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Caminha

Santa Casa da Misericórdia

Carlos Mouteira diz que "temos a nossa instituição melhor do que há 11 anos"

Irmão pede retorno às missas ao domingo

Preservação de jazigos é dor-de-cabeça

Carlos Mouteira, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Caminha, destacou no decorrer da assembleia geral da irmandade que aprovou esta semana o relatório de actividades e contas de 2022, que "temos a nossa instituição melhor do que há 11 anos", embora não "esteja tudo como gostaríamos", ressalvou.

Segundo acentuou, esta situação favorável - "apesar da pandemia e da guerra" - ficar-se-ia a dever a uma "gestão meticulosa", o que permitiu uma "disponibilidade financeira" de 1,028 mil euros, quantia que contam aplicar na comparticipação obrigatória de candidaturas a fundos europeus.

Obras dos quartéis de esquadra prestes a arrancar

As obras nos quatro quartéis de esquadra estarão prestes a iniciar-se, uma vez que já se encontram aprovados os projectos de arquitectura, especialidades e execução. Esta questão da recuperação deste edifício tem sido recorrente nas reuniões da Santa Casa, conforme assinalou o irmão Jofre Pinto, levando-o a insistir num pedido de explicação mais consistente - e fazendo votos para que "no próximo ano não se esteja outra vez a falar disto" -, tendo sido esclarecido de que os espaços interiores serão destinados a serviços (escritórios e comércios).

O destino a dar às piscinas ainda é uma incógnita. Têm aparecido alguns interessados neste espaço, mas nada de concreto foi avançado, disse a Mesa Administrativa.

De igual modo o anfiteatro da Santa Casa deverá mudar de funções, revelou Carlos Mouteira a Jofre Pinto, ao ser interpelado pelo facto de a assembleia geral ter decorrido no refeitório e não nesse espaço cultural. O provedor justificou a mudança pelo facto de não existirem condições para que continuassem na antiga sala de projecção de filmes e outras actividades culturais, una vez que chovia no seu interior, o que o obrigou a "vestir o fato macaco" e subir ao telhado para proceder à sua reparação, perante a dificuldade em encontrar quem se disponha a realizar este tipo de trabalhos, lamentou.

Restauro da sacristia depende da candidatura

Um projecto de restauro da sacristia continua dependente da aprovação de uma candidatura, deu conta Celisa Alves, directora-geral da Misericórdia, a quem coube apresentar os relatórios de actividades e contas de 2022 aprovados por unanimidade.

Entretanto, no ano transacto conseguiram comprar uma viatura eléctrica para o Lar der Stª Rita, bem como uma descascadora de batatas, substituir todos os colchões, reestruturar uma casa de banho, colocar uma pérgola e uma rampa.

A não aprovação de uma candidatura através do programa Pares, impediu realizar uma cobertura de apoio domiciliar às freguesias, lamentou Celisa Alves, após ter elencado uma série de actividades recreativas e culturais. O mesmo sucedeu com uma aposta de abertura de um ATL, face ao impasse verificado nas negociações com a Segurança Social, ao exigir uma série de medidas. Referiu ainda que a limpeza dos jardins exteriores dos edifícios da instituição recaiu sobre ela, uma vez que a Câmara e Junta "não tinham disponibilidade" para continuar a fazer esse trabalho.

Foi igualmente assinalado que a remodelação do ginásio depende igualmente da viabilização de fundos comunitários para o efeito, e quanto às obras de manutenção do parque infantil, elas decorrerão este ano, garantiu.

Números

Foi divulgado através desses documentos, que foram admitidos mais quatro trabalhadores para a creche, valência que registou mais 16 utentes em 2022, ao passo que no Jardim de Infância o número de crianças aumentou apenas três. O Lar de Stª Rita teve mais um utente e o serviço domiciliário chegou igualmente a mais uma pessoa.

