Sandra Fernandes, vereadora com o pelouro da acção social, apresentou na reunião camarária desta semana as normas destinadas a criar um fundo de apoio a refugiados ou pessoas com título de protecção temporária, assim como isentar de pagamento de refeições escolares e de frequência de equipamentos de actividades desportivas e culturais as crianças e jovens que se acolherem no nosso concelho.
Até à passada Quarta-feira tinham sido acolhidas oito famílias (16 pessoas) ucranianas, estando previstas que chegassem mais 10 famílias (24 adultos, dos quais dois são portadores de deficiência, e três crianças) nos dias seguintes. Já existiam 24 disponibilidades de alojamento de empresas, representando 71 camas, e 48 voluntários tinham-se disponibilizado para colaborar no acolhimento, nomeadamente para prestar apoio jurídico e dar aulas de português.
Neste sentido, de modo a preparar o acolhimento desses e outros refugiados, foi delineado um plano e apoio no campo da recepção, acolhimento e integração, aprovado nesta reunião camarária.
A vereadora informou ainda que já tinham sido recebidas 41 ofertas de emprego no concelho de Caminha, junto do IEFP (Instituto de Emprego e Formação Profissional).
Segundo sugeriu a vereadora Liliana Silva, após se disponibilizar para "ajudar" e "em sintonia com a Câmara Municipal", a existência de diverso material (por inventariar, referiu) no Pavilhão Municipal e Mercado poderia ser utilizado para apetrechar as casas onde os ucranianos venham a ser acolhidos, mas Sandra Fernandes duvidou que isso fosse viável, atendendo ao tamanho desses equipamentos.
Neste "tempo excepcional" em que vivemos e dentro de um contexto humanitário com mais de três milhões de refugiados, "Portugal quer receber pessoas", disse Miguel Alves ao abordar esta temática, "até porque há muitos ucranianos no nosso país".
CIM Alto Minho em sintonia
Adiantou ainda que os 10 municípios do Alto Minho se encontram em sintonia para "fazer a ponte com quem precisa" (bem como as juntas de freguesia, acentuou), existindo uma equipa a fazer a entrega de bens no Banco Alimentar Contra a Fome, em Viana do Castelo, além dos apoios concelhios aos refugiados e suas famílias, não só aos ucranianos como aos de outras proveniências, dando como exemplo a vinda de três afegãos nos próximos dias.
A hospedagem e outras despesas complementares imprevistas e necessárias estão a ser acauteladas, acrescentou, dentro de uma "elasticidade" possível, a par de uma "agilidade" necessária face à evolução galopante do conflito, não esquecendo os voluntários que têm colaborado por diversos meios para encontrar soluções e angariar bens de primeira necessidade.
Miguel Alves destacou que a maioria dos ucranianos acolhidos no concelho são provenientes de Kiev (por já terem cá familiares há vários anos), e de outras localidades atingidas pela guerra, todas essas afectadas "e muito abaladas". O distanciamento que a dificuldade da língua coloca é uma barreira a ultrapassar futuramente, assinalou o autarca, dizendo que "há pessoas que não querem falar, e outras que o querem", tudo dependendo do grau de afectação psicológica em que se encontrem. Cada caso é um problema distinto, quer para as crianças, quer para as mães que "chegam deixando pais e maridos" que se encontram em combate, a par de haver aqueles que chegam, "mas com vontade de partir", regressar à sua terra logo que lhes for possível.
Miguel Alves deu o exemplo de cinco pessoas que manifestaram vontade de vir para Caminha, três adultos e duas crianças, em que "uma das miúdas de 17 anos morreu em teatro de guerra".
Assim, a Câmara prepara-se para um eventual cenário de longo prazo, sendo agora prioritário, albergar, cuidar, alimentar e prestar apoio psicológico e social, e, mais tarde, se a situação não evoluir num sentido mais favorável, haverá que atender à escolaridade das crianças e à empregabilidade dos progenitores.
De momento, foram avalizados 20.000€ por parte da Camara Municipal de Caminha, "para dar resposta célere às situações emergentes".