TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor
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43º. ANIVERSÁRIO DO SNS - A HORA DA VERDADE A CHEGAR!
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No passado dia 15 de Setembro, o SNS comemorou o seu 43º. Aniversário.
Sucessivamente, estes aniversários, vão demonstrando que este Serviço Nacional de Saúde, que vem envelhecendo com a Democracia Portuguesa, com todos os seus altos e baixos, é uma pérola de Portugal, onde muitos o "amam", outros tantos o defendem, mas muitos, pouco nele investem, nomeadamente os Governos do PS e do Dr. António Costa.
Por muito que entendam que o SNS é muito importante para dar respostas de cuidados de Saúde aos Cidadãos, o que é certo, é que os Governos sucessivos, principalmente os do Partido Socialista, o tem feito definhar, não investindo e fazendo-o encolher a nível de oferta de cuidados, de serviços e de recursos humanos, principalmente, Enfermeiros e Médicos.
A realidade inequívoca mostra que Portugal já inverteu a pirâmide etária da População. Temos uma população envelhecida. Como tal, implica maior necessidade e procura/oferta de cuidados de saúde, devido às comorbilidades e porque também a esperança de vida aumentou.
Neste últimos governos Socialistas já vão em 3 Ministros da Saúde. Não há um fio condutor de investimento, modernização de centros de saúde e hospitais e de fixação de profissionais, com carreiras valorizadas e remunerações atractivas. Tem-se assistido no SNS a uma "sangria" de Enfermeiros e Médicos.
Quando estes governantes falam em reorganizar o SNS, está sempre na mente deles, o encerramento de Serviços e de Unidades, criando distâncias de muitos quilómetros de resposta aos cidadãos, falhando também aqui a política de futuro, de apoio às Famílias e de fixação e desenvolvimento do interior do País. Veja-se o último estudo sobre a reorganização das maternidades e serviços de obstetrícia e blocos de partos. Situação que já se viveu com o Ministro da Saúde do PS de então - Dr. Correia de Campos - com encerramento de Maternidades. O País só empobreceu com isso!
O certo é que, enquanto os Governos do PS encerram valências e Unidades no SNS, dificultando e distanciando a resposta aos Cidadãos, estão logo os privados, com visão de lucro, a abrir nestes mesmos espaços geográficos, as valências de resposta que o sector público/SNS, encerrou. Paradoxo desta realidade, quando vemos e sentimos o Partido Socialista, seus dirigentes e o Dr. António Costa dizer que defendem o SNS e a oferta pública de cuidados de saúde às Populações, depois vemos fazer precisamente o contrário, com encerramentos de serviços públicos, em favor dos grandes grupos de Saúde Privados! Portanto, eles gostam e são amigos dos "Privados" e não do SNS!
Vem agora um novo Ministro da Saúde de seu nome Técnico, Dr. Manuel Pizarro. Com ele, embora herança da anterior Ministra, um novo serviço no SNS (Direcção Executiva), que até vai ter um CEO! Não vamos tecer críticas nem avaliações precipitadas. Podemos dizer sim, é que cada vez que o tempo passa, mais próximos estamos chegados à hora da verdade de vida ou de morte do SNS! Mas esta Direcção Executiva vem substituir a Direcção-Geral? Provavelmente não! Vem sim, criar mais um "Ministério" dentro de outro, com dirigentes bem pagos, gabinetes, viaturas de alta cilindrada, motoristas e secretárias…
Numa outra dimensão e quanto a outras questões, a ingratidão dos inquilinos da Av. João Crisóstomo - Ministério da Saúde - com os Enfermeiros é enorme! Ao fim de cada ano civil o volume de horas extraordinárias, consumidas mas não pagas, pelos Enfermeiros, para assegurar o funcionamento dos Serviços, devido à falta destes Profissionais, é enorme! Mas a realidade é que na grande parte destas horas nem sequer são pagas e muito menos compensadas. E isto é ciclo, ano após ano. Depois, apesar de raras excepções, não há gestor de Serviço e/ou Direcção de Enfermagem que se imponha a obrigar os recursos humanos da sua instituição a pagar este volume de horas, de trabalho já feito e realizado! Muito menos as ARS's e os Ministros a obrigarem-se a pagar este trabalho feito. Querem é trabalho feito a custo zero, nem que seja desta forma abusadora e ilegal. Nem sequer nas fases negociadoras de carreiras e contagem de pontos para progressão, compensam e agilizam este processo, fazendo-se de alguma forma, justiça!