Dando mais números, foi adiantado que se tinham verificado mais 12% de proveitos no ano passado, precisando Celisa Alves que as valências com valores positivos tinham sido a creche, lar e Igreja (donativos/esmolas), enquanto que o Jardim de Infância e o Apoio Domiciliário tinham evidenciado registos negativos.

Ao avaliar estas valências, Carlos Mouteira complementou que "nunca tivemos tantos alunos a frequentar a creche", levando-o a concluir que esta "instituição continua a honrar os caminhenses".

Réplica de imagem de Santa Rita e espadas de Nª Sª das Dores

Dois irmãos aproveitaram o período desta reunião destinado a analisar assuntos diversos para levantar algumas questões ou pedir esclarecimentos.

Foi o caso de Jofre Pinto e Célio Martins.

Este perguntou pelas espadas de prata existentes na imagem da Senhora das Dores, na Capela da Misericórdia - "as quais têm um grande significado", opinou -, e Jofre Pinto interpelou a Mesa sobre uma réplica de outra imagem, a de Stª Rita, construída no intuito de evitar a degradação da primitiva devido às saídas nos dias de procissões, mas teria passado a ficar definitivamente no altar, lamentou. Foi confirmado que tinha sido feita uma "cópia fiel" na mesma madeira da primitiva, explicou o provedor, a fim de "preservar" a imagem mais antiga.

No outro caso, segundo esclareceu Celisa Alves, o facto de as pessoas mexerem nas espadas e partirem-nas, levou a Mesa Administrativa a mandar repará-las, decidindo então guardá-las para que não se deteriorassem novamente, sendo esta opção tomada em consonância com o capelão e a zeladora deste templo. Contudo, seria mais conveniente fazer umas réplicas sem valor mas semelhantes à que existiam na figura da Senhora das Dores, e colocá-las, alvitrou Célio Martins.

Irmão quer missas novamente ao domingo

Ainda relacionado com a Igreja da Misericórdia, o irmão Jofre Pinto questionou a Mesa devido à suspensão das missas ao domingo de manhã, mas Carlos Mouteiro recordou que tinha sido a Mesa Administrativa a reunir com o Bispo da época a fim de tratar deste assunto, mas este tinha sido peremptório em fixá-las unicamente às quartas-feiras, contribuindo para tal decisão a escassez de padres.

Manutenção de jazigos são problema

A manutenção dos jazigos à guarda da Santa Casa da Misericórdia suscitou uma troca de palavras entre Jofre Pinto e Carlos Mouteira, existindo discrepâncias entre o número de estruturas sob a responsabilidade da Irmandade e o estado em que elas se encontram. Carlos Mouteira referiu que tinham ido constatar no cemitério de Caminha quais as que eram da sua responsabilidade e a sua conservação. A propósito desta atribuição assumida no passado pela Santa Casa, outro irmão, José Rodrigues, vincou que "o mal foi terem aceitado a manutenção dos jazigos, que só dão trabalho e despesa".

Utilização da sala das comissões de festas

Outro assunto a merecer debate entre Jofre Pinto e Carlos Mouteira, prendeu-se com a cedência da sala das comissões de festas de Santa Rita de Cássia à Caminharte.

Neste ponto, outra mesária, Liliana Silva explicou a celebração de um protocolo com a referida associação que fomenta actividades culturais (pintura e desenho, por exemplo) com as crianças do Jardim de Infância e utentes do Lar, referindo a propósito que tinham feito uma entrada "muito bonita" do Lar de Santa Rita, em Vila Praia de Âncora, salvaguardando, no entanto, que nos 15 dias anteriores aos festejos, o espaço poderia ser utilizado pelas comissões de festas. Dessa forma, insistiu, estas dependências passaram a "ter utilidade no resto do ano".

Apelo à incorporação nas procissões

Antes de terminar a reunião, o presidente da Mesa da AG apelou à participação dos irmãos nas próximas procissões da Semana Santa.



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