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Últimos actos da campanha autárquica

PSD promete baixar impostos, reverter AdAM e impedir mineração

O coligação liderada pelo PSD iniciou pelas 21H30 de Quinta-feira o seu comício inicialmente agendado para a Praça Calouste Gulbenkian, mas transferido para os Bombeiros de Caminha devido às condições climatéricas adversas, opção não tomada pelo PS que manteve e realizou idêntica acção na Praça da República, em Vila Praia de Âncora.

"Após a entrada no palco do Salão Nobre da AHBVCaminha dos cabeças de lista à Assembleia Municipal e Câmara Municipal da Coligação "O Concelho em Primeiro", constituída pela Aliança, PPM, CDS e PSD, José Covelo e Liliana Silva, deram-se início às intervenções, iniciadas por Vítor Couchinho, candidato à Junta de Freguesia de Argela e à Assembleia Municipal.

"Apresentamos propostas olhos nos olhos"

Este candidato disse que do lado dos socialistas se assistiu nesta campanha a uma "uma mão cheia de nada", ao contrário da coligação a que pertence "com propostas, com projectos e um novo rumo para o concelho de Caminha".

"Responsabilidade, competência, informação e confiança", assim decorreu a campanha da coligação "O Concelho em Primeiro", frisou o candidato, graças em especial à directora de campanha, Cristina Verde, e a Ricardo Cunha, responsável pelas redes sociais e, em particular à equipa candidata à Câmara Municipal, liderada por Liliana Silva.

"Os eleitores caminhenses vão falar, e devemos receber com respeito e humildade a voz do povo nas urnas", prosseguiu Vítor Couchinho, reputando de importante que "os políticos se sintam servidores e não se sirvam do seu povo", em liberdade e democracia.

"Nosso programa é uma mensagem de esperança"

Elogiou o manifesto apresentado, porque se distinguia dos demais, levando-o a acreditar que "só nós estamos em condições de dirigir os destinos do concelho de Caminha" e "com soluções que têm um caminho e ambição" para este território, razão que o levou assegurar que a única solução é votar nesta coligação.

"Negativismo, obscurantismo, estagnação" são as posturas da outra candidatura, concluiu Vítor Couchinho, ao passo que da parte dos seus candidatos existe "humildade, determinação e iniciativa", razão do apelo ao voto na Coligação O Concelho em Primeiro no próximo Domingo.

Definição de "linhas de gestão territorial"

Nuno Pereira, candidato à vice-presidência da Câmara Municipal de Caminha, foi o orador seguinte, dizendo ser altura de que se cumpram planos e o concelho saia do "marasmo".

Após elogiar o trabalho de Liliana Silva como vereadora da oposição nos últimos oito anos, sendo ela a única que apontou os males de que o concelho padece e os denunciou, Nuno Pereira, deu como exempo a sua postura de rejeição à possível exploração de lítio na Serra d'Arga.

Na recta final da campanha, este candidato disse ser imperioso que o eleitorado se pronuncie sobre os projectos que considere "os mais responsáveis e mais realistas para o nosso concelho".

Como geógrafo e com especialização em desenvolvimento e território, defendeu a existência de "linhas orientadoras" que definam "linhas de gestão territorial", de acordo com "as necessidades presentes e futuras" do concelho de Caminha.

Passando a uma análise mais técnica, assinalou que a revisão do Plano Director Municipal de Caminha não correspondeu às expectativas da população e "em muitos casos, sem respostas para o nosso futuro em comum".

"Um rotundo não à exploração mineira"

Na sua óptica, "o PDM está carregado de erros e incongruências", gerando "interpretações pouco claras, lesivas para a população do concelho", dando como exemplo a classificação dos solos que prejudicaram os proprietários de terrenos, "diminuindo a capacidade construtiva", e abirindo as portas a explorações do solo que não queremos em Caminha, apontando como exemplo a exploração de lítio na Serra d'Arga. Se a Área Protegida criada para a Serra d'Arga poderá estar a salvo da mineração, as demais freguesias, contudo, correm esse risco, razão pela qual "deverá haver uma posição irredutível contra a exploração mineira", em todos os concelhos, vincou.

Nuno Pereira abordou ainda o relatório de fundamentação da proposta de revisão do PDM, de Dezembro de 2016, documento baseado numa cartografia que considerou desactualizada, não tendo sido elaborado um levantamento das linhas de água existentes o que "torna inviável a aprovação de projectos", considerando ainda "imperioso" reavaliar todas as áreas agrícolas e florestais, o que afecta o urbanismo, frisou.

