Com antigos e actuais remadores do Sporting Club Caminhense a fazerem guarda de honra e a acompanharem o funeral de Humberto Fernando Maia Lima, que foi a sepultar na tarde da passada Segunda-feira no cemitério de Seixas,conforme o avanço informativo enviado aos assinantes do C@2000 no Domingo, despareceu o segundo sócio deste clube de remo que contava no seu historial de dedicação a esta agremiação desportiva o maior número de presidências, tendo igualado Manuel Augusto Fernandes, fundador e primeiro presidente do clube criado a 14 de Dezembro de 1926.
O cortejo fúnebre saiu da Igreja Paroquial de Seixas, após celebração de missa de corpo presente, acompanhado por amigos e pessoas ligadas ao mundo do remo, com o presidente do Caminhense a empunhar o respectivo estandarte.
"Aparecia lá todos os dias"
Albino Gaio, ligado ao Infante D. Henrique e à parte técnica da Federação Portuguesa de Remo, na altura em que Humberto Lima era vice-presdente, foi um dos que quis dar o último adeus a um amigo com quem privou de perto na estrutura federativa, conforme o próprio nos referiu, quando foi convidado a "ficar com a selecção de juniores, quando Humberto Lima era o responsável pelo Alto Rendimento na FPR", recordando que os estágios tinham lugar na Senhora da Cabeça, em Valença, e "o senhor Lima aparecia lá todos os dias para verificar se precisávamos de alguma coisa e a dar sempre apoio como director".
Esta antigo técnico da Federação Portuguesa de Remo admitiu ao C@2000 que "na verdade, nós eramos um bocado cúmplices, porque quando algumas coisas corriam mal, ele desabafava comigo e eu com ele, mas o que me ficou mais marcado do senhor Lima, foi quando conseguimos a primeira medalha internacional para Portugal na Coupe de la Jeunesse, eu como treinador e ele como dirigente, e na altura em que o senhor Lima foi convidado a colocar a medalha ao remador que a conquistou, vieram-me as lágrimas aos olhos porque foi a primeira vez em que vimos a nossa bandeira a subir no mastro a nível internacional".
"Coisas que me marcaram"
Chevarria Fernandes, um dos antigos remadores que envergou as cores do clube verde e branco com Humberto Lima a presidi-lo, assinalou que ele tinha sido "uma das pessoas que tinha marcado o Sporting Club Caminhense", recordando muitos momentos passados com ele, "quer nas vitórias e algumas derrotas, também, e uma série de coisas que me marcaram" para sempre.
"Homem muito humano"
Um dos atletas que remou no SCCaminhense e foi seu treinador no tempo do presidente agora desaparecido, foi João Santos, tendo referido ao C@2000 que "o seu nome fez dele um grande homem que deu grande parte da sua vida ao Sporting Club Caminhense e com quem partilhei grandes momentos na minha carreira como atleta e treinador".
"Era um homem muito humano, serviçal, sempre nos apoiou e eu posso falar sobre isso porque tive de ser operado a uma hérnia discal e fui sempre acompanhado por ele nos bons e maus momentos", dando ainda como exemplo o seu apoio quando, enquanto dirigente da FPR, "nos acompanhou às Olimpíadas de Barcelona".
Humberto Lima foi ainda presidente da direcção da Casa de S. Bento e da Casa do FCPorto de Caminha aquando da sua criação.