Na zona estuarina do Rio Minho, desenvolveu-se na manhã de ontem um exercício simulando um choque entre uma aeronave e o ferry-boat Stª Rita de Cássia, de modo a testar os serviços de socorro e de emergência dos dois países.
Tratou-se de uma acção preparada nos últimos cinco meses sob a orientação da Capitania do Porto de Caminha e da Comandancia Naval do Miño, de Tuy, mobilizando inúmeras instituições da protecção civil, resgate, apoio a vítimas e voluntários (alunos da EB+S de Caminha / atletas do Sporting Club Caminhense que colaboraram no papel de vítimas) desta região transfronteiriça.
"Foi um sucesso"
Pedro Costa, Comandante da Capitania do Porto de Caminha, no final do simulacro, no decorrer de um "briefing" com a imprensa a fim realizar o balanço do exercício na água, aproveitou para agradecer a todos os operacionais que colaboraram no seu planeamento, incluindo o extenso número de entidades com acção e responsabilidades nesta região transfronteiriça.
"Estamos juntos para actuarmos" com a capacidade e os meios de que dispõem, frisou este Capitão-tenente da Armada portuguesa, de modo a "potenciarmos coisas que não estão tão desenvolvidas".
Admitiu que perante situações reais, a reacção dos meios de emergência e salvamento é diferente, mas insistiu na necessidade de estarem preparados, o que facilitará a operacionalidade das diferentes entidades, "com os recursos dos dois países" e permitindo que "os operacionais se conheçam e experimentem oportunidades".
As armadas e protecção civil de ambas as regiões já iniciaram estes testes desde 1998, o que contribuiu para que tudo "decorresse em segurança e de acordo com o previsto", salientando a colaboração do Município e prometendo "mais novidades em breve".
"Detectadas lacunas"
"Não é habitual tanta cooperação, porque não há uma ponte" entre Caminha e a Guarda, como sucede com outros municípios portugueses e galegos, reconheceu o Comandante Distrital das Operações de Socorro.
Este responsável do distrito de Viana do Castelo acentuou que o exercício "decorreu muito bem, sendo detectadas lacunas (previstas) que devemos melhorar", prometendo a elaboração de um relatório final.
Mais acções no futuro
No entender do Comandante Ignacio, da Comandancia Naval de Tuy, esta operação de simulacro "foi muito bem executada",(…) "graças ao esforço de todos" a exemplo do que já tinha sucedido em outras "três situações reais no passado".
Augurou que futuramente, talvez se realize outro exercício conjunto "mais para acima" do rio Minho.
"Romper barreiras de trabalho"
"Romper barreiras de trabalho" e "evitar burocracias" que dificultem colaborações entre os dois países, foi outro dos objectivos deste simulacro, assinalou o chefe da Agência Galega de Emergência integrada nestes exercícios aquáticos em que se testaram "trocas de informações, imagens e transmissões", acrescentou.
"Assinalou ainda que "foi bom para decidir no futuro em situações reais".
Serviu assim para "melhorar" procedimentos e actuações urgentes, de modo a que "tudo corra com eficácia a bem dos utentes do barco (ferry)", no caso de necessidade.
"Oito homens do ferry foram treinados"
Miguel Alves, presidente do Município, precisou que através deste simulacro de acidente na água, "os oito homens que trabalham por turnos no ferry-boat foram treinados para uma situação de emergência". Precisou que tudo "correu muito bem, o que não quer dizer que esteja tudo bem", alertou, mas incidiu a sua intervenção no objectivo de que esta operação sincronizada possa contribuir "para salvar vidas".
O autarca caminhense destacou o "relevo" que o Executivo concedia a este exercício de "avaliação das condições" do barco e sua segurança, numa zona de recolha de água a utilizar no combate a incêndios florestais, "numa distância de 1.500 metros", situação que apenas existe em mais dois rios portugueses: Sado e Vouga.
420.000 passageiros transportados desde 2015
O momento foi aproveitado ainda para divulgar alguns dados sobre o movimento de passageiros no "Santa Rita de Cássia", que desde 2015 -após ter sido recuperado de uma morte anunciada -, transportou 420.000 utentes nos dois sentidos, sendo que 90.000 reportavam-se a 2018.