A saída de Miguel Alves da presidência da Câmara Municipal de Caminha, gerou uma série de comentários na Assembleia Municipal do 30 de Setembro, tendo o BE opinado que o actual Executivo "não tem legitimidade política para se manter", embora a considerasse "legal", admitiu, porque na sua óptica, a campanha verificada há um ano estaria centrada na figura de Miguel Alves, embora nada tivesse do ponto de vista pessoal contra quem o substituiu no cargo, acentuou.
Já o presidente da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora, Carlos Castro, acusou o anterior líder do Executivo de "ter largado a ameixa e fugir", indo para Lisboa e deixando uma dívida de 22 milhões de euros - que vai subir para 31 milhões, acentuou -, com a construção do Multiusos até 2033, insurgindo-se contra este projecto em que o Município pagará 25.000€/mês nos próximos 25 anos.
A substituição do presidente do Executivo não teve opiniões idênticas, como sucedeu com Paulo Alvarenga, presidente da Junta de Freguesia de Riba d'Âncora, dando como exemplo o Concelho em Primeiro, em que houve eleitos que fugiram às suas responsabilidades ou nem sequer tomaram posse, dando como exemplo a lista desta coligação na sua freguesia, em que nem o primeiro, nem o segundo da respectiva lista assumiram o cargo.
Este autarca referiu ainda a ausência de Carlos Videira na bancada da coligação de direita na AM, e deu como exemplo de desistência do seu posto, o de Durão Barroso que trocou o lugar de primeiro-ministro em Portugal por um cargo na Europa.
Em tom irónico, Paulo Alvarenga mostrou a sua surpresa pela estima que estavam a demonstrar pelo antigo presidente de Câmara de Caminha, pois julgava que não gostavam dele.
Contestando o facto de o eleito pelo PSD ter criticado que o futuro dos vindouros estaria hipotecado devido às dívidas camarárias, Paulo Alvarenga recordou que se esquecem de falar da PPP das piscinas de Vila Praia de Âncora "para pagar em 33 anos", além de nunca falarem na AM dos assuntos de interesse para as freguesias, porque "nunca lá puseram os pés", acusando ainda a oposição de apenas vir para este órgão autárquico "fazer política", ao contrário do propalado durante a campanha eleitoral, assinalou.
Sendo dado de seguida a palavra ao novo presidente da Câmara, Rui Lages aproveitou para realçar esta sua primeira intervenção neste cargo, afiançando que "era com enorme gosto que assumi o desafio de ser presidente da Câmara Municipal de Caminha", garantindo que será "um mandato de continuação, prosseguindo com a maior confiança, transparência e proximidade aos nossos munícipes".
Como Miguel Alves tinha tomado posse como secretário de Estado-Adjunto do Primeiro- Ministro, Rui Lages asseverou que era uma honra para o Executivo e PS poder contar com mais um caminhense no Governo da República, pois, "pela primeira vez, Caminha tem dois dos seus filhos a integrá-lo", em alusão, também, à presença de Marina Gonçalves no cargo de secretária de Estado da Habitação Social.
No seu entender, e apesar de haver quem tivesse visto a presença de Miguel Alves no Governo como "um copo meio cheio", na sua óptica, isso deve ser visto como "um copo cheio", atendendo ao contributo que poderá trazer para o concelho e região, e ao facto de conhecer bem o ex-autarca, porque, vincou, "trará sempre no seu pensamento a acção governativa no concelho de Caminha".
Criticou aqueles que diziam que Miguel Alves estava com o pensamento noutras paragens, "porque não era daqui", bem como a forma "belicista" como estas mudanças são analisadas por alguns, devendo antes, na sua perspectiva, "respeitar quem partiu e quem fica".
Dirigindo-se concretamente aos representantes da AM, prometeu uma "relação institucional muito próxima com esta assembleia", e com todos os seus deputados municipais, incluindo os presidentes de Junta de Freguesia com quem lidou durante cinco anos "de uma forma muito próxima".