Impõe-se uma pergunta simples: Que mais Classes Profissionais toleram esta usurpação de rendimentos e falta de pagamentos? A resposta é simples: NENHUMA! Assim, a conclusão também é fácil! Estamos assim, porque os Enfermeiros permitem e se sujeitam. Por isso, é que todas as outras Classes Profissionais estão bem melhores que os Enfermeiros e têm capacidade de reivindicação!
Mas também outra pergunta se impõe: Serão as exigências dos Enfermeiros que fazem cair os Ministros da Saúde? Porque já foi assim, com Adalberto Campos Fernandes e com Marta Temido. Quando as negociações estavam bem evoluídas… demite-se ou é demitido o Ministro! Estranha coincidência! Será as "Finanças" a mandar na Saúde?
Rotatividade. Workaholism. Impontualidade. ELVN.
Rotatividade. Uma outra situação anómala que se verifica numa organização tem a ver com a: "Rotatividade - define-se como a rotação ou movimentação de trabalhadores: (a) no mercado de trabalho; (b) entre empresas, lugares e ocupações; (c) entre os estados de emprego e desemprego." (Burgess, (1998); in: CUNHA, et. al., 2010:787).
É provável que, nos tempos atuais, a rotatividade, pelo menos no que respeita a mudar de emprego, não ocorra com a frequência de há quarenta anos, mas também é verdade que, os empregos para toda a vida são cada vez mais escassos, porque o mercado de trabalho exige grande flexibilidade das leis laborais, em ordem à rápida criação e extinção de empregos, por isso se julga pertinente que cada potencial trabalhador, tenha uma especialização e, simultaneamente, alguma polivalência nas áreas a montante e a jusante da sua profissão principal e/ou especializada.
Workaholism. Por incrível que possa parecer, também existem trabalhadores compulsivos, eles próprios não conseguem controlar os seus impulsos para o trabalho, sendo muitas vezes autênticos escravos da sua atividade profissional, acabando por quererem ser perfecionistas e, não o conseguindo, "carregam" uma vida laboral de sofrimento, porque nunca atingem: nem a perfeição; nem os objetivos a que se autopropõem, na medida em que estes são, quase sempre, muito elevados e rigorosos.
Este tipo de trabalhadores que se enquadram no denominado Workaholism, consideram-se, portanto, dependentes do trabalho, se se preferir, uma verdadeira sujeição, que eles assumem, voluntariamente, mesmo quando lhes é diagnosticada uma patologia em relação a este comportamento. Estes trabalhadores, também designados por "trabalhólico caracteriza-se pela dependência do trabalho, a compulsão ou a necessidade incontrolável para trabalhar de forma incessante" (Oates, (1971); in: CUNHA, et. al., 2010:790).
São várias as perspetivas do Workaholism, nomeadamente: "1. O compulsivo-dependente caracteriza-se por elevados níveis de ansiedade, stresse, problemas físicos e psíquicos. Denota níveis baixos de desempenho no trabalho e de satisfação profissional e pessoal. 2. O perfeccionista caracteriza-se por elevados níveis de stresse, problemas físicos e psíquicos, hostilidade nas relações inter-pessoais, pouca satisfação e desempenho profissional. 3. O orientado para o desempenho revela elevados níveis de saúde física e psíquica, satisfação pessoal e profissional, desempenho profissional, baixas probabilidades de rotatividade e comportamentos pró-sociais" (Scott et. al, (1997); cit. por Burke, (2000); in: CUNHA, et. al. 2010:790).
