Dentro de um plano de deslocações a todos os distritos, Luís Montenegro, presidente do PSD, esteve na passada Segunda-feira em Caminha, encontrando-se com a imprensa regional e nacional à chegada e no final da visita, na qual contactou com pescadores da sede do concelho, após visitar o cais de embarque do ferry-boat.
Questionado pelo C@2000 sobre a coincidência desta visita, numa altura em que toda a comunicação social falava do caso "Miguel Alves", Luís Montenegro respondeu que a deslocação a este concelho nada tinha a ver com esse facto político, assegurando que já estava prevista há cerca de um mês.
O que é certo é que as televisões fizeram o pleno no parque de estacionamento do ferry-boat - além de outros órgãos de comunicação social -, e o assunto primordial era o do secretário de Estado-Adjunto do Primeiro-Ministro, interpelando-o sobre o caso do governante, e ainda acerca da revisão constitucional.
Luís Montenegro fez questão de vincar que o seu objectivo com a realização destes périplos era essencialmente contactar com as pessoas de uma forma informal, auscultar os seus anseios, auferir o que as estruturas locais tinham a dizer sobre questões relacionadas com os seus territórios, tendo reunido em Vila Praia de Âncora a Comissão Política Permanente e, de seguida, almoçaram com autarcas de Caminha.
No encontro que teve com os pescadores do Rio Minho e mar, o líder do PSD teve oportunidade de escutar as suas reivindicações.
"Navegar de proa aberta"
A falta de uma lota permanente no foz do Rio Minho para os pescadores deste curso de água e de mar, que permita assegurar as vendas regulares, o assoreamento da barra e do estuário, a falta de apoio aos pescadores artesanais (170 barcos de pesca no rio e 44 ao mar, equivalendo a 150 postos de trabalho) e de mão de obra (cada vez escasseia mais), foram algumas das situações abordadas por Augusto Porto, presidente da Associação de Pescadores.
Frisou que não se está a dar o devido relevo "ao valor do nosso rio e mar", situação idêntica ao vivido em Vila Praia de Âncora em que os barcos grandes são obrigados a atracar em Vigo e noutros portos.
Destacou o importância do pescado do rio e mar no âmbito nacional, nomeadamente a lampreia, um recurso que não é devidamente valorizado, apesar de bem apreciado, nomeadamente na restauração lisboeta.
Liliana Silva, presidente do PSD concelhio, chamou a atenção para necessidade da lota pedindo ao líder do PSD que através do seu grupo parlamentar interpele o Governo nesse sentido.
Um pescador da zona alta do rio, lamentou a burocracia exigida aos pescadores, a par de terem de utilizar a informática, meio que ainda não é bem compreendido pelos pescadores com mais idade, frisou este veterano do Minho, dando como exemplo os problemas para tirar as cartas de marinheiro, sendo obrigados a irem consegui-las à Galiza, mas, depois, não são aceites em Portugal, apesar de "estarmos na Comunidade Europeia", vincou Augusto Porto.
"Importância da pesca artesanal"
Luís Montenegro admitiu ser relevante "fortalecer o nosso trabalho" com esta visita a Caminha, por exemplo, a par de insistir na importância de "sermos auto-suficientes" em muitas áreas, nomeadamente, nas pescas, face à dimensão da nossa Zona Económica Exclusiva, recordou, daí a importância da pesca artesanal. Salientou igualmente o valor do eco-turismo nestas zonas estuarinas, e outros projectos turísticos nesta área.
Montenegro admitiu a dificuldade em contornar a burocracia, a qual deverá ser ultrapassada com o tempo.
No que concerne à falta de mão de obra, Augusto Porto apontou a solução de contratação de cidadãos indonésios, e Luís Montenegro alertou que dentro de 20/25 anos a população diminuirá drasticamente, o que será dramático, não havendo outro recurso que não seja captar mão de obra estrangeira, tal como sucede noutros sectores de actividade.