As duas corporações de Bombeiros do concelho de Caminha verão os seus apoios monetários duplicados a partir do próximo ano, anunciou Miguel Alves, presidente da Câmara de Caminha a encerrar a cerimónia oficial das Comemorações dos 127 Anos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Caminha que decorreu no passado dia 6, no Salão Nobre desta instituição caminhense.
Se, presentemente, mercê de um protocolo estabelecido entre as duas associações e o Município caminhense, cada uma recebe anualmente 1.000€/mês, equivalendo a 12.000€ fixos anuais, em 2023 esse montante será redobrado, passando cada uma a receber 24.000€, num total de 48.000€.
Além desse valor, os Bombeiros são ainda agraciados com mais algumas compensações por trabalhos complementares (cortes de árvores, por exemplo) requisitados pelo Município.
Mais duas EIP no concelho
O autarca, ao encerrar os discursos, frisou ainda que em breve irão entrar em funcionamento mais duas Equipas de Intervenção Permanente, uma em cada associação, elevando para o dobro (20) o número de profissionais existentes, equipas estas que são custeadas em partes iguais pelo Município e o Ministério da Administração Interna.
Um terceiro compromisso garantido por Miguel Alves - mas que só será avaliado no terceiro trimestre deste ano, frisou -, prende-se com os apoios destinados à aquisição dos equipamentos de protecção individual para incêndios florestais e urbanos - solicitados por Casimiro Lages, presidente da direcção, ao abrir a sessão, depois das palavras do Comandante Vítor Silva -, porque, sublinhou o líder do Executivo, "não me posso comprometer hoje" com esse desejo e necessidade patenteados pelos responsáveis pelos Bombeiros.
Nesta sua intervenção em que analisou o papel dos Bombeiros nos dias de hoje, Miguel Alves iniciou-a no seguimento das palavras de Casimiro Lages, quando este justificou a ausência neste acto de Mário Patrício, presidente da assembleia geral, devido ao falecimento na véspera do seu irmão. O presidente da edilidade lamentou igualmente o falecimento do ex-autarca e dirigiu palavras de consolo ao membro dos corpos sociais da Associação caminhense que "vive um momento de dor e consternação" pelo desaparecimento do seu familiar, tendo aproveitado para evocar "a "memória e o legado de Valdemar Patrício para com esta associação", observou.
Em simultâneo, Miguel Alves - que assume ainda o cargo de presidente da Protecção Civil distrital -, sublinhou o trabalho desenvolvido "por José Casimiro Lages e a sua equipa" na direcção da AHBVcaminha, a qual "deve ser também reconhecida".
Presente nesta cerimónia o representante da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Cruz, e Marco Domingues, Comandante Operacional Distrital, "com quem não gosto de trabalhar, porque é sinal de que há problemas (essencialmente incêndios) na região", observou com algum humor o autarca caminhense, tendo ainda elogiado "o novo pulmão" insuflado na Liga com o seu novo presidente (António Nunes), cujo desempenho anterior na ASAE foi igualmente salientado.
Miguel Alves saudou de igual modo o Comandante caminhense Vítor Silva, considerando-o "um bom amigo e com quem tenho relações muito próximas", destacando ainda o "desempenho" de todo o Corpo Activo "sem o qual nada poderíamos fazer", aproveitando para relevar "a sua dedicação e competência" quando chamados a intervir "em momentos muito complexos".
"Muitas readaptações"
Nesta sua análise à missão actual dos Bombeiros, o presidente da Câmara de Caminha, destacou a necessidade que os obrigou a "muitas readaptações" perante problemas novos, dando como exemplos a eliminação dos ninhos de vespas asiáticas, o transporte de água a comunidades do Concelho e do Alto Minho carentes deste bem precioso, culminando com o papel fundamental destes homens no transporte de doentes durante esta pandemia e nos apoios aos centros de vacinação. Face a estas novas (e indesejadas) realidades, o autarca não hesitou em prever que "dentro de anos estarão a fazer novas coisas"
Recordou igualmente "os tempos de aflição" quando surgem "picos e não podemos ir a tudo", alturas em que "as nossas fragilidades surgem", admitiu, o que o leva a sublinhar o apoio municipal concedido aos Bombeiros, nomeadamente em 2021, com 111.000€ e a colocação de um trabalhador camarário na corporação.
