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Inauguração da EBS de Caminha

"Manter o espaço exterior e criar mais conforto", arquitecto António Calvão

"Representou muito para mim, porque a minha infância foi passada aqui", Cláudio Costa, construtor

Projecto "Ubuntu"

Estão criadas as condições para que a melhoria do ensino na EBS de Caminha venha a ser incrementada, elevando a já de si relevante prestação educativa que esta escola tem vindo a revelar ao longo dos tempos, desde a da sua construção no actual espaço em 1979 (o ensino público apareceu em 1971, instalado no antigo Asilo de Crianças, actual ETAP), como o comprovam os índices de sucesso que os diversos rankings têm revelado ano após ano.

Conforme tivemos oportunidade de assinalar na edição anterior, em que já publicámos extractos das intervenções proferidas no acto oficial da inauguração da também sede do Agrupamento de Escolas do Concelho de Caminha, voltaríamos a abordar este importante melhoramento no campo do ensino que orçou os 3,5 milhões de euros, tal como se perspectiva para final deste ano outra obra importante na área da educação, com a construção da EB1 de Vila Praia de Âncora, integrando no seu conjunto a Academia de Música Fernandes Fão, cujos trabalhos que aí decorrem também foram visitados pelo ministro.

Arquitecto é professor na escola

O arquitecto António Calvão, professor nesta escola e autor do projecto, teve oportunidade de explicar a Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação, que se deslocou à sua Caminha de infância e juventude e onde ainda possui uma casa, as linhas mestras em que se inspirou para delinear esta obra em que combinam de uma forma harmoniosa as cores branca e amarela.

"Era uma vantagem que eu tinha, porque ao trabalhar aqui conhecia perfeitamente o terreno, as edificações e a topografia", explicou ao C@2000 o arquitecto e professor da EBS de Caminha, cuja intervenção projectada "foi sobre uma anterior", precisou, "que eu respeitei porque estava muito bem implantada".

"A estrutura original dos blocos manteve-se"

Utilizando a topografia do terreno, foi possível "a inclusão do novo edifício sobre o existente", insistiu, o que lhe possibilitou "ligar os blocos existentes e permitir o acesso descoberto e um novo conforto à escola", pese embora tivesse sido "um bocado difícil a nível de estrutura, porque houve muitas coisas em que eu fiz questão que a aparência do antigo ficasse", revelou, dando como exemplo "alguns pilares que tiveram de ser demolidos — como seu viu naquele filme que foi apresentado —, mas que foram repostos".

Apontou para a manutenção da estrutura original dos blocos ("a disposição das salas de aulas"), tendo sido apenas adaptado o pátio exterior que "passou a ser interior, onde funcionam agora as escadas a uma quota superior, cobrindo o edifício em todo o conjunto".

Aproveitou ainda para recordar o edifício da biblioteca ("uma peça à parte"), igualmente da sua autoria, já construído há uns anos.

Em diálogo com o construtor

Durante a execução dos trabalhos, foi obrigatória a manutenção de um diálogo com o construtor, o qual "quis fazer o melhor possível, com os melhores custos possíveis", o que obrigou a algumas "adaptações", mas conseguindo concluir a obra "sem grandes custos a mais, porque quando estamos a falar de cinco milhões, tem a ver com outros custos extra projecto", anotando que a obra em si terá ficado por quatro milhões.

Em tempos de utilização de energias renováveis, o recurso ao aquecimento da escola e das águas através de painéis solares poderia ser uma hipótese a considerar neste projecto, mas "na fase inicial não havia verbas para a sua implementação, no entanto, foi deixada uma infraestrutura para que seja possível colocar posteriormente painéis solares na cobertura — embora já existiam alguns, apenas para águas sanitárias", precisou.

"Foi uma obra desafiante"

Esta empreitada foi consignada a uma empresa (Baltor), em que um dos donos estudou nesta escola.

O caminhense Cláudio Costa (foi aluno de Maria Esteves, directora da escola) evidenciou-nos a sua satisfação por "termos cumprido o prazo" estabelecido no caderno de encargos da obra começada em finais de 2019, "o que é uma coisa muito rara", admitiu, rindo-se.

Regozijou-se com esta meta atingida, o que permitiu que "o ano lectivo começasse sem qualquer tipo de problemas". E para quem foi um dos jovens que aqui estudou, esta obra "representou muito para mim, porque a minha infância foi passada aqui", classificando ainda de "engraçado" ter tido a oportunidade de a concretizar.

