Uma bandeira com as cores da Ucrânia abria o desfile de alunos e professores da Escola Básica de Caminha que partiram na manhã da passada Quinta-feira, desde este estabelecimento de ensino até à Praça Calouste Gulbenkian, em frente aos Paços do Concelho, gritando "Não à Guerra", ao completar-se um mês da invasão deste país pelas tropas russas.
As crianças assistem diariamente através da televisão à tentativa de aniquilação de um país e de extermínio de um povo soberano que tem resistido estoicamente à supremacia militar do exército herdeiro do social-imperialismo do país do leste da Europa.
É o drama das crianças, jovens, mulheres e idosos (levando consigo os seus animais de estimação e parcos haveres) tentando fugir de qualquer maneira da metralha russa que se abateu há quatro semanas sobre as suas povoações, lares e postos de trabalho, deixando atrás de si os homens (e mulheres) e familiares que fazem frente aos ataques indiscriminados dos invasores que já destruíram centenas de escolas como as que os miúdos portugueses desfrutam pacificamente, e nas quais começarão a ser acolhidos de braços abertos à medida que forem chegando ao nosso país.
A vereadora da Educação Liliana Ribeiro veio até junto da concentração das crianças (fazendo um coração com as mãos), agradecendo este gesto simbólico dos alunos da EB1, conversando com eles sobre uma situação totalmente incompreensível para crianças de tenra idade para quem a alegria de viver, brincar e estudar deveriam representar o motivo primordial da sua existência.
"Em amizade, em respeito pelos ucranianos" disse a vereadora perante as crianças desta escola, verberando "aqueles que não respeitam a decisão do povo", acentuando que "todos os dias devemos viver em paz", levando-a a agradecer-lhes esta acção de solidariedade com os meninos desse país.
"Honrar os ucranianos"
Rafael Valente Duarte, residente em Vila Praia de Âncora, com 10 anos e a estudar no 4º ano da escola caminhense, disse ao C@2000 que tinham participado nesta manifestação, porque "queremos honrar os ucranianos, para que todos tenhamos um mundo melhor para todos viverem".
"Fico chocado e tenho medo que isso aconteça no nosso país", reconheceu, após o que pediu "um tratado de paz entre a Ucrânia e a Rússia".
Esta escola ainda não possui alunos refugiados, mas encontra-se preparada e receptiva para os acolher.
"Tristeza"
Impressionado com o que está a acontecer a centenas de milhares de colegas das escolas ucranianas, Guilherme, natural de Caminha igualmente a frequentar o 4º ano, teme ainda que Portugal venha a ser afectado, dando como exemplo "o aumento dos preços".
"Às vezes, vejo as imagens na televisão" do horror a que se assiste nesse país, sentindo "tristeza", quando vê todas aquelas crianças a fugir, "porque não têm a sorte que as crianças portuguesas têm", admite.
Guilherme assegurou resolutamente que tanto ele como os seus colegas se encontram de braços abertos para receber colegas refugiados, caso venham a ser colocados na escola de Caminha.