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Gondar/Orbacém

X Raid Todo Terreno
juntou perto de 400 motoqueiros

Gondar e Orbacém continuam a apostar nos percursos de motos e moto quatro, graças à generosidade e empenho de uma meia centena de moradores e da Junta de Freguesia, o que permite jornadas de convívio através do desporto motorizado, como a que viveram no último Sábado, após a partida do X Raid TT desde o adro da Igreja de Gondar, "abençoado" este ano pelo pároco da freguesia, padre Paulo Emanuel, conseguindo reunir perto de 400 motoqueiros.

"Já estamos nisto há um mês"

"Esta já é a décima. Já estamos a ter experiência neste tipo de organizações", disse-nos o atarefado José Cunha, presidente da autarquia local, durante os preparativos para o arranque deste Todo Terreno.

Apesar da prática acumulada ao longo destes anos, o que sempre permite uma organização cada vez mais facilitada, "isto dá sempre um bocado de trabalho a perto de 50 pessoas de Gondar e Orbacém e até de algumas freguesias vizinhas, para que corra tudo bem", como vem acontecendo habitualmente, contou-nos este autarca veterano.

Embora tenham começado a trabalhar "mais afincadamente há quase 15 dias, já estamos nisto há um mês", preparando a logística e o trilho com cerca de 80 quilómetros que atravessou as freguesias de Gondar, Orbacém Vile, Riba d'Âncora, Montaria, Amonde e Freixieiro de Soutelo. A sinalização deste trilho "deu algum trabalho", admitiu, ao ser necessário limpar e arranjar "muitos aceiros e caminhos" sendo obrigados a abrir novos percursos (trilhos), mas manifestou o seu contentamento pela espectacularidade do percurso, "ao passar por zonas lindíssimas.

Acrescentou que as opções tomadas relativamente aos percursos, "obrigou-nos a construir pontes em madeira e coisas que julgávamos impossíveis de fazer, mas conseguimos todos juntos", explicou-nos com orgulho, o que lhe permite afiançar que é para continuar. Tal como o Trail do Pote já agendado para 26 de Março e "esperamos igualmente com uma enchente, apesar de ser uma prova diferente mas também muito engraçada", como o atesta a numerosa participação estimada para esse dia, um número que atingirá as 350 inscrições.

Para esta prova do passado fim-de-semana, a organização preparou um mata-bicho antes da partida, seguindo-se um reforço alimentar à base de sandes e bebidas no lugar de Vila Verde, Riba d'Âncora, e ao meio-dia foi servido um almoço à base de grelhados "à discrição" no Centro Social de Orbacém e, à noite "para aqueles que se inscreveram" houve um jantar no ValVermelho, em Dem, tudo no interior do território alto-minhoto.

"Um dia de festa para nosso concelho"

A Câmara de Caminha esteve representada em Gondar no arranque das máquinas, declarando-nos o seu presidente Rui Lages que esta autarquia "está sempre presente junto da sua população e, desta forma, estamos a promover o desporto numa área descentralizada do concelho, como é o caso das freguesias de Gondar e Orbacém", assim como conseguir "mais atractividade para o nosso território", sendo prova disso os inúmeros cidadãos do país vizinho presentes "desfrutando das nossas paisagens, do nosso monte e da nossa gastronomia", considerando, portanto, ser "um dia de festa para o nosso concelho".

Da parte do Município caminhense veio "todo o apoio logístico solicitado por parte da Junta de Freguesia, com quem temos colaborado sempre neste e noutros eventos" organizados pela autarquia local, completou Rui Lages.

O chefe da cozinha

Manuel Pires, natural e residente em Gondar "orientou a cozinha" neste evento "para o almoço e reforço" à base de molho (de cebolada) de salsichas, função que exerce desde que o TT começou a ser realizado, confirmou-nos.

Participa "para ajudar o pessoal, pela convivência e porque gosto", assim justificou a sua colaboração que vem sendo elogiada pelos participantes, nomeadamente pelo tratamento que dá às carnes.

Garante que continuará a participar neste evento que permite aos forasteiros conhecer a freguesia e "sair daqui satisfeitos", reconhece.

"Em Espanha é muito mais complicado"

É o caso de Alberto, de Moaña, Galiza, já habitual (pela terceira vez) nesta prova e que veio acompanhado de cinco amigos, porque "é o que há de melhor, porque em Espanha não deixam fazer isto - está muito mais controlado - e aqui deixam fazer tudo".

"Tenho ouvido falar bem das rotas de Portugal e viemos provar", contou-nos Miguel, de Lugo, pertencente ao grupo Trota-Montes de Pol e que se estreou pela primeira vez no nosso país.

Apaixonado pelas motos, aprecia em especial o "bom ambiente" existente nestas iniciativas que lhe permitem "passar o dia pelos montes, e divertir-se com os amigos", como foi o caso deste TT de Gondar/Orbacém, em que participou com um companheiro da sua terra, juntando-se posteriormente a um grupo de Pontevedra.

De Lalin veio uma motoqueira

As mulheres ainda são uma minoria neste género de provas, mas já surgem algumas aficionadas, tendo encontrado uma delas, a Ana, galega, residente em Lalin (terra famosa pelo seu cozido), membro do Moto Clube de Peroxa, que pela segunda vez repete esta prova, atendendo a que "gostei muito no ano passado e creio que agora também vou gostar muito".

Analisando o percurso, admira-o "pelo grau de dificuldade e extensão" que revela, a par de "ter paisagens muito bonitas".

Teve palavras de elogio para os seus organizadores, destacando o pormenor de terem colocado diversos cartazes indicando o local de partida.

Reconhece que são escassas as mulheres atraídas por este desporto motorizado, existindo quatro ou cinco no seu clube e que também competem na Galiza.

"No início eram 70 motos. 90 no segundo e daí para frente foi sempre a subir"

Os da terra também marcaram presença, como sucedeu com Sérgio Rodrigues, natural de Vile e a residir em Gondar após ter casado. Pertence ao grupo Respinga Óleo de Vile e foi um dos primeiros a colaborar desde a primeira edição (juntamente com o Filipe Araújo) integrada nas Festas de Gondar, após o que "eles seguiram" com a organização destes passeios motorizados e "venho sempre", disse ao C@2000, porque "gosto muito disto", assim vincou o seu agrado- entre gargalhadas de satisfação pela participação em mais um TT.

"Dá muito trabalho. Ninguém imagina o trabalho que dá fazer" estes eventos. Pelo facto deste se realizar em pleno inverno - "e os dias são curtos" -, apenas tem uma extensão de 80 km, com alternativas para aqueles que "não querem puxar muito". Os demais, "chegam cansados", reconhece.

Do que mais salienta destes percursos, "é a dificuldade", mas nos casos mais difíceis, não acontecem acidentes, porque "temos de ir devagar", mas nos demais troços (estradões) podem suceder alguns percalços, admitiu. "É gratificante e há muita adrenalina", acentuou.


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