Embora já ninguém fale do Festival de Vilar de Mouros, o que "é bom", sublinhou Miguel Alves, presidente do Município caminhense, a encerrar a reunião descentralizada que decorreu na sede da Junta no passado dia 30 - porque significa que "tudo corre bem", completou Carlos Alves, presidente da autarquia local, as palavras do presidente do Executivo camarário -, houve algumas novidades do evento mais recente (2018) e das perspectivas para este ano de um festival ao qual "lhe foi difícil sair do cárcere" mantido durante 10 anos, admitiu ainda o primeiro autarca.
"2019 com o maior orçamento de todos"
Miguel Alves frisou que o relançamento do Festival "é um processo lento" - devido à paragem verificada em 2007 e às contrariedades dos dois primeiros anos da tentativa de reatamento em 2005 e 2006, registe-se -, mas o evento já entrou numa linha de recuperação que lhe permitiu assegurar que o deste ano terá o "maior orçamento de todos".
Será instalado um segundo palco junto à Capela de Stº Amaro, haverá mais bandas, e "para a semana", serão anunciadas "mais novidades", garantiu.
Este optimismo baseia-se ainda em dados recolhidos pelos organizadores referentes ao do ano anterior: mais de 100 meios de comunicação social e cerca de 150 jornalistas e fotógrafos que realizaram a cobertura do decano dos festivais de verão, produzindo 914 notícias em todo o mundo. Segundo as estimativas da organização, foram emitidas 14 horas em directo do Festival/18 pelos diversos canais presentes no Largo António Barge, uma publicitação, assinalou Miguel Alves, que equivaleria a um custo de 10 milhões de euros se tivessem de a pagar.
Figuras rupestres em fase de classificação
Como "novidade" em termos informativos trazida a esta sessão presenciada por alguns vilarmourenses, o presidente da Câmara revelou que há duas semanas tinha tido conhecimento do "início do processo de classificação com publicação em Diário da República", das figuras rupestres do Monte de Góios, entre Lanhelas e Vilar de Mouros. A par de ter sido informado da descoberta de mais inscrições paleolíticas em cinco locais distintos de Vilar de Mouros: Cachadinha 1, 2 e 3; Castilhão e no caminho do Ratapal, de ligação a Lanhelas.
Estas descobertas arqueológicas permitem reforçar a ideia de que estamos perante um "santuário" de arte rupestre, ainda antes de ter sido iniciada uma "exploração" sistemática desta região, reforçou Miguel Alves.
Carlos Alves pediu clarificação dos itinerários do Caminho de Santiago
Ainda em áreas de história, Carlos Alves manifestou alguma contrariedade pela exclusão de Vilar de Mouros do itinerário dos Caminhos de Santiago pela Costa, pelo que considerou "desajustado" o esquecimento que "contraria" o percurso tradicional deste trilho medieval.
Miguel Alves aconselhou Carlos Alves a contactar o presidente da Junta de Freguesia de Caminha/Vilarelho, porque ele desconhecia esses pormenores relacionados com os trajectos dos Caminhos de Santiago.
"Estamos a tentar a ecovia aos poucos"
No que Miguel Alves não tem dúvidas é na concretização da ecovia do Rio Coura, com projecto aprovado e proprietários de terrenos pelos quais se prevê que sejam atravessados já contactados. "Apenas falta o financiamento", frisou, o que tem levado a que "estejamos a coser as ecovia aos poucos", dando como exemplos os diversos troços já concluídos no litoral marítimo e ribeirinho. O autarca garantiu que a ecovia da margem do rio Coura era uma obra que "gostaria de fazer e, se não for nestes três anos será nos seguintes".
Museu do Ferreiro "não está no topo das nossas preocupações"
Após responder a este pedido de esclarecimento solicitado pelo presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Mouros, Miguel Alves, ainda acedendo a outra solicitação do mesmo autarca, admitiu que a criação do Museu do Ferreiro "não está no topo das nossas preocupações", o que o levou a mostrar-se disponível para ouvir "propostas e soluções".
