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Dem

Reunião camarária descentralizada

"Fazem-nos subir a Serra", Rui Lages

Exigida fibra óptica para toda a freguesia

Aproveitar água no inverno para apagar fogos na época seca

Foram retomadas as reuniões camarárias descentralizadas suspensas com o surto de Covid que cortou o diálogo entre eleitos locais e população estabelecido há pouco mais de oito anos.

Dem seria a freguesia a acolher em 2020 a sessão seguinte destas sessões da vereação, até que o confinamento reteve todos em casa, obrigando à suspensão destas descentralizadas, pelo que ao reiniciar-se este novo ciclo, foi precisamente nesta aldeia serrana em que os habitantes "sentem as coisas cá dentro" e "arregaçam as mangas", sempre que necessário, conforme vincou Octávio Pires, um homem com a maioria da sua família originariamente desta freguesia, embora ele seja natural das Argas, família esta que "gosta mais de Dem do que alguns que vivem cá", garantiu.

"Proximidade com os fregueses"

Este foi um dos inscritos para falar nesta reunião de final de Outubro, "de proximidade com os fregueses" e do trabalho contínuo que deve ser estabelecido com eles, como frisou Rui Lages, presidente do Município caminhense, em que os vereadores subiram à serra a fim de "melhorar" a sua actividade neste território. Apontou como exemplos do interesse camarário por Dem, o apoio concedido ao Trail da Serra d'Arga, ao encontro de cantadores e concertinas (projecto "Dem mexe"), graças à "iniciativa da própria Junta de Freguesia".

Mas as três intervenções de munícipes previstas (devem inscrever-se com 24 horas de antecedência) foram precedidas de uma análise do que a Junta de Freguesia de Dem realizou neste primeiro ano de mandato (concluído precisamente na data da reunião descentralizada), e, do que prevê concretizar futuramente, através das palavras do seu presidente Hugo Afonso.

Crianças e idosos apoiados

Centrou inicialmente a sua intervenção no Centro Escolar de Dem, com vários melhoramentos (restauro do piso de madeira com o apoio do Município, continuação do apoio aos transportes escolares, compra de uma TV e uma piscina, plantação de azevinhos e garantia do ATL de Verão com refeições e deslocações à praia).

"Os mais idosos não foram esquecidos, através de deslocações da carrinha da Junta às quartas-feiras a Caminha ou ao Centro de Vacinação Covid, em Seixas, enquanto este funcionou. Neste campo, Hugo Afonso referiu que, actualmente, disponibilizam o edifício da autarquia para a vacinação a pessoas com mais de 80 anos e a prática de actividades de ginástica para maiores de 65 anos com a colaboração do CLDS e participaram no apoio ao espectáculo do Coro das Velhas, com Sérgio Godinho.

O apoio ao Grande Trail da Serra d'Arga manteve-se, estando garantido este evento desportivo para o próximo ano (bem como, provavelmente, uma prova de BTT) assim como o encontro de concertinas e cantadores ao desafio e todas as festividades da freguesia deense.

Apoios à agricultura, à floresta e limpezas de matas de protecção potencialmente perigosas mereceram igualmente prioridade do Executivo da Junta, assim como o apoio às obras da recuperação da Igreja e do adro.

De modo a servir melhor os fregueses, a Junta de Freguesia passou a abrir dois dias por semana.

Em termos concretos de obras, Hugo Afonso citou as diversas reparações de pavimentos, como sucedeu nas ruas Dr. Alfredo Moreira, Calçada Nova, Escola, Candal e encosta de Barreiros, juntamente com recuperação de sinalética, colocação de espelhos em alguns sítios de fraca visibilidade e iluminação pública.

Vamos continuar a trabalhar"

Dado que 2022 ainda não terminou e um novo ano se aproxima, a autarquia deense vai avançar com uma "requalificação urgente" nos estaleiros da Junta onde laboram 20 pessoas na Fábrica de Volantes, uma obra prometida "há mais de seis anos", frisou, e num futuro próximo, a adaptação do Centro Cultural para acolher como sede a Associação de Municípios da Serra d'Arga.

Dado que esta freguesia possui "uma grande extensão em arruamentos" e os recursos próprios não abundam, Hugo Afonso pediu apoio ao novo presidente Rui Lages a quem felicitou pelas novas funções, sem esquecer a colaboração recebida da parte do ex-presidente Miguel Alves, a quem auspiciou "sucesso nas novas funções no Governo".

O autarca não se cansou de elogiar todos os que colaboraram em vários domínios das actividades em Dem, sem esquecer os funcionários do Município que trabalharam bem cedo nos meses de verão, conforme os próprios solicitaram, a fim de evitarem os picos de calor.

Este balanço dos 365 dias iniciais da autarquia deeense, foi objecto igualmente de apreço da parte da vereadora da oposição Liliana Silva, entendendo que "depois das eleições, têm de trabalhar todos para o mesmo".

