As aves tornearam o impedimento de nidificação colocado pela EDP no cimo de um poste, tendo começando há dias a construir o seu ninho numa outra estrutura idêntica próxima à do ano anterior, depois de não terem aparecido no início de 2022, mas regressando há dias ao sapal do Coura.
Conforme referimos em edição do ano passado, um casal de cegonhas tinha instalado um ninho no cimo de um poste de média tensão junto ao juncal do rio Coura, no qual criaram uma cria, facto que mereceu atenção especial dos alunos e professores da EBS de Caminha, designadamente da professora Rosa Duarte (moradora nas proximidades), a qual acompanhou diariamente o desenvolvimento deste ninho e a evolução da pequena ave nascida do acasalamento das duas cegonhas.
Surpreendemente, este ano, a EDP privatizada decidiu colocar umas estruturas mecânicas no topo desse poste (uma espécie de espanta-pássaros, como as apelidou a Corema), no intuito de impedir que estas aves de grande porte e raras na nossa região voltassem a utilizá-lo, sob o alegado pretexto de poderem causar cortes no fornecimento de energia, caso os paus que constituem o ninho tocassem simultaneamente em dois fios.
A Corema insurgiu-se contra esta decisão da empresa de fornecimento de energia eléctrica e enviou em meados deste mês uma carta de protesto ao responsável pela manutenção de Viana do Castelo da E-REDES, SA, porque os alunos da escola se viam impossibilitados "de manter uma aula sobre estruturas naturais e artificiais" a exemplo do ano passado.
A Corema manifestou ainda o seu descontentamento pelo sucedido junto dos responsáveis da EDP, porque "também os moradores ficaram revoltados com a aparente falta de sensibilidade da E- REDES que, ao contrário de outros lugares onde os ninhos são devidamente protegidos e conservados, enveredou por uma atitude "inimiga do ambiente" e pouco consentânea com a responsabilidade ambiental e social assumida, nos dias que correm, cada vez por mais empresas. De acrescentar que o poste em questão está situado num local que integra uma Zona de Protecção Especial de Aves, possuindo outros estatutos de protecção - IBA (Important Bird Area), por exemplo", aduziram os ambientalistas do concelho de Caminha.
Nesse sentido, a Corema pediu à E-REDES que "reconsiderasse" a sua posição e "em vez de espantar as cegonhas, as conservasse", num atitude de atrair estas espécies raras e simpáticas, "defendendo, assim, a biodiversidade da Zona Húmida do Coura".
A colocação de postes nas imediações que permitam a nidificação das cegonhas, seria uma boa medida a tomar por essa empresa de capital maioritariamente chinês, para que os alunos possam apreciar e representar graficamente através de desenho, como o fizeram no ano passado, tendo-se aproximado até perto do poste com o ninho, "sempre em silêncio para não perturbar as aves", assinalou a Corema, em acções de sensibilização ambiental a todos os títulos notável…e cada vez mais necessárias.