Apenas 30 a 35% do terrtório com capacidade construtiva

Esta candidato criticou os índices de contrução e de impermebilização de terrenos, levando a que apenas entre 30 a 50% do território caminhense tenha capacidade construtiva e de impermebialização.

Além de ser importante a segunda habitação para as próprias receitas do Município, considerou que não se deve coartar a possibilidade de os caminhenses terem direito à sua habitação a preços mais reduzidos e com um mínimo de construção de 165 m2 para qualquer terreno.

Propondo, desde logo, uma revisão do PDM, que permita ainda esclarecer algumas situações "dúbias" que atrasam muitos processos, ou geram dúvidas.

"Turismo para 12 meses no ano"

Se até há algum tempo o turismo era a base do desenvolvimento do concelho, "de há algumas semanas a esta parte", a industrialização passou a estar nas prioridades. Mas realçou ainda que o turismo deverá ser diversificado e não sazonal, a par de pretender manter os eventos e criar outros, que deveriam ter sido levados à prática antes da pandemia, de modo a atrair mais pessoas.

"Não necessitamos de mais nenhuma arena"

Precisou que a atractividade turística não passa pela criação de "um palácio, uma arena ou um pavilhão de exposições e nem isso está previsto no PDM de Caminha". Recordou, a propósito do relatório de fundamentação da proposta de revisão do PDM, de Dezembro de 2016, que este diz claramente que "o concelho supera o limiar mediano, quando feita a leitura comparativa, o número de equipamentos culturais e de lazer com os existentes em áreas urbanas com indicações populacionais semelhantes", devendo, portanto, dar uso aos equipamentos existentes.

PDM passou a prioridade

Por último, Nuno Pereira referiu que a candidata do PSD e da coligação defende o aproveitamento sustentável da área entre Argela e Vilar de Mouros para criação de uma zona industrial, "em consonância com a oferta educativa das escolas do concelho, empresas privadas e instituições".

No entanto, no PDM, a indústria não é considerada "vocação dominante no concelho", mas "em Setembro de 2021 as opiniões mudam e ficamos contentes com isso", reconheceu, em alusão à mudança de estratégia dos opositores nestes últimos tempos.

Um lanhelense com amizades no concelho

Seguiu-se a intervenção de José Covelo, candidato à presidência da Assembleia Municipal, pouco dado a discursos como o próprio reconheceu, mas sentindo-se lisonjeado com o convite formulado pela candidata à Câmara Municipal. E como se tem dedicado com empenho a todos os cargos públicos que tem exercido, prometeu igual dedicação na tentativa de eleger Liliana Silva.

Insistiu que iria tentar cumprir o programa eleitoral, e referiu as suas amizades em praticamente todas as freguesias, nomeadamente em Vila Praia de Âncora, onde posui um barco de pesca atracado há 20 anos.

"Este caminho fizemo-lo juntos"

Liliana Silva terminou as intervenções na noite de ontem, apesar de "estar rouca e cansada", admitiu, mas "a minha força não há-de parar".

Saudou a compreensão de suas filhas ao abraçar esta candidatura e todos os que colaboraram com ela na vereação ao longo desses anos e em toda campanha, bem como as equipas que se associaram.

Segundo referiu, "todos colaboraram neste projecto", não existindo primeiros, nem segundos planos, mas sim os que se integraram neste movimento, insistiu.

Referiu também que não "queremos mais perseguições - dando como exemplo Carlos Castro ou os que viram os seus processos encravados na câmara" só porque não eram da cor política dominante, ou, "como vimos por esssa estradas fora, o medo nos olhos das pessoas". Nem pretende uma "política de intrigas ou insinuações", antes desejando uma "política saudável, de elevação, onde todos contem".

Uma candidatura sem inimigos

Classificou a sua candidatura sem inimigos, sem esquecer ninguém, sem necessitar de jornais de campanha que se aproveitam do trabalho de outros.

Sobre obras, considerou a obra da marginal de Caminha como de uma "vergonha", sem atenderem ao que existia no passado, e criando um perigo para os caminhantes, além de porem em causa o futuro desta avenida. Além de classificar de ilegal a integração de veículos e trabalhadores camarários nessa obra entregue a um empreiteiro.

