Isto conjugado, resultou na preparação de um espectáculo encomendado pela Câmara Municipal de Caminha, contando com a colaboração da AMFF, trazendo até à sede da AMIR o próprio autor que participou nos ensaios que aí decorreram com perto de 100 coralistas, mercê de convites endereçados a diversos quadrantes da música e da cultura concelhias, como foi o caso da Aida, de Gondar, pertencente ao grupo coral da Igreja da sua freguesia e também ao Rancho Folclórico das Lavradeiras de Gondar.
Após a conclusão do espectáculo, os coralistas receberam longos aplausos da assistência, pela competência e qualidade evidenciadas, o que muito contribuíram para auxiliar a voz já algo cansada de um cantor genuíno e extremamente imaginativo e versátil que marcou a música popular portuguesa ao longo de cerca de 60 anos de carreira, que pela segunda vez actuou no concelho de Caminha. A primeira, foi nas comemorações do 25 de Abril de 1980, como as fotos da época documentam, cantando no Terreiro, em Caminha, em frente à sede do Sporting Club Caminhense.
"Não custa, quando se faz por gosto"
Esta gondarense, após ter tido conhecimento deste projecto, "pareceu-me interessante e resolvi vir", participando nos ensaios "durante um mês, duas vezes por semana, embora não tivéssemos conseguido vir a todos eles", reconheceu, assegurando ainda que "não custa, quando se faz por gosto". Tanto é assim, que "gostaria de repetir a experiência, achei interessante", confessou-nos, entusiasmada por ter participado num espectáculo "com um grande artista, não da minha altura, mas que foi um dos marcos do 25 de Abril, tendo ficado sempre ligado à nossa história, por ser um grande artista e poeta".
Tendo-lhe pedido uma opinião sobre as suas músicas preferidas às quais emprestaram o seu contributo nessa noite, apontou duas: "Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida" e "Com um brilhozinho nos olhos".
José Paulo Ribeira, professor da Academia de Música Fernandes Fão, teve como função "preparar o Coro das Velhas", o qual esteve a seu cargo e de Tânia Esteves.
Após a Câmara Municipal de Caminha ter conseguido uma candidatura para este evento, a AMFF esteve desde logo disponível para colaborar, contou-nos este músico e pedagogo, que admitiu não ter sido fácil ensaiar este conjunto alargado de coralistas que "não são profissionais", alertou, com pouca experiência nestes momentos, "além de não lerem música, mas ainda aprenderam algumas coisitas".
Este professor de música aduziu ainda que o repertório não era assim tão "acessível" como à primeira vista se poderia pensar, mas, asseverou que "o resultado foi bastante bom".
Não é a primeira vez que José Paulo Ribeira participa neste tipo de iniciativas colectivas, dizendo-nos que "podem contar comigo, sempre que houver este género de actividades" atendendo a que "para além do trabalho em si próprio, isto torna-se numa questão amorosa, porque as pessoas são muito queridas e lidar com pessoas de idade é muito gratificante".
"Espectáculo acabou hoje, mas começou há alguns meses atrás"
Uma semana depois de ter sido investido no cargo de secretário de Estado Adjunto do Primeiro Ministro, Miguel Alves marcou presença neste evento gizado ainda no tempo em que presidia à Câmara Municipal de Caminha e tinha a seu cargo o pelouro da cultura.
Declarou ao C@2000 que "não poderia deixar de estar cá neste espectáculo que acabou hoje, mas começou há alguns meses atrás", tendo em consideração uma "ideia que tivemos para apoiar os artistas locais no âmbito da cultura para todos, mas envolvendo também aquelas pessoas que são mais vulneráveis no nosso concelho, isoladas nas suas casas e retiramo-las daí para cantarem em unidade, com todas as freguesias".
Assinalou que "o projecto foi andando, as pessoas começaram a conhecer-se, abriram horizontes, juntando-se a um dos grandes nomes da música portuguesa, um grande poeta, compositor, um músico extraordinário como é o Sérgio Godinho".