Impontualidade. Entre um vasto conjunto de disfunções que se abordam neste trabalho, uma outra se segue, muito característica da cultura portuguesa, e que é a "falta de pontualidade". Existem, inclusivamente, certas "mentes brilhantes" que até consideram ser "chique" chegar atrasado a uma reunião, a um convívio, a um encontro, mesmo que informal, de tal maneira que já há quem marque, por exemplo, um convívio para meia, ou uma hora antes, da que realmente vai ser praticada, porque assim será mais seguro que todas as pessoas convidadas estejam presentes à hora desejada por quem convoca, todavia, mesmo com esta estratégia, ainda há quem continue a abusar. Sem dúvida que, salvo razões excecionais, este comportamento revela manifesta falta de respeito e consideração, por quem igualmente foi convocado e está presente à hora marcada.
No trabalho, a falta de pontualidade não se verifica com tanto laxismo, mas ainda assim há quem seja useiro e vezeiro nesta má prática, provocando mal-estar em quem está à espera, por vezes prejuízos materiais quando se é convocado para uma entrevista de emprego e não se cumpre a hora, previamente fixada, levando ao desinteresse por um tal candidato e, ainda, outras situações relacionadas, por exemplo, com todo o sistema de transporte, que se utilizam no dia-a-dia.
É essencial ter-se uma noção de pontualidade, a qual se pode conceptualizar como sendo o: "Cumprimento dos horários nas suas múltiplas acepções. Deste modo, começar uma reunião à hora marcada, definir uma hora para terminar a reunião, e chegar a horas ao trabalho são expressões mais visíveis da definição." (CUNHA, et. al. 2010:794).
Como consequências da falta de pontualidade no trabalho, indicam-se as seguintes, entre muitas outras possíveis: "(a) as reacções negativas de empregados e clientes que esperam (e.g., irritação; menor cooperação; conflitos); (b) a imagem de negligência e desrespeito que passa para outros empregados ou para os clientes; (c) propagação e incentivo a uma cultura de impontualidade. Alguns autores fazem ainda notar que os atrasos podem ser um dos primeiros passos para outros comportamentos negativos, como o absentismo e a rotatividade." (Koslowsky, et. al. (1997); in: CUNHA, et. al. 2010:796).
ELVN. Uma outra forma de revelar disfuncionalidade, prende-se com determinados comportamentos, caracterizados no processo ELVN, cujas iniciais correspondem a: "saída", "lealdade", "voz" e "negligência". Estas condutas têm determinantes e consequências.
Com efeito:
"1. A voz é um dos pilares básicos numa sociedade democrática. A possibilidade de expressar activa e livremente a opinião sobre algo constitui um direito de qualquer cidadão e de qualquer empregado em particular. (…). A expressão da voz pode também ser canalizada através de outros meios: (a) caixas de sugestões; (b) entrevistas com directores sénior; (c) questionários de clima ou de satisfação; (d) consultas a especialistas em direito do trabalho; (e) equipas de gestão de crises em empresas - quando incluem representantes dos trabalhadores; (f) assembleias de representantes dos trabalhadores; (g) comissões de trabalhadores; (h) associações cujas actividades incluam a possibilidade de expressão de voz dos empregados; (i) queixas ou reclamações formais a entidades externas à organização.
2. A lealdade/silêncio consiste em nada fazer. Provém, provavelmente, da expectativa de que o estado de declínio se inverta. Saunders faz notar que, entre os quatro conceitos, a lealdade é um dos mais difíceis de operacionalizar.
3. A negligência tem igualmente uma panóplia de manifestações visíveis como: (a) falta de pontualidade; (b) absentismo; (c) quebra de zelo; (d) utilização do tempo da empresa para assuntos pessoais ou sociais; (e) redução do interesse e do esforço de trabalho; (f) aumento do número de erros e falhas; (g) ausência de investimento em projectos e relações. A negligência é uma das manifestações de mais difícil avaliação.
4. A saída, manifesta-se na saída efectiva da empresa, estando reflectida também em constructos como a procura de um novo emprego e as interacções de saída. A saída para outro departamento ou unidade dentro da organização é outra manifestação possível." (Saunders, (1992); in: CUNHA, et. al., 2010:799).
Bibliografia
CUNHA, Miguel Pina, et. al., (2010). Manual de Gestão de Pessoas e do Capital Humano. 2ª Edição. Lisboa: Edições Sílabo, Ldª.
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Autor: Lurdes Carreira
Edição: C@2000
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Autor: Paulo Torres Bento
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