O presidente do Município referiu-se ainda a um "imbróglio" com os proprietários das antigas oficinas dos ferreiros, destacando que "necessitamos de condições" a fim de prosseguir com este projecto.
Esta dificuldade da Câmara já vinha sendo sentida pela Junta de Freguesia, expressa pelas palavras de Carlos Alves na sua intervenção inicial quando pediu informações sobre o projecto e disse que o via "sem entusiasmo" quanto à sua concretização.
"Desconsolo com o ritmo das obras"
O estado da rede viária da freguesia ocupou a maior parte do tempo da reunião descentralizada.
Carlos Alves, Julieta Alves, Sónia Liz e Cândido Barros pediram informações sobre o atraso na obra do saneamento, face ao estado das ruas e caminhos, embora tenha sido pedido que este melhoramento abarque toda a freguesia, bem com foi solicitada a divulgação da data da ligação à rede dos troços já concluídos.
Julieta Alves manifestou incómodo com o "ritmo (lento) das obras", o que prolonga o estado intransitável das artérias vilarmourenses, dos acessos às habitações e provocando danos nas viaturas, embora reconhecesse o benefício para a população com a instalação desta rede.
Carlos Alves referiu-se à degradação do pavimento da estrada do Funchal e da Estrada da Ponte e pediu atenção para o piso da Cavada, recordando uma intervenção ("mal feita") há uns anos nesta última artéria.
"Sei do constrangimento do saneamento"
A primeira resposta a esta preocupação surgiu pela voz do vereador Rui Lages, responsável pelas obras públicas, a quem Miguel Alves deu a palavra.
O edil reconheceu o "constrangimento" existente devido à "lentidão" dos trabalhos, depois de ter visitado a freguesia na companhia do presidente da Junta de Freguesia.
Esclareceu que o aparecimento de muita rocha difícil de quebrar dificulta o avanço da empreitada. Deu como exemplo um ponto no qual estavam atascados há quatro semanas e "não saíam do sítio", embora nalguns troços já tivesse sido concluída a pavimentação, salientou.
Citou o caso "caótico" do Funchal, mas cujas bermas já se encontram a ser reconstituídas e o betuminoso será estendido logo que pare de chover.
Atendendo a esta dificuldade, a empresa pediu a prorrogação do prazo final da obra, o que foi concedido face às dificuldades reconhecidas e quando faltam ainda alguns quilómetros.
Apesar de "andar diariamente em cima do empreiteiro", Rui Lages não conseguiu esclarecer os vilarmourenses presentes na reunião sobre a conclusão da empreitada.
"Sei que os vilarmourenses compreendem a situação"
As explicações prestadas pelo vereador foram complementadas por Miguel Alves, vincando desde logo que estas reuniões descentralizadas são a única hipótese de "falarmos com as pessoas", perante a dificuldade em contactá-las pela imprensa afecta.
Embora sabendo que os vilarmourenses desejavam há muito este melhoramento na rede de águas, Miguel Alves aduziu que os moradores compreendiam a situação, cuja origem está na pedra encontrada. Já tinham sido colocados 6 km de rede de condutas de saneamento, faltando 2 e quatro estações elevatórias. Realçou os 800.000€ de investimento, dos quais 340.000 já tinham sido pagos. Avisado, o autarca optou por não arriscar datas, porque tudo depende também do tempo que se faça sentir.
Fibra óptica pronta em Março
Se quanto ao saneamento, o presidente do Executivo não se comprometeu com datas, já no que se refere à instalação da fibra óptica apontou para meados de Março o fim da colocação dos fios, a partir do qual será possível aos moradores negociar os contratos com a empresa comercial.
Vincou que este melhoramento só tinha sido possível com o estabelecimento de uma parceria estabelecida com a Junta de Freguesia, a