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Lanhelas

Casa do Povo adquire edifício do Jardim de Infância
e avança com requalificação

A direcção da Casa do Povo de Lanhelas recebeu autorização dos sócios para negociar com a Câmara Municipal a compra do edifício onde funcionam a Creche e Jardim de Infância, cujo terreno tinha sido adquirido pela autarquia em 1985.

Posteriormente, a Câmara cedeu o direito de superfície à Casa do Povo por 25 anos, em cujos terrenos foi construído o Jardim de Infância, tendo ocorrido a inauguração em 1987.

Agora, a direcção da Casa do Povo presidida por Tomás Antunes, tem em mãos "um projecto de requalificação e alargamento da capacidade" da Creche, pretendendo aumentar os actuais 32 utentes com mais 36 miúdos (serão 68 no total), pelo que prepara uma candidatura no valor de 202.000€ através dos fundos do PRR - atendendo a que existem 20 milhões disponíveis para esta área, frisou o presidente -, segundo foi revelado na assembleia geral em que este plano foi apresentado.

Desde os anos 90 que o Ministério da Segurança Social vem exigindo a titularidade e licenciamento do edifício, bem como a introdução de novas normas para o funcionamento desta IPSS, impossíveis de concretizar porque não eram titulares do mesmo. Há anos, quando Tomás Antunes já tinha passado pela presidência da Casa do Povo, tinha sido requerido ao Município a licença de utilização do edifício, mas, este não cumpria os requisitos legais exigidos pela Segurança Social para o funcionamento, a despeito de algumas obras introduzidas ao longo dos anos.

Em 2015, a Direcção elaborou um projecto que mereceria um parecer favorável da Segurança Social, mas quando tentaram dar-lhe seguimento dois anos mais tarde, novas alterações legislativas da parte deste ministério continuavam a emperrar o processo, a despeito das obras realizadas, mas faltavam as casas de banho para incapacitados físicos, por exemplo, o que levou a Segurança Social a não caucionar os melhoramentos, originando novo atraso.

Dado que os pareceres da Segurança Social caducam ao fim de dois anos, caso os melhoramentos exigidos não se concretizem, o processo sofreu novo impasse, até que se chegou à conclusão de que seria preferível construir um edifício de raiz, de acordo com as normas impostas por esse ministério, o que veio a suceder agora, aproveitando Tomás Antunes para apresentar um power-point do novo projecto aos sócios, que altera a entrada do edifício e prevê a construção de uma pala de protecção para as crianças e pais no seu acesso nos dias chuvosos.

"Retorno económico"

Com uma previsão de obtenção de "algum retorno económico" com o aumento da capacidade da creche, o projecto foi concebido nesse sentido e dirigido às exigências da Segurança Social, prevendo o aumento da área da cozinha para o dobro, entradas e saídas independentes, WC apropriados, três despensas, cortinas corta-fogo e outras inovações. A iluminação natural será valorizada através de janelas e portas em vidro.

Centrando-se fundamentalmente neste projecto, Tomás Antunes alertou para a existência de problemas de "condensações de humidade" no edifício por estar construído em cima de terra, o que levará a que seja instalado um dreno à sua volta e poços para sugar água por debaixo do piso.

Projecto de arquitectura a dar entrada na Câmara

O projecto de arquitectura encontra-se pronto a dar entrada na Câmara Municipal a fim de obter o respectivo parecer, pelo que a passagem do terreno para a posse da Casa do Povo, através de venda (a Câmara Municipal não pode cedê-lo gratuitamente, afirmou) se tornou imperioso e urgente, de modo a conseguir a garantia de apoios comunitários através da aprovação da respectiva candidatura. Esta obra deverá ser concluída nos próximos 10 anos, para que o Jardim de Infância se mantenha em funções, alertou Tomás Antunes.

Após esta explanação, e receber os parabéns do sócio Manuel Ramos pelo processo desencadeado, a votação foi unânime na aprovação de compra dos terrenos pelo preço de 4.500€, um valor pelo qual a autarquia caminhense o tinha adquirido em 1985, negócio que será levado à apreciação da próxima reunião camarária.

Cobrança das quotas é problema

A questão da cobrança das quotas mereceu alguma reflexão, após Tomás Antunes ter referido que dos 360 sócios inscritos, "apenas 34 possuem as quotas em dia", uma situação para a qual Manuel Ramos sugeriu pagamentos à distância, mas Luís Cunha defendeu a existência de um cobrador, voluntariando-se ele próprio para realizar este serviço em Lanhelas, atendendo à dificuldade em obter alguém que proceda a essa tarefa, conforme foi reconhecido nesta assembleia.

Balcão SNS 24 e teatro

Nas instalações da Casa do Povo funcionou um posto médico. A Direcção pretende agora como que "reactivar" tal posto de saúde, através de um Balcão SNS24, através da celebração de um protocolo a estabelecer com as autoridades de saúde.

O aproveitamento das instalações do edifício da Casa do Povo continua a merecer o interesse dos lanhelenses, conforme o atesta um pedido endereçado aos seus responsáveis, de disponibilização do salão e palco para que um projecto de teatro com que a Junta de Freguesia pretende dinamizar esta arte, consiga vingar. A autarquia lanhelense pretende criar um grupo cénico, o pedido foi concretizado, e a Direcção da Casa do Povo concedeu todas as facilidades ("dever-se-á dinamizar este espaço em termos culturais" acrescentou o associado Manuel Ramos), pese embora a madeiramento deste edifício esteja cheio de bicho. Uma pulverização de toda a madeira importará em 3.500€, um preço elevado, reconhecem, mas a Câmara Municipal já realizou um levantamento da situação, porque esta casa "merece uma remodelação de fundo", opinou o presidente da Direcção, após "deixar a ideia no ar", contando com as sugestões de toda a freguesia, acentuou.

Os custos com a energia preocupam os seus directores, levando Tomás Antunes a perguntar se existia algum dos presentes que soubesse onde adquirir pellets mais em conta, referindo ainda o apoio do banco alimentar do Pingo Doce concedido a esta instituição. Os aumentos da inflação e dos custos salariais são outras das preocupações da vetusta instituição lanhelense, lamentando que os apoios da Segurança Social não acompanhem estas subidas, recordou Tomás Antunes, empossado no cargo de presidente no início deste ano.



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