"Este pode ser um dos melhores verões de sempre no concelho de Caminha. Do ponto de vista da atração de pessoas aos eventos, não temos dúvida que este foi um verão de recordes"
Apesar do tempo quente continuar por cá, o outono já acena e não está muito longe. O C@2000 ouviu o presidente da Câmara Municipal de Caminha sobre este Verão, cheio, quente e intenso, e a vários níveis... Miguel Alves acredita que este pode bem ter sido o melhor verão de sempre, para o concelho e para a economia. Aponta alguns eventos de casa cheia, muito cheia mesmo, e revela que houve até necessidade de recorrer pontualmente a concelhos vizinhos, dada a enchente na hotelaria. Terá até faltado mão de obra na restauração, para fazer face a tanta procura, mas o que não faltou foram eventos e vêm aí mais - o Presidente da Câmara diz apostar na atratividade durante todo o ano. Não esconde que também houve problemas, que as enchentes e a noite sempre causam, mas nega que tenham tido a dimensão que alguns quiseram dar-lhe.
O verão correspondeu ao que a Câmara estava à espera?
Apesar de não termos números oficiais totais, este pode ser um dos melhores verões de sempre no concelho de Caminha. Do ponto de vista da atração de pessoas aos eventos, não temos dúvida que este foi um verão de recordes.
Eventos como o Artbeerfest, a Feira Medieval, o Sonic Blast, a Feira do Livro Luso-Galaica ou o Festival de Vilar de Mouros, bateram todos os máximos de edições anteriores - no caso do Festival de Vilar de Mouros só consigo ter essa certeza relativamente às edições dos últimos anos, naturalmente. O mesmo se pode dizer das festas mais tradicionais, que tiveram sempre muita gente, do movimento na rua, na praia e nas esplanadas, onde foi muito evidente o número elevado de turistas e visitantes.
Terá então sido bom para a economia?
Claro, não há como negar. Na hotelaria temos que esperar pelos números do INE mas, o que sabemos, é que a ocupação hoteleira esteve sempre em números muito elevados e que na maior parte dos dias de Agosto, mal havia camas nos hotéis e alojamento local no concelho. A título de exemplo, as equipas da SIC que vieram cobrir o Festival de Vilar de Mouros tiveram que ser acomodadas em Valença e Viana do Castelo por falta de camas em Caminha.
A Câmara tem mais indicadores?
Sim, e são públicos e oficiais. Há alguns indicadores objetivos que fazem adivinhar números de excepção. Desde logo, o incremento de pagamentos e levantamentos nas caixas multibanco que, no mês de julho, no concelho de Caminha, subiram 28% relativamente ao ano anterior (que já foi muito bom, como nos lembramos). Ou o número de peregrinos de Santiago recebidos no Albergue de Caminha que foi o maior de sempre. Ou ainda o número de pessoas que visitaram o Museu Municipal até ao final do Agosto, mais do dobro dos visitantes no ano passado. Em resumo, tivemos um grande verão para a economia local que certamente vai potenciar novas visitas e mais turistas no concelho.
Mas nem tudo foram pontos positivos… há queixas!
O incremento do número de turistas no concelho de Caminha também nos cria novos problemas. Em dias que temos o triplo ou o quádruplo, surgem dificuldades com a limpeza, com a recolha do lixo ou com o estacionamento. É assim em Caminha como em todo o mundo onde o turismo cresce e se desenvolve. De todo o modo, este ano recebemos muito menos queixas do que em anos anteriores e sabemos que o registo de participações criminais sobre desacatos ou vandalismo foi praticamente nulo em Caminha. São bons sinais.
O concelho conseguiu responder à procura?
Diria, contudo, que o fator mais preocupante deste Verão foi a notória dificuldade de restaurantes e hotéis encontrarem pessoas para trabalhar. É certo que o problema não é só do sector, acontece o mesmo nas instituições de solidariedade social, na construção civil, na silvicultura, mas no turismo, o impacto foi tremendo com restaurantes a diminuírem o número de mesas e com dificuldades em manterem a qualidade do serviço.
Falta então gente para trabalhar?
Caminha tem o número mais baixo de desempregados de sempre e, por isso, temos que encontrar soluções para atrair mais pessoas. Estamos a trabalhar nisso de modo a podermos encontrar soluções para as empresas existentes e para aquelas que vão nascer, nos próximos tempos, no concelho de Caminha.
O Verão está a acabar. O que está a Câmara a fazer para dinamizar a economia?
É verdade. O Verão está a chegar ao fim, mas continuamos a trabalhar. Felizmente, a programação cultural e de eventos no concelho de Caminha não se restringe aos meses de maior calor e a estação de outono vai trazer grandes novidades. Ainda em setembro temos teatro com os grupos convidados pela Krisálida, um espetáculo de Fernando Rocha e o extraordinário Trail da Serra d'Arga.
Alguma coisa que queira destacar?
Há muitas, mas… olhe, abrimos outubro com um grande concerto de Sérgio Godinho, que se vai juntar a dezenas de vozes do nosso concelho que têm ensaiado para serem o coro protagonista do espetáculo. Até ao Natal temos artistas como Capitão Fausto ou o Space Festival de volta a Caminha, temos exposições da Bienal de Cerveira e de Serralves, temos dança contemporânea com uma produção do João Fiadeiro, temos caminhadas com os nossos vizinhos de A Guarda, temos cinema comercial e cineclubista, uma mão cheia de atividades que nos vão levar até ao Natal.