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Lanhelas

Madeira ardida tem de ser cortada

Novo Conselho Directivo dos Baldios deverá ser eleito no princípio do ano

A Assembleia de Compartes dos Baldios de Lanhelas mandatou o Junta de Freguesia para proceder ao abate e venda das árvores queimadas como consequência do pavoroso incêndio do último Verão, de modo a evitar que apodreçam, o que retiraria quaisquer dividendos para a freguesia.

Constituindo assim à Junta de Freguesia gerir a lenha ardida, Adolfo Marrocos, presidente da autarquia, assegurou perante os compartes presentes que "temos algumas ideias" sobre a forma como aplicar os dinheiros provenientes dos cortes a efectuar com a maior brevidade possível, face à catástrofe que a floresta de Lanhelas sofreu, "antes que as árvores se estraguem e se desvalorizem", sublinhou, pretendendo posteriormente proceder a uma reflorestação "com orçamento", frisou, através árvores autóctones, levando-o a pedir aos compartes que se pronunciassem.

Esta hipótese mereceu concordância, com João Cunha a acompanhar as palavras do presidente do Executivo, mas, alertou, "não deixem o lixo no monte".

Contudo, a questão das ramagens, aparas e restos florestais, deve ser bem ponderada, alertou Rui Fernandes, presidente do Conselho Directivo dos Baldios, atendendo a que é necessário deixar ficar "uma manta morta" (restos florestais devidamente triturados) que sirva de adubo às árvores e arbustos a plantar.

Criado em 2001

Este comparte e antigo presidente da Junta de Freguesia - que pretende deixar o cargo de presidente do Conselho Directivo dos Baldios, função que exerce desde a sua criação em 2001 - avisou ainda que "nem todas as espécies autóctones (azinheiras, castanheiros, sobreiros, medronheiros, carvalhos ou o azevinho, por exemplo) se dão em todos os solos".

Como exemplo de reflorestações "mal sucedidas", falou do que sucedeu após as expropriações para a construção do prometido IC1 e que virou em A/28, pois todas árvores autóctones morreram - ou foram roubadas, acrescentou com reprovação pelo acto.

O exemplo de O Rosal

Numa assembleia em que a floresta foi tema dominante, este lanhelense deu conta que se tinham deslocado ao Rosal, constatando como os montes desta comunidade galega "são bem geridos", movimentando 400.000€/ano, existindo 14 funcionários para cuidar dos baldios, incluindo uma máquina para "esmagar os galhos" a fim de criar a tal "manta morta", e, dessa fornam, fertilizam a terra para as novas plantações.

Através desta gestão criteriosa, os Baldios de O Rosal "são auto-suficientes" e ainda concedem subsídios à Banda de Música deste concelho vizinho de Lanhelas.

Esta questão das reflorestações adequadas, mereceu concordância de todos, sugerindo Manuel Ramos que se deviam trazer especialistas na matéria, para que procedam a um aconselhamento adequado, levando a que Rui Fernandes tivesse proposto a realização de uma assembleia extraordinária, no intuito de formular uma ideia das plantações mais aconselháveis para o território lanhelense.

Eleições em Janeiro

Não reunindo desde 2015, situação agravada pelo Covid, os compartes vão ser chamados a eleger os corpos sociais no próximo mês de Janeiro para os quatro anos seguintes.

"Queremos jovens à frente dos Baldios", pediu Josefina Covinha, presidente da Assembleia de Compartes.

A freguesia conta com 930 eleitores, mas os compartes poderão ser mais, atendendo a que muitos lanhelenses residem no estrangeiro, razão pela qual será criada uma comissão que procederá ao recenseamento (actualização) dos cadernos eleitorais.

A dificuldade em comprovar quais são as bolsas particulares, foi outro dos assuntos debatidos nesta assembleia que decorreu na sede da Junta de Freguesia, assim como foi abordada a forma pela qual deveriam estar organizados os terrenos baldios e particulares, de modo a conseguir-se uma gestão e reflorestação adequadas.

Concelho sem área para uma ZIF

A criação das ZIFs voltou a ser aflorada, mas Andreia Alves considerou ser impossível esta solução, porque o concelho de Caminha não possui área suficiente de baldios para a sua constituição, dando como exemplo o caso de Moledo, uma freguesia que não possui terrenos baldios.

No máximo, adiantou Andreia Alves, Lanhelas poderia ter uma área de gestão florestal idêntica à de Riba d'Âncora, sugeriu.

Este momento serviu ainda para fazer história sobre o aparecimento desta estrutura da gestão da floresta motivada pela contestação ao traçado do IC1 nos inícios deste século, nomeadamente porque a empresa construtora (Ferrovial) pretendia pagar um preço irrisório, conforme recordou Josefina Covinha. Face à contestação gerada, foi possível elevar o preço da compra das árvores abatidas, tendo a freguesia recebido 272.000€, um valor apesar de tudo considerado baixo, e cujo pagamento foi protelado até à última hora, obrigando à contratação de um advogado para conseguirem que a empresa cumprisse a sua obrigação, mas, além do mais, evitaram que a paisagem e o monte não ficassem estragados.

"Íamos ter uma barreira com 500 metros de largo", relembrou Josefina Covinha, tendo obrigado o Estado a que fosse construído um túnel, o que foi classificado como "uma vitória". Tanto esta comparte como Rui Fernandes recordaram as grandes lutas travadas na altura, como a manifestação silenciosa convocada para Caminha pelas juntas de freguesia, comissões de moradores e ambientalistas (que foram parar a tribunal, recordaram), ou a a colaboração de pintores concentrados na beirada do rio para angariação de fundos para custear os processos judiciais, iniciativa realizada em colaboração com a Corema, "porque o dinheiro não abundava".

22 intervenções

Josefina Covinha referiu aos presentes qual o destino dado ao dinheiro - aprovado em assembleia geral de compartes - recebido pela expropriação, tendo sido adquirido um tractor e diversa maquinaria, incluindo a instalação de um armazém para arrumos, e feitas obras nos baldios, como foi o caso da requalificação do acesso ao monte, e na freguesia, num total de 22 intervenções, incluindo a obra da Rua da Estação (30.000€) e se mais não fizeram, foi porque a pandemia paralisou muitas actividades. Mesmo assim, o saldo positivo deixado pelo actual Conselho Directivo para a actual Junta, foi de 54.000€.

Esta comparte apenas lamentou que a CEE não tivesse viablizado o Plano de Gestão Florestal (aprovado após várias assembleias) a custo zero para freguesia, tendo no entanto conseguido conhecer melhor o território e obter a desanexação da Entidade Gestora Florestal do ICNF (Instituto de Conservação da Natureza e Florestas), "evitando assim a entrega de uma determinada percentagem da venda da madeira".



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