"A minha avó de Moledo"
A isto acrescentou o facto de "termos uma música do Sérgio Godinho, Coro das Velhas, que fala do nosso concelho e que fala da Adozinha que era a minha avó de Moledo que tinha precisamente esse nome", razão pela qual "senti sempre esta música como uma homenagem à minha avó", embora essa Adozinha da música do Sérgio Godinho "não era a Adozinda do meu coração". No entanto, "no meu coração, no meu imaginário, esta música era sobre ela, passar no concelho de Caminha e termos a cabeça entre as orelhas, aquela racionalidade que a minha avó tinha".
Juntou a tudo isto "a oportunidade e o privilégio que tive de estar à frente da Câmara Municipal por escolha dos meus concidadãos e poder levantar um projecto como este que trouxe as mulheres e os homens da nossa terra a poderem cantar em palco com o Sérgio Godinho, envolvendo a Academia de Música Fernandes Fão, enchendo o pavilhão".
Por tudo isto, o ex-autarca, metaforicamente, referiu que naquele momento creditou que "a minha avó está no céu mas está com um brilhozinho nos olhos e isso é para mim o mais importante neste momento".
"Tive de tomar uma decisão"
Embora estivesse apenas há oito dias em Lisboa, Miguel Alves confessou-nos que "Caminha está sempre no meu coração, em toda a minha vida, em todos os meus percursos, quando eu era menos conhecido, naturalmente, mas agora também, em que sou mais conhecido aqui".
Justificou a sua ida para Lisboa, quando "tive de tomar uma decisão perante um convite que me foi feito pelo primeiro-ministro para ter um novo desafio onde me é pedido que possa ajudar o meu país e ajudando o meu país, ajudo Caminha", vincando resolutamente que "nas novas funções que tenho, há muitos problemas e projectos da região que posso alavancar, porque estou num lugar privilegiado para poder explicar melhor, com mais proximidade, o que é necessário fazer".
"Algum sofrimento pessoal"
Contudo, interiorizou que "parto com o sentido do dever cumprido, mas também com algum sofrimento pessoal, tenho cá o meu filho de quatro anos que esta Quarta-feira me disse que tinha saudades minhas. E para quem acha que isto é muito fácil e que o presidente vai atrás de uma qualquer ambição desmedida, a verdade é que eu vou atrás de um desafio de servir a Pátria, mas também de servir Caminha noutro lugar".
No entanto, parte "tranquilo", asseverou, uma vez que "temos aqui uma grande equipa, estabilizada, um presidente que é um homem bom, honesto, trabalhador, de grande proximidade e o concelho tem todas as condições para avançar em frente".
"É aqui que tenho o meu lugar"
Repisou, que "em todos os locais de Lisboa onde estiver, estarei sempre a ajudar Caminha, e sempre que puder, voltarei a Caminha, porque é aqui que tenho o meu coração".
"Não podia faltar"
No final, o C@2000 ouviu alguns dos espectadores deste concerto presenciado por mais de mil pessoas, como foi o caso do padre Rui Rodrigues, pároco em Caminha, Vilarelho, Moledo e Cristelo, dizendo-nos desde logo que "não podia faltar, pela envolvência que este espectáculo criou nas comunidades e, portanto, tinha de estar presente".
"Gostei muito", prosseguiu com as suas declarações, não hesitando em afirmar que "tem todas as condições para voltar a ser repetido", quando o interpelamos sobre essa hipótese, manifestando ainda o seu contentamento pela colaboração das pessoas do concelho, porque quando é pedida, "eles participam".
Sobre o autor, afirmou que conhecia "bastante bem" as suas músicas e que gostava delas.
Pita Guerreiro, ex-presidente da Câmara Municipal quando este cantor esteve em Caminha nos idos de 80 do século passado, aos seus 84 anos não quis deixar de aproveitar esta oportunidade para desfrutar deste espectáculo que envolveu a comunidade caminhense.
