e na Gelfa e nas acções de vigilância de fogos.
Escalpelizou ainda as intervenções nos 350 hectares de baldios, e a introdução de rebanhos de cabras e ovelhas na sua limpeza, cujo controle exige "muito trabalho e dedicação".
A envolvência dos Baldios na vida da freguesia mereceu um esclarecimento deste seu representante, ao revelar o apoio previsto para a reabilitação e adaptação a centro de dia da antiga escola primária, num montante de 200.000€ (já disponibilizados 100.000€), e para a reparação do tecto da Igreja Paroquial os Baldios dispõem-se a contribuir com 20.000€.
Terminou a elogiar o inconformismo e resiliência de Paulo Alvarenga, presidente dos Baldios e da Junta de Freguesia, e a divulgação que o Porto Canal tem feito das iniciativas desta estrutura gestora dos montados de Riba d'Âncora e da própria autarquia.
Quatro vereadoras no elenco camarário
"O senhor Domingos Velho só é velho de nome, porque ainda é um jovem", assim se exprimiu Rui Lages ao dirigir-se a este antigo presidente de junta, após as suas palavras no decorrer desta descentralizada.
Domingos Velho começou logo por surpreender, ao valorizar a presença de quatro vereadoras no elenco camarário pela primeira vez, "o que faz muita falta", acentuou.
Após este interlúdio que caiu bem na assistência, este ribancorense centrou a sua intervenção no problema da habitação social, considerando ser necessário fazer algo em relação às pessoas que se encontram "em situação precária no concelho". Fez votos para que a Câmara se candidate aos programas colocados ao dispor das autarquias e apontando Riba d'Âncora como uma freguesia que poderá disponibilizar terreno para construção.
Desde princípios de 2021 que existe um acordo entre a Câmara e o Ministério da Habitação, respondeu-lhe Paulo Alvarenga, embora ainda pouco se tenha feito até agora, admitiu, com excepção de uma casa em Moledo, esperando que este processo seja agora acelerado.
"Vai-se progredindo" nesta matéria, respondeu Rui Lages, mas "não se resolve de hoje para amanhã" o problema da habitação.
Adiantou que pretendem lançar obras de reabilitação com o IHRU (Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana) e de aquisição de outros fogos, a par do pagamento de rendas a famílias em dificuldades. Acentuou, todavia, que não se construíram casas em 20 anos, levando a que os problemas se tenham agravado.
Outro ponto a merecer a atenção de Domingos Velho, prendeu-se com o estado da estrada de Vila Verde/Trás-os-Rios, de ligação a Caminha e Viana do Castelo.
Já foi realizado o levantamento topográficio, anunciou Rui Lages, a fim de ser orçamentada a obra que se antevê bastante cara, lamentou.
O estabelecimento de um acordo intermunicipal do Alto Minho vai permitir melhorar os transportes públicos através de veículos eléctricos, protocolo elogiado por Domingos Velho, esperando apenas que os horários correspondam aos anseios das populações.
Outro pedido formulado pelo antigo autarca de Riba d'Âncora nos anos 80 e 90 do século passado, referiu-se à conclusão da instalação da rede de saneamento em toda a freguesia. "Falta completar a parte alta" de Riba d'Âncora, o que reputou de uma "necessidade" a favor do ambiente e das condições de habitabilidade, embora admita que seja uma obra cara, por se tratar de uma zona rochosa.
Água de tanque despejada em quintal
Servindo igualmente estas reuniões para os fregueses pedirem soluções para problemas particulares, Emília Alves foi apresentar uma queixa contra a AdAM por despejar água para o seu quintal sempre que limpam a presa. Já reclamou junto da empresa, ficaram de passar por lá e nada. Chamou o presidente da Junta e arranjou duas testemunhas para que comprovassem o que lhe sucedia. Como resultado destas águas, um muro já foi derrubado e outro está em vias de sê-lo.
A par disto, denunciou o estado das bermas do caminho quando foi feita uma construção de uma casa, contribuindo para que as águas pluviais também se encaminhem para o seu quintal. No seguimento destas situações, aproveitou ainda para pedir o alargamento do caminho de acesso às presas da Regalada, o qual iria beneficiar outros moradores e permitir o acesso aos carros dos bombeiros, acreditando que esta obra "não será cara".
Recordou o incêndio de 2018 e alertou para o perigo de voltar a suceder algo idêntico e as viaturas dos bombeiros não conseguirem aceder ao local, e assegurou que os vizinhos se mostram dispostos a ceder terreno para o aumento da largura do caminho.
A Câmara pretende pressionar a AdAM para que faça o trabalho bem feito, esperando que a reunião agendada no local para o dia 11 de Abril seja bem sucedida, acreditando que a própria empresa pretenda encontrar a melhor solução.