O Ministério Público de Viana do Castelo deduziu acusação contra a ex-presidente da Câmara Municipal de Caminha Júlia Paula e mais nove funcionários camarários ou ex-colaboradores da autarca membros dos júris de avaliação dos candidatos.
Os processos dizem respeito aos casos dos habitualmente designados "concursos prognósticos" (13) abordados pelo C@2000 a partir das eleições autárquicas de Setembro de 2009 ganhas pelos sociais-democratas, em que com invulgar precisão acertamos antecipadamente - nalgumas situações, mesmo antes de serem abertos os procedimentos concursais - nos nomes dos vencedores.
O desenrolar desta novela concursal que fomos desfiando ao longo de várias edições (como é exemplo a de 14 de Setembro de 2013, notícia intitulada Bingo 2), viria a resultar na abertura de uma inquérito judicial que deu azo à operação "Caput Mini" em 29 de Maio de 2012, em que a PJ esteve nas instalações camarárias recolhendo inúmera documentação em papel e suporte digital.
Como resultado desta operação relatada pelo C@2000, a ex-presidente de Câmara apresentara uma queixa junto da Entidade Reguladora da Comunicação Social, mas sem resultado.
Em Fevereiro de 2017, dois dos concursos foram objecto de um acórdão do Tribunal Colectivo de Viana do Castelo que absolveu Júlia Paula e dois funcionários após várias sessões do julgamento iniciado no final do ano anterior.
Contudo havia mais "concursos com prognósticos" nas mãos da Polícia Judiciária e que agora tiveram uma decisão do Ministério Público, 10 anos depois, decidindo levar a julgamento a antiga chefe do Executivo caminhense entre 2002 e 2013 e nove funcionários.
Estão em causa crimes de prevaricação em concurso aparente com abuso de poder.
Tentamos ouvir Júlia Paula sobre as acusações que pesam sobre ela, mas sem resultado, embora tudo leve a crer que, tal como optou nos outros dois processos anteriores já concluídos, volte a pedir a abertura de instrução, de modo a tentar evitar o julgamento, o que não foi conseguido na altura, registe-se.