Fibra óptica continua a ser uma exigência

Tanto o morador Gil Afonso, como a Junta de Freguesia pegaram numa das bandeiras de Dem (e da Serra d'Arga no seu conjunto), e que se prende com a fibra óptica.

O morador insistiu que esta rede "não está ainda a 100% no concelho", o que lamentou, dando como exemplo o seu próprio caso, um profissional de informática que trabalha desde casa.

"É um bem essencial!", assim classificou a importância desta rede que requere uma "resposta urgente", apontando a importância que teve durante o Covid.

Recordou que esta reivindicação remonta a 2017 e Dem é das freguesias que se encontra pior servida, quando, nos dias de hoje, "é um bem essencial", lamentando que a sua freguesia continue esquecida.

"Não podem ser territórios brancos"

Em reposta, Rui Lages assumiu que Dem "não pode ser território branco" nesta área, a par de se revelar decisivo na "fixação de jovens", além de ser "uma aspiração actual". "Comprometo-me a apertar um pouco mais com as empresas que fornecem e instalam a fibra óptica", adiantou o presidente do Executivo, lamentando que, por vezes, estas empresas não considerem "apelativo" dotar as freguesias rurais com esta rede, só porque vão beneficiar apenas duas ou três casas.

"Uma forma de combater a desertificação do interior"

A vereadora da oposição, Liliana Silva, usando da palavra na parte final da reunião, concordou que a fibra óptica "é uma forma de colmatar a desertificação do interior".

Exemplificando o quanto há ainda que fazer "no nosso país", assinalou que desde 2019 que é obrigatório a existência do livro de reclamações electrónicas, mas se ainda há locais onde ainda não existe Internet, como é que se vai aplicar esta medida, interrogou-se, a par de os idosos não dominarem esta linguagem virtual.

"Eles vivem num mundo totalmente diferente!"

A questão da Internet, levou Octávio Pires a lamentar a forma como os pastores são obrigados a lidar quando alguma ovelha é morta por um lobo, sendo obrigados a comunicar pela Net ao ICNF do sucedido e não podem abandonar o local até que venham (GNR) comprovar o ataque, se quiserem receber uma indemnização de 20€.

"Eles (em Lisboa) vivem num mundo totalmente diferente do nosso!", desabafou.

Estas "assimetrias territoriais" devem acabar, completou Rui Lages, incluindo as dificuldades nos transportes, que se deverão eliminar com a existência de carreiras de autocarros que permitam o acesso às vilas.

"Sentimos as coisas cá dentro!"

Como assinalámos no início desta notícia, Octávio Pires - muitas vezes com a voz embargada pela emoção com que habitualmente fala da sua terra -, após desejar o maior sucesso ao Rui Lages e ao novo vereador João Pinto, porque, precisou, "o seu sucesso, será o nosso", centrou as suas palavras numa tragédia que, por vezes, assola a Serra d'Arga: o fogo.

"Entristece-me! Não gosto de ver o fogo no verão no nosso concelho!", embora este ano "nos tenhamos safado (Serra d'Arga)", assinalou.

De modo a combater esta praga, Octávio Pires disse ao Executivo municipal que era agora (inverno) a altura de falar nos fogos e encontrar soluções, porque, reforçou, "fogos haverá sempre", e como eles vêm sobretudo do norte (Vila Nova de Cerveira), lamentou que se desperdice a água proveniente desta serra nos períodos invernais, sugerindo, portanto, que se criem reservas de água que sejam utilizados no combate aos incêndios. "Aproveitemo-la!", vincou.

Precisou que não se trata de criar grandes barragens, mas de reservatórios com capacidade elevada, onde possam inclusivamente praticar a pesca desportiva e fazer actividades de lazer.

Câmara concorda com proposta de munícipe

Embora admitindo que a água no Alto Minho não é tão escassa como noutras regiões, Rui Lages concordou que "há que geri-la bem", não descartando a hipótese de dotar as freguesias de Dem e Argela, por exemplo, com tanques de contenção deste líquido, em terreno baldio, exemplificou.

Referindo-se a "estes assuntos importantes" trazidos à baila pelo morador, Rui Lages comungou do contentamento quando não deflagram fogos no concelho, mas, para o evitar, "há que preparar os terrenos", sensibilizar os gestores dos Baldios - alguns dos quais funcionam bem, reconheceu -, além de ser imprescindível apoiá-los, dando como exemplo os 25 hectares de monte limpo por ano pela equipa de sapadores florestais, mas "queremos mais", precisou, adiantando a intenção de que "os serviços contactem com os Baldios" e recordando a existência de quatro EIP no concelho.

"É sempre um prazer ouvi-lo"

A temática da defesa da floresta levou ainda Liliana Silva a manifestar o seu apreço pelas palavras escutadas da parte de Octávio Pires, recordando o seu empenho e de todo o concelho de Caminha, quando "arregaçou as mangas, como o senhor disse", e impediu a exploração do lítio.



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