Catarina Martins, coordenadora nacional do Bloco de Esquerda, esteve no passado Sábado no Portinho de Vila Praia de Âncora, visitando esta infraestrutura portuária e ouvindo a Associação de Pescadores Profissionais e Desportivos.
Vasco Pesa e Gonçalo Sampaio, presidente e vice-presidente da associação, explicaram à deputada bloquista o processo de construção desta infraestrutura portuária e os defeitos detectados desde início, devido aos erros do projecto, atribuindo o problema a não terem auscultado as opiniões dos pescadores.
Assoreamento permanente impossibilita os pescadores de cruzarem a barra, implicando que percam muitas marés de pesca, tendo tecido críticas à forma como foi feita a última dragagem terminada no Outono, verificando-se que a areia era impelida de novo para o interior do porto, mesmo com a limpeza em curso, resultando novamente em problemas para a navegação.
Estudo em elaboração
A DGRN (Direcção-Geral de Recursos Naturais) encontra-se a elaborar um estudo que possibilite reconfigurar o Portinho e o seu molhe norte, pondo cobro às anomalias existentes. Catarina Martins prometeu interpelar o Ministério do Mar sobre este projecto, que, a ser concluído, necessitará de financiamento para a sua consecução, assunto que não deixará de ser acompanhado na Assembleia da República pelo grupo parlamentar bloquista, assegurou Catarina Martins.
O passagem da gestão das infraestruturas terrestres existentes para a posse do autarquia caminhense mereceu igualmente uma análise por parte dos representantes dos pescadores, lamentado a ineficácia da Docapesca em diversos domínios (como a delimitação dos espaços para a atracagem em terra das embarcações, a qual teve de ser feita pela própria associação) e compreendendo a relutância da Câmara Municipal em aceitar a transferência sem as necessárias contrapartidas financeiras, no que foram corroborados pela coordenadora do BE.
"Luta de mais de 10 anos"
Aliás, esta deputada fez questão de vincar que "nós temos trabalhado muito com os pescadores de Vila Praia de Âncora", reforçando a ideia de que "o porto de mar foi feito com erros de construção graves", existindo "uma luta de mais de 10 anos" para que as deficiências sejam debeladas.
Segundo disse à imprensa, em 2020, o Governo terá correspondido às insistências do BE no parlamento, tendo-se iniciado a partir daí um estudo que torne o porto seguro e a funcionar permanentemente. "O estudo está andar, finalmente", reconheceu, fazendo votos para que haja orçamento correspondente ao projecto que vier a ser delineado.
"Negligência da Docapesca"
Aludiu ainda à incapacidade da Docapesca para "fazer o seu trabalho", considerando "inaceitável" que esta estrutura "seja inactiva" perante esta dificuldade, em alusão ao óleo vertido no mar e a outros problemas ambientais, ou ao peixe que não passa pela lota.
No final, a deputada e os representantes dos pescadores dirigiram-se para a sede da associação, continuando a analisar os problemas que afectam a classe piscatória em risco de diminuir se não forem criadas melhores condições de trabalho e segurança, tendo Vasco Presa referido ainda algumas deficiências no acesso ao edifício da lota.