O facto de se tratar de uma reabilitação, acarreta sempre algumas complicações, sublinhou, atendendo ainda ao facto desta remodelação ter sido "muito técnica, porque estamos a falar de um edifício de serviços, mas apesar dessas dificuldades, correu bastante bem".

Durante muitos dias, "chegamos a ter aqui mais de 50 pessoas a trabalhar", revelou-nos, e quando lhe perguntamos qual tinha sido a parte mais difícil de superar, indicou "a parte final porque a obra tinha uma componente de acabamentos algo complexa, com muita carpintaria, tal como a complexidade da cozinha", situação que considerou "ser normal na maioria dos projectos, em contra-relógio, e garantindo a sua qualidade".

"Trabalhar para vocês"

No decorrer da visita a este estabelecimento de ensino, o ministro da Educação teve oportunidade de assistir a algumas aulas (inglês, ensino especial, nos dois laboratórios de ciências e físico-quimica), conversar e responder aos alunos ("sem rede ou preparação", assumiu com boa disposição) e professores e, numa delas, aludiu a uma oferta sua de livros pessoais, num conjunto (colecção) de 30 volumes (1ºs tratados de química, física, pedagógico, naufrágios, etc. ) relacionados com "todas as artes do saber" que tinha feito à biblioteca desta escola — e que se encontravam expostos nessa sala —, "para que aqui ficassem "depositados ad eternum", assim justificou a entrega à EBS de Caminha, tal como tem feito em muitas outras escolas em que o seu espólio bibliográfico é distribuído, revelou.

Esta oferta foi enaltecida por Maria Esteves, uma vez que "será um excelente enriquecimento do nosso recurso bibliotecário" e cujos livros "poderão ser utilizados nas diversas áreas", reconheceu.

"O lugar dos meninos e dos jovens é na escola"

"Não há nada melhor para um ministro da Educação do que vir de Lisboa e aparecer um aluno a dizer que gosta da escola e que tem muitos amigos (e amigas, como o jovem acrescentou)", assim respondeu Tiago Rodrigues ao João, um dos alunos da turma de educação especial, garantindo-lhe que isso "me faz sair daqui com um sorriso enorme".

Projecto "Liderança Servidora"

Nesta visita a Caminha, Tiago Rodrigues deslocou-se ainda ao salão nobre dos Bombeiros Voluntários de Caminha, onde decorreu durante uma semana o projecto Ubuntu, envolvendo cerca de trinta alunos da EBS de Caminha, todos (incluindo os professores) envergando t-shirts negras com o número de prisão que tinha sido determinado pelo regime de apartheid sul-africano a Nelson Mandela, quando este vulto político e da cultura africana esteve preso durante 20 anos por pugnar pelos direitos dos seus conterrâneos e na luta contra o segregacionismo e racismo.

Rui Marques, presidente do Instituto Padre António Vieira e director das academias Ubuntu (combinação de duas palavras: Ntu, pessoa e Ubu, tornando-se), referiu ao C@2000 tratar-se de "um projecto de educação não formal, em colaboração com o Ministério da Educação e que se encontra presente em 370 escolas do país", no intuito de "capacitar jovens para uma liderança servidora, para uma ética de cuidar de si próprio, dos outros e do planeta", de modo a que no futuro, estes jovens de agora "sejam construtores de pontes num tempo muito marcado pelas crises e pelas dificuldades que estamos a viver".

Explicou ao C@2000 que se trata ainda de um projecto "muito inspirado em figuras de liderança como Nelson Mandela, Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá ou Desmond Tutu", o qual têm vindo a desenvolver há 10 anos, no qual o Município de Caminha também se encontra envolvido, razão do convite endereçado pela Câmara, coincidindo com a inauguração das novas instalações, para além de ser um dia de particular significado si.

Tinha sido precisamente a 11 de Março de 1992, que "estávamos a concluir um momento alto da missão Paz em Timor, quando o navio Lusitânia Expresso juntou estudantes de 29 países, numa altura em que Timor estava ocupado pela Indonésia e existia um genocídio em curso".

Tratou-de "um gesto pacífico dos estudantes do mundo inteiro a chamar a atenção para a ocupação de Timor Leste e pedindo a sua autodeterminação", independência que viria a ser alcançada 10 anos depois, "momento em que eu também tive a sorte de estar nesse momento".

Acentuou a importância do "empenho dos jovens em soluções mais justas para o mundo, com os desafios de cada época e em que cada ano se vai vivendo", como acontece, aliás, infelizmente, nestes dias de igual massacre, tal como sucedeu em Timor Leste há 30 anos.


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