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TRIBUNA
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Generosidade entre gerações

O mundo vive aterrorizado com a situação pandémica que está a atravessar e 2020 e que, provavelmente, milhões de pessoas entrarão em 2021, sem terem recebido qualquer apoio, orientação, medicação e quaisquer outras soluções para a situação em que vivem.

A severidade desta pandemia, provocada pelo vírus designado por COVID-19, tem colocado em alerta, responsáveis políticos das várias áreas: saúde, assistência social, economia, segurança; igualmente, especialistas nas diversas valências da medicina como médicos de medicina geral, pneumologistas, cardiologistas, infeccionistas, virologistas, intensivistas, entre outras, acompanhados por enfermeiros com diferentes especializações, técnicos radiologistas, pessoal operacional de ação direta, e que me perdoem-me os restantes colaboradores que, sinceramente, desconheço.

De norte a sul de Portugal, os hospitais estão no limite e alguns até já ultrapassaram a capacidade máxima. Diariamente, entram nestas unidades de saúde, centenas de pessoas infectadas com o COVID-19. Habitualmente, são menos os recuperados do que os contagiados, sendo igualmente verdade que nos cuidados intensivos, o número não cessa de aumentar.

A pandemia não escolhe: idades, estatutos, profissionais de alguma área específica, até porque nem o pessoal da chamada "Linha da Frente": médicos, enfermeiros, técnicos, pessoal operacional, ninguém escapa a esta "fúria" do vírus. E se as pessoas mais idosas, mais debilitadas e frágeis, sofrendo de graves patologias não "fogem" a esta pandemia; também é verdade que outras pessoas, por vezes muito mais novas, identicamente são "apanhadas" por este "inimigo" comum, invisível e letal.

Vários têm sido os responsáveis políticos pela área da saúde, mas não só, que quase diariamente asseguram de forma muito assertiva que: "ninguém fica para trás", sejam doentes COVID, sejam doentes com outras enfermidades.

Possivelmente, não será bem assim, porque: 1) As consultas com o médico de família ou de especialidade, já programadas, tiveram de ser reprogramadas para novas datas e, em algumas situações, uma terceira programação; 2) Os doentes com outros males, aguardam intervenções cirúrgicas há vários meses, apesar de já estarem programas tais cirurgias; 3) Doentes crónicos que necessitam de medicação adequada e urgente, não conseguem a consulta para lhe serem prescritos os fármacos de que carecem; 4) Entretanto, algumas centenas destas pessoas já tenham falecido em suas casas, precisamente por falta de assistência médica e medicamentosa e/ou intervenção cirúrgica; 5) Grande parte da estrutura hospitalar está direcionada para o COVID e; 6) Em conclusão, afinal, muitas pessoas, "Estão a ficar para trás".

Já se ouviu dizer, já foram divulgados pareceres de entidades responsáveis que, mais tarde ou mais cedo, se a pandemia não abrandar, terá de haver, leiam bem, uma "seleção de quem deve ou não morrer": se os mais velhos, com fracas possibilidades de sobrevivência; ou os mais novos que não sejam portadores de patologias graves e, portanto, com mais possibilidades de sobreviverem e, naturalmente, terem ainda muito para dar ao país!!! Como é possível passar pela cabeça de alguém responsável, especialista, lúcido e humanista, a implementação de tais decisões cruéis, desumanas e, quiçá, criminosas?

Nem valerá a pena invocar a Constituição da República, a Bíblia Sagrada ou quaisquer outros textos políticos e/ou veneráveis, porque em bom rigor, num país humanista, civilizado e maioritariamente crente: "Todos têm direito à Vida" e, ainda, por exemplo, um médico quando termina o seu curso, faça o juramento de Hipócrates, segundo o qual: "o médico tudo deve fazer até ao limite dos seus conhecimentos e forças, para salvar vidas, e não para matar pessoas"

Sejamos coerentes. Solidários e tenhamos compaixão dos mais necessitados, dos que já nem forças têm para se defenderem. Sejamos humanos no verdadeiro sentido humanístico. Não abandonemos à sua triste sorte, nem atiremos para a morte, aqueles que, afinal, tudo deram na vida para que esta nova insigne geração de especialistas, hoje tenha as capacidades e estatuto que possuem. Quantos pais se sacrificaram para que os seus filhos fossem "alguém" na vida: médicos, engenheiros, arquitetos, professores, enfim, o que eles quisessem. Então vamos "deixá-los para trás?". Juntos venceremos: novos e idosos.

Diamantino Bártolo


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