Apesar de reconhecer que "devemos e podemos fazer mais", Miguel Alves apelou à população para que colabore e apoie os Bombeiros, quer inscrevendo-se como sócios, quer participando nas campanhas de angariação de fundos.
Manifestou alguma tristeza pelo exemplo dado por algumas pessoas que se recusaram a pagar um euro para estacionarem as suas viaturas durante a Feira Medieval, no terrado da feira, cujo apuro revertia para os Bombeiros, preferindo andar às voltas pela vila até encontrarem um local para deixarem o seu carro.
Promoções e condecorações
No decorrer desta cerimónia, foram promovidos quatro elementos na carreira de bombeiro voluntário (passaram à categoria de Bombeiro de 1ª, Diana Serra, Amândio Fernandes e Francisco Vieira, presentes no ato) assim como foi entregue uma medalha com crachá de ouro de 35 anos de assiduidade e promoção de Sub-chefe a Chefe de João Sousa, e atribuída uma medalha de ouro por 20 anos de assiduidade a Carla Vasconcelos. Estas duas últimas distinções foram da responsabilidade da Liga de Bombeiros.
Central de Comunicações é aspiração
O local já foi escolhido e preparado há um ano, faltando agora o equipamento necessário e os retoques finais para que a nova Central de Comunicações possa entrar em funcionamento, alertou Casimiro Lages. Com a promessa de duplicação das verbas de apoio à associação por parte do presidente da Câmara, este projecto poderá ser concluído em breve, espera-se.
Tema vital para qualquer corporação de Bombeiros é o parque automóvel. Casimiro Lages manifestou vontade em substituir os veículos de Salvamento e Desencarceramento e o Carro Urbano de Combate a Incêndios por uma única viatura "actualizada e equipada à medida do avanço tecnológico", contando para tal com o apoio da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, Câmara Municipal e juntas de freguesia. Por outro lado, gostaria de constatar que "todos os bombeiros assalariados tivessem um salário igual por função idêntica.
INEM deficitário
Este dirigente que já se mantém no cargo há 17 anos, lamentou que o financiamento ao INEM não corresponda às despesas com este serviço prestado às populações, apontado como exemplo o facto de recebem 4.500€ mensais para pagar as despesas com nove funcionários quando os respectivos custos rondam os 9.000€, implicando que esta diferença represente um encargo adicional anual de 50.000€ para a associação a que preside com a sua equipa. No entanto, mostrou contentamento pelas diligências encetadas pela nova direcção da Liga que "em muito pouco tempo" conseguiu o que a anterior não tinha resolvido "em muitos anos", em referência à subida de 2.150€ para 4.500€ da comparticipação mensal do INEM, ao passo que o Ministério da Saúde aumentou o transporte de doentes urgentes de 0,51 cêntimos para 0,58, e os não urgentes de 0,51 cêntimos para 0,56 cêntimos por km. Desta forma, foi adquirida mais uma viatura para transporte de doentes "com motorização eléctrica" - o que reduzirá custos com combustíveis, a par de terem comprado 2.000€ de fardas de trabalho para os bombeiros funcionários e diverso material para equipar o carro de desencarceramento e as ambulâncias de socorro.
A gravar a situação, José Casimiro Lages recordou "os aumentos desmesurados dos preços dos combustíveis e o aumento de salários", o que transtorna ainda mais as contas destas corporações.
"Pela mesma causa e motivo, estamos aqui hoje"
O "olhar atento" do presidente da Câmara mereceu um elogio da parte de Vítor Silva, Comandante do Corpo Activo, após ter destacado mais um ano de "exigente trabalho", mesmo sem as condicionantes anteriores motivadas pelo Covid, garantindo que os Bombeiros, "quando fazem falta, estamos ao dispor dos caminhenses 24 horas por dia". Pormenorizou que "mesmo quando muitos se confinavam os nossos bombeiros por cá marcavam presença na defesa de todos os cidadãos por difícil que fosse para as suas famílias".
