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PSD lança petição para que Assembleia da República
discuta a ligação rodoviária
entre Caminha e A Guarda

"Caminh(a)r por uma ligação rodoviária no Rio Minho que nos une"

O PSD tem em marcha uma petição pública (em papel e através da Internet, por intermédio do site da AR) para que a Assembleia da República discuta a necessidade de ser criada uma ligação rodoviária permanente entre Caminha e A Guarda, se possível ainda durante a actual legislatura.

Para tal, necessita de 4.000 assinaturas de cidadãos maiores de idade de todo o país, conforme referiram os três veadores deste partido representado na Câmara Municipal de Caminha, ao apresentarem esta iniciativa em conferência de imprensa no passado dia 11. No próximo mês de Junho, terá lugar na cidade portuguesa de A Guarda uma Cimeira Ibérica, na qual pretendem já introduzir este tema na agenda.

"Alguém tinha que o fazer"

José Presa vincou que embora o PSD tenha dado o "pontapé de saída" para que esta petição consiga despertar a classe política para esta necessidade transfronteiriça, trata-se de uma acção apartidária que deverá ser subscrita por qualquer cidadão.

Este vereador recordou que "a nossa ligação com a Galiza é histórica" e pretendem desta forma "olhar e projectar o futuro" do único concelho (da ribeira Minho) sem uma ligação rodoviária permanente, o que "causa enormes constrangimentos e gera um retrocesso e estagnação" à região, assinalou.

Recordou a vulnerabilidade do ferry-boat, devido à intermitência dos horários como resultado do assoreamento e das marés, além de se encontrar paralisado à segunda-feira para que os trabalhadores possam folgar.

Insistiu na necessidade de "dar um salto para o desenvolvimento económico do concelho de Caminha", através da criação de "uma ligação mais vasta" que atraia mais turismo e consiga "trazer oportunidades para a fixação da população e criação de mais emprego".

Sem se pronunciar sobre qual alternativa a criar (túnel ou ponte), José Presa deixou essa opção aos técnicos que estudarão qual a melhor viabilidade técnica e económica" da travessia no rio Minho.

A terminar a sua intervenção, José Presa acentuou que estavam perante "uma ambição muito antiga e que queremos colocar, de uma vez por todas, na agenda ibérica".

As duas câmaras devem estar interessadas

Os últimos passos dados por este partido com o objectivo de despertar a opinião pública para este projecto, levou a que tivessem reunido recentemente com representantes do Partido Popular de A Guarda, porque "ele não pode partir apenas da margem portuguesa", assinalou o também vereador Paulo Pereira presente nesta conferência de imprensa.

Referiu que os populares galegos concordaram com este projecto, pelo qual assumiram que irão pugnar, pretendendo despertar a consciência para ele por parte dos governos de Santiago de Compostela ("vai chegar esta semana ao Parlamanto galego", vincou) e Madrid, no qual deverão estar envolvidas as câmaras de Caminha e A Guarda.

Deu alguns dados sobre a importância de uma ligação rodoviária, frisando que na parte galega, de Tomiño para sul, há 40.000 habitantes e na parte portuguesa (Caminha e Viana do Castelo) o número atinge os 100.000.

Referiu que os próprios galegos lhe confirmaram que o número de visitantes ao Monte de Santa Trega - o ponto turístico mais relevante da Galiza - tem diminuído devido à intermitência do ferry-boat.

Tal como o tinha feito o seu companheiro, Paulo Pereira insistiu numa grande "abrangência" deste projecto para que tenha sucesso.

"Todos estamos a perder com a falta desta ligação"

Liliana Silva, vereadora e actual deputada no Parlamento português, assinalou neste encontro com a imprensa que "enquanto deputada e simultaneamente vereadora da oposição não baixará os braços pelo concelho que se encontra estagnado, ao contrário de outros".

A exemplo do seu colega de vereação, acentuou que "o emprego sazonal não chega. Há que pôr as pessoas a viver cá".

Atendendo a que a actual presidência da Concelhia do PSD tinha declarado logo na sua tomada de posse que iriam pugnar pela travessia no rio Minho, Liliana Silva assumiu que os vereadores sociais-democratas se encontram "em consonância" com os responsáveis concelhios.

A edil divulgou que solicitará na Assembleia da República que este tema seja colocado na ordem de trabalhos da próxima Cimeira Ibérica, de modo a ser possível captar fundos "disponíveis" do próximo Quadro Comunitário de Apoio Portugal 2030.

Precisou que o número de 4.000 assinaturas se prende com o que a legislação exige para tornar a discussão obrigatória na AR.

No seguimento das palavras dos seus companheiros de vereação, Liliana Silva vincou a "prioridade" a dar a este projecto, recordando que a Galiza representa o 8º maior destino turístico para Portugal e 30% das dormidas. Os milhares de turistas que cruzam o rio Minho por ferry, o incremento de peregrinos dos Caminhos de Santiago, e outros dados fornecidos por esta política local, levaram-na a afirmar que "isto não pode ser uma miragem".

Recordou ainda a necessidade de terminar "com os desiquilibrios concelhios a nível rodoviário", chamando a atenção para o facto de todos os concelhos da Ribeira Minho já possuírem uma (ou mais) travessia permanente, e que já no ano 2008 tinha sido feito um primeiro estudo para a ligação Caminha-A Guarda.

José Luís Lima defende uma túnel mas não rejeita outras hipóteses

Abordando um tema que tem levado a algumas declarações públicas, José Luís Lima, presidente da Concelhia, referiu que o antigo responsável pela JAE em Viana do Castelo, António Cruz, já tinha falado na possibilidade de ser construído um túnel sob o leito do Rio Minho, ideia também seguida por ele próprio. Assinalou que Júlia Paula, anterior presidente de Câmara, tal como Liliana Silva, falaram na hipótese de uma ponte. José Lima disse que não iriam fazer questão sobre a alternativa a escolher, nem que "se criem barreiras". "Não vamos por aí", alertou. "Não queremos que se criem barreiras", insistiu.

"Queremos que haja uma ligação", concluiu Liliana Silva, entendendo que "não podemos continuar a deixar que os turistas passem por outros concelhos e fiquem lá".



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