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Lanhelas

Jovem lanhelense regressou à sua sala de aulas
para lançar livro

"Clara e a ilha do plástico"

Liliana Geraldes aprendeu as primeiras letras na Escola Básica de Lanhelas e aqui (na sua sala de aulas) fez questão de apresentar o seu livro "Clara e a ilha do plástico", ao invés de o fazer noutro local mais cosmopolita como lhe tinham proposto.

Professora de música e educação ambiental, iniciou a sua aprendizagem musical na Banda Musical Lanhelense, onde chegou a 1ª clarinete, após o que prosseguiu os estudos musicais em Viana do Castelo, seguindo-se um Erasmus em Salamanca, radicando-se definitivamente em Lisboa onde é professora de música e realiza diversas acções de sensibilização ambiental (reciclagem e compostagem) junto dos bairros sociais, em colaboração com a Câmara Municipal.Encontra-se presentemente a estudar em Barcelona.

Esta lanhelense, presidente de uma associação cultural sem fins lucrativos, compôs um musical ecológico e recebeu um prémio pelo seu trabalho, o qual constituiu "uma rampa de lançamento" para as suas actividades multifacetadas e com preocupações ambientais.

Com o nascimento da sua filha - presente na antiga sala de aulas de sua mãe - "a minha vida mudou", admitiu Liliana Geraldes perante os encarregados de educação presentes, alguns deles condiscípulos com quem partilhou estudos primários e brincadeiras, como os passeios de bicicleta até um lago onde iam tomar banho, como nos recordou seu pai, Serafim Geraldes, presente neste acto quase familiar.

O interesse pela situação do planeta preocupou-a desde esse momento, porque não o queria deixar "destruído" para sua filha.

"É chocante!"

Segundo contou, em 2017 foi com uma irmã e uma amiga até à ilha de Bali (considerada uma estância turística paradisíaca), onde tinha um familiar a viver, "mas não encontrei um paraíso", contou, "chocada" com o panorama que se lhe deparou: "muito lixo na rua", poluição dos escapes dos carros, cheiros nauseabundos e nuvens negras provenientes de queimadas a céu aberto. Decidiram ir para outras ilhas (Gili) "maravilhosas". Contudo a surpresa voltou a ser total. Como estava com os sonos trocados, devido à diferença horária entre Portugal e Indonésia, pelas cinco horas da manhã ia para a praia, mas encontrou-a cheia de plásticos que eram alvo do pasto dos chamados dragões da Indonésia, espécie protegida, que tentavam comer restos de comida e também esses produtos. No entanto, às sete horas, antes da chegada dos turistas à praia, já estava tudo "limpíssimo", porque tinham procedido à recolha do plásticos…mas o destino voltava a ser o mar (!) para onde era transportado diariamente por 20 barcos, voltando ciclicamente ao areal, ou era queimado a céu aberto noutros pontos.

"Quando regressei a Portugal pensei sobre isto", contou aos presentes. E se as suas preocupações ambientais já eram grandes, a partir de então o seu empenhamento nas acções de defesa dos ecossistemas (45% dos corais em todo o mundo já morreram desde 1985, precisou) intensificou-se.

Dedicou-se também a elucidar os habitantes dos bairros sociais da capital sobre a forma de separação do lixo doméstico e de reciclagem, o que já lhe valeu uma condecoração da Câmara Municipal de Lisboa e da Santa Casa da Misericórdia.

"Partilho com a Liliana as preocupações ambientais"

Decidiu agora escrever um livro destinado às crianças, tendo como base a sua viagem a Bali, a que deu precisamente o nome de "Clara e a ilha do plástico" e que mereceu o lançamento em Lanhelas, num regresso às suas origens, a uma escola "onde ainda se brinca na terra e há árvores no recreio", ao contrário do que sucede nas grandes cidades em que o cimento é a base do recinto das diversões das crianças nos intervalos.

Esta apresentação foi acompanhada de um vídeo de uma bióloga (Joana Portugal), doutoranda em alterações climáticas, e que "partilho com a Liliana as preocupações futuras", acentuou, porque, aduziu, "só assim, desde muito pequenino" começa a consciencialização ambiental, levando a afirmar "que o livro (que reviu) está muito bem feito", e podendo tornar-se numa "ferramenta muito útil para a escola", porque "a mudança de paradigma deve começar da base".