Por tal motivo, Vítor Silva fez questão de vincar que "é aqui e por todos vocês, bombeiros e bombeiras, que realço o meu reconhecimento e agradecimento"
Apelou à ajuda de todos, incluindo as estruturas distritais, para que haja mais equipamentos na corporação, reiterando a capacidade de combate dos seus homens e a dedicação da direcção, após o que aludiu aos apoios das populações como sucedeu recentemente em Lanhelas e Vilar de Mouros.
"Pode contar com os Bombeiros de Caminha"
Não esqueceu a "proximidade" existente com o presidente da Câmara "nos momentos de maior necessidade", nem a "disponibilidade" para atender à criação das equipas de intervenção.
Solicitou ao "amigo" representante da Liga dos Bombeiros que não esquecesse "a criação de um estatuto social do voluntariado à altura destes homens e mulheres", bem como a promoção de um "programa de reequipamento" que vá ao encontro das necessidades das EIP e veículos.
As juntas de freguesia não foram esquecidas, nem a população servida pelos Bombeiros de Caminha, assim como a direcção desta associação.
"Prosseguiremos o que a Liga faz"
A dificuldade em angariar voluntários foi um dos temas preferidos por José Alves, presidente da direcção dos Bombeiros de Paredes de Coura e em representação da Federação Distrital, presente neste acto, além da necessidade, vincou, de "querermos melhorar as corporações do Alto Minho", em colaboração com a CIMAlto Minho.
José Alves garantiu que as 12 corporações do distrito prosseguirão os caminhos delineados pela Liga dos Bombeiros Portugueses.
"Vítor é a cara e o rosto"
Ao iniciar a sua intervenção, António Cruz, em representação da Liga, anotou um pormenor relacionado com um carro de combate aos fogos existente no pequeno museu da AHBVCaminha, o qual tinha pertencido à Câmara de Caminha, antes da criação da associação, e que posteriormente viria a ser-lhe entregue (sem que o processo tivesse fácil, diga-se em abono a verdade).
Após sublinhar que o Comandante Vítor Silva "é a cara e o rosto" do corpo activo, não deixou cair em esquecimento "neste dia de festa", o "desafio" que constituiu o Covid, em que "os bombeiros estiveram na linha da frente", tal como sucede com os fogos florestais, uma situação, infelizmente, "a que já estamos habituados desde há anos".
Relativamente ao desempenho da nova direcção da Liga, avançou que "fez mais em quatro meses do que nos sete anos anteriores", mas comungou das preocupações referidas nesta sessão, nomeadamente pelo Comandante e pelo presidente da Direcção: criação do Estatuto e equipamento das EIP.
António Cruz aproveitou para recordar os acontecimentos trágicos de Pedrógão Grande, em que "um homem que nos representa" está a ser julgado, mas o Ministério da Administração Interna está "solidário" com ele, vincou, esperando apenas que o "acórdão corra bem", concluiu.
"127 anos não são 127 dias"
Este aniversário pesou no Comando Operacional Distrital (CODIS), levando o seu Comandante Marco Domingues a recordar que "127 anos não são 127 dias", de vida de uma associação "sempre disponível", em referência à corporação caminhense.
Comungando das preocupações dos oradores anteriores, destacou o "esforço de adaptação às novas tecnologias" a que os bombeiros são chamados, e admitiu dificuldades no "recrutamento" de novos voluntários, pese embora "proximamente", destacou, "80 novos Bombeiros" surgirão no distrito, logo que terminada a respectiva formação.
Referiu a importância da limpeza à volta das habitações, porque "os meios são finitos", relembrou, no qual têm um papel importante as comunidades e às quais pediu "empenhamento", face aos "incêndios muito agressivos" a que se assiste hoje em dia, obrigando "os Bombeiros a trabalhar no fio da navalha" quando acodem aos fogos florestais.
"Vamos todos e voltamos todos"
A propósito, empregou uma expressão que lhe é cara": "Vamos todos e voltamos todos! Não fica ninguém para trás!".
Considerou "muito honroso" o quadro de honra actual da AHBVC, as promoções e condecorações a que acabara de assistir, pese embora, "uma medalha é apenas uma marca, um farol!"