Confirmou que Sérgio Godinho já tinha estado em Caminha "quando fui presidente de Câmara" e manifestou o seu contentamento "pelo magnífico espectáculo e dou os parabéns ao coro e a todos os que tiveram o trabalho de os ensaiar, dando-nos aqui um concerto maravilhoso", levando-o a dizer-nos que "saio daqui muito contente" e "com mais força para lutar".
Juventude gostou
Beatriz Lages e Cátia Pires, duas jovens de Lanhelas e Moledo, ambas a tocar na Banda Musical Lanhelense, marcaram presença naquela noite de muita música, poesia e compromisso, dizendo-nos a primeira que "a influência da Tânia Esteves, que foi minha professora" contribuiu para a presença no Pavilhão Municipal Fernando Lima (que hoje é oficialmente consagrado com este nome, no decorrer das comemorações dos 25 Anos do Clube de Andebol de Caminha).
"Gostei" e "foi uma ideia genial", disseram Cátia Pires e Beatriz Lages, reforçando que deveria haver mais concertos como este em Caminha. Ambas já conheciam "mais ou menos o Sérgio Godinho", embora não fosse da sua geração, mas "gostamos muito do espectáculo", não hesitaram em confirmar.
"Este não é um evento qualquer"
O deputado socialista eleito pelo distrito de Viana do Castelo, Tiago Brandão Rodrigues, e ex-ministro da Educação, não faltou à chamada porque "este não é um evento qualquer e que poderia estar em qualquer grande sala do país", como tinha sucedido naquela noite em que o Pavilhão Municipal Fernando Lima se equiparou a um dos melhores recintos de espectáculos a nível nacional.
Não se cansou de enaltecer "um espectáculo tão fantástico como este com Sérgio Godinho, seus assessores e este coro fantástico com povo de todo o concelho de Caminha, de todas as freguesias e idades".
Valorizou o repertório fantástico de Sérgio Godinho que considerou ainda "em grande forma", acreditando por isso que "será uma daquelas noites para recordar", estando ciente que "quando nos encontrarmos daqui a 20 ou 30 anos, ainda falaremos desta noite memorável", contando ainda estar presente no Sábado seguinte no 35º aniversário ("número redondo") do CAC-Clube de Andebol de Caminha, prestando homenagem a quem dá o nome a este grande pavilhão, "o nosso grande mister e amigo Fernando Lima".
Aproveitamos para lhe pedir uma opinião obre a presença de Miguel Alves no Governo, respondendo sem titubear que "é uma alegria para todos os que o conhecemos, sabendo que ele terá muito a dar ao país, como deu em Caminha", acreditando ainda que "continuará a dar muito" a este concelho, porque "ele é capaz de grandes coisas", dando como exemplo a idealização deste espectáculo que sai da sua cabeça".
"Um presidente que está a pensar nas gentes de Caminha"
Para Rui Gravato Lages, novo presidente da Câmara Municipal de Caminha após a saída de Miguel Alves, disse que não tem dúvidas de que "este espectáculo foi ideia de alguém que está em Caminha, a pensar em Caminha" ao delinear um projecto das gentes do nosso território.
Vincou que foram as vozes dos caminhenses que "ecoram aqui a acompanhar um grande cantautor, artista, compositor e músico, um homem da liberdade".
Por tal motivo, definiu aquele momento "como um factor de regozijo, poder juntar estes dois vectores": "a nossa comunidade, com uma voz nacional que tanto afirmou a nossa democracia e que por muitos anos possamos ecoar as canções do Sérgio Godinho".
No entanto, segundo este autarca, será importante "repetir esta experiência fantástica", em referência à junção do coro do concelho de Caminha com artistas nacionais".
Como preferências pessoais das canções que soaram no pavilhão municipal, Rui Lages apontou o "Coro das Velhas que deu tema a este conjunto coral, porque o concelho de Caminha faz parte do seu imaginário e sensibiliza-nos a todos".