Esta história "auto-biográfica", além de expressar recordações da sua infância e que a levou a recordar "a Marta, uma grande amiga minha", baseia-se em "dados científicos", como assinalou também a bióloga, sendo dado como exemplo os desenhos de tartarugas que comem plástico por o confundirem com as alforrecas e acabam por morrer.

"Linha de cosméticos sem plásticos"

Esta professora de música ambiental promove oficinas de trabalho com os munícipes da capital e "estou a criar uma linha de cosméticos sem plástico (lixo zero)", porque, insistiu, "rapidamente temos de salvar o planeta", adiantando que "não podemos esperar pelos adultos, porque não vão mudar", apontando como exemplo o seu próprio pai que "não recicla", lamentou.

Liliana Geraldes tem um blogue com um vídeo e, como exemplo da participação dos artistas na campanha pela salvação do planeta, referiu um desenho da Estátua da Liberdade em plástico e que serviu de capa para o Festival de Cinema de Marselha. Também tem facebook.

Neste seu afã pela defesa dos valores ambientais, Liliana Geraldes avançou com vários dados, como o facto de haver mais mulheres ambientalistas do que homens em todo o mundo, embora Portugal não siga esta linha, encontrando-se "muito bem classificado por m2" comparativamente a outros países, sublinhou.

Em Lanhelas, veio dar um pequeno conselho aos presentes, para que cada um carregue o seu grãozinho de areia na defesa do planeta: "é melhor utilizar sabão do que gel de banho".

"Vejam o lixo à beira da ecopista"

"O plástico é um problema enorme", acrescentou a Ana Lages, da Corema, convidada a expressar a sua opinião sobre esta problemática, tendo convidado os lanhelense a constatarem a quantidade de lixo ("inúmeros microplásticos" que não de desfazem) existente junto à margem do rio Minho, por onde passa a ecovia, aos que se juntam uns filtros que poderão ser provenientes de piscinas ou ETARs, disse.

Devido à presença de plástico no rio Minho, os peixes poderão ver acumulado este produto brânquias e nos músculos adiantou esta bióloga dirigente da Corema.

Adultos chateados com Greta Thunberg

Já a terminar a apresentação, Liliana Geraldes não deixou de enfatizar o movimento que a Greta Thunberg está a suscitar em todo o mundo, "apesar de todos os adultos estarem chateados com ela".

Após ter procedido a diversas dedicatórias no seu livro, a autora referiu ao C@2000 que já tinha saído de Lanhelas há 18 anos, motivo pelo qual não possuía muitas referências individuais, mas recordava-se perfeitamente da associação ambientalista Corema, razão que a levou a convidá-la a participar nesta apresentação do livro infantil "Clara e a ilha do plástico".

Preocupações ambientais surgiram "quando me tornei mãe"

Reconfirmou que as suas preocupações ambientais surgiram "quando me tornei mãe, altura em que tive noção de que a vida muda, que fazemos muito lixo enquanto pais", dando como exemplo a sua opção pela utilização de "fraldas descartáveis (laváveis) por uma questão económica, mas quando associamos o económico ao sustentável, é ouro sobre azul".

Questionada sobre a possibilidade de ainda haver tempo para salvar o planeta, respondeu-nos sem qualquer hesitação que "tenho a certeza", desde que "a mudança seja feita agora", e como "tenho pensamentos positivos, acredito que sim".

Liliana Geraldes aponta a importância "da chegada da Greta, em que houve uma mudança, e a partir de 2020 isso vai acontecer", contando para tal com o envolvimento dos jovens, nomeadamente quando "a educação ambiental entrar nas escolas", espera, a par de no próximo ano "Lisboa ser a capital verde, e se mais cidades se associarem a isso, haverá mudança", assegura.

"Poder ajudar os jovens"

Atendendo a que é natural de Lanhelas e fez questão de vir aqui apresentar o seu livro, pretendemos saber se estaria disposta a participar em acções de carácter ambiental em Caminha. Respondeu-nos que "desde que haja convites, claro que sim", apesar de ter uma vida muito ocupada e ser "uma das blogers mais conhecidas a nível de lixo zero - o que leva a que seja convidada por muitas câmaras municipais -, além de ser aqui que gosto de estar e voltar, porque esta é a minha terra, e desta forma poder ajudar os jovens".



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