Pegou no processo do mercado, entregue a um arquitecto a quem pagaram 80.000€, depois de ter sido escolhido um outro projecto de alunos de uma escola de Cerveira, cujas obras decorrem vagarosamente e foram iniciadas há cerca de um mês.

Pegou igualmente na revisão do PDM, mas não se alongou em demasia, porque este tema tinha sido abordado pelo colega de candidatura, Nuno Pereira, mas sublinhou que Caminha perdeu 80 milhões de euros.

Baixar impostos e reverter AdAM

O IMI, IRS e aumento da água ("deram a nossa água", criticou) constaram igualmente do discurso de Liliana Silva, criticando estas taxas em plena crise social gerada pela pandemia para pagar assessorias de comunicação e imagem, 125.000€ para "trazer de vez em quando uns quadros", e viagens de helicóptero.

Debruçou-se bastante sobre a água e insistiu na reversão de Caminha desta empresa. Pegou no processo do lítio, para criticar as tibiezas do candidato socialista que só se posicionou de forma crítica quando as pessoas se revoltaram. Segundo ela, o candidato socialista apenas pretende "adormecer" o concelho de Caminha para este problema que se tornará grave, vincou, porque fora da Rede Natura há riscos de que sejam dadas autorizações para a mineração. Assinalou que desde "o primeiro minuto" lutou contra este projecto, e "continuarei a lutar contra ele", prometeu, apesar do actual PDM prever a exploração mineira.

A questão da recuperação da zona industrial de Vilar de Mouros/Argela foi um dos temas centrais desta campanha, levando-a a dizer que "foi descoberta a careca", ao sairem-se agora com este projecto em cima das eleições, depos de nós já a termos anunciado em Março". No entanto, sublinhou Liliana Silva, aquela zona passou a espaço florestal por terem deixado passar o prazo (três anos) previsto para a implementar, dizendo que os milhões anunciados para a sua criação nunca foram comprovados.

Dívida ultrapassa 23 milhões

Liliana Silva criticou a incapacidade dos presidentes de junta socialistas para se posicionarem contra o aumento da água e adesão à respectiva empresa, assim como contra o aumento do IMI e IRS, e adiantou que a dívida camarária actual ultrapassa os 23 milhões de euros, incluindo a das piscinas, água (três milhões), e outras.

Criticou ainda "a implementação" do SIADAP que prejudica os trabalhadores, que não têm meios nos estaleiros para sequer trabalharem, pelo que prometeu que se a sua equipa for eleita, "os trabalhadores terão as suas situações regularizadas" e os seus direitos consagrados.

Por último, Liliana Silva falou do seu programa estratégico, auxiliando as pessoas, começando por reverter a adesão à AdAM, baixar o IMI e IRS (criando o IRS faimiliar), pagar aos fornecedores "que desesperam".

Perderam-se 130 milhões de fundos comunitários

Afiançou que aproveitarão fundos da Bazuca para criar a zona industrial de Argela/Vilar de Mouros, para que não suceda o mesmo que na de Âncora, em que "se perderam 130 milhões de fundos comunitários porque não a submeteram a tempo e horas". Querem dar vida ao TeCaminha parado há oito anos, assim como apoiar a habitação social e o mercado de arrendemento acessível, conceder o descanso ao cuidador e criar acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida.

300€ para cada criança inscrita no concelho de Caminha, com base num reembolso futuro, recuperar o passeio dos idosos, criar uma marca dos produtos com origem no concelho e promovê-los, incluindo o pescado.

Melhoramento das redes viárias e criação de um piquete municipal serão outros dois propósitos da sua equipa, assim como o prolongamento da rede de saneamento a mais freguesias e melhorar a limpeza no concelho.

Querem ainda erguer uma estratégia para o desporto e cultura, "dar vida ao centro histórico de Caminha com políticas fiscais motivadoras".

Uma ligação rodoviária efectiva entre Caminha e A Guarda mantém-se no propósito desta candidata.

"Correntes de chumbo"

Por último, criticou a actual maioria por se ter agarrado ao passado (apelidou essa prática de "correntes de chumbo"), em lugar de alavancarem projectos para o futuro, para "voltar a ter esperança", porque, pormenorizou, "é a hora de erguer o concelho de Caminha e dar força à gente da nossa terra".


Fotos do último comício realizado no Cine Teatro
dos Bombeiros de Vila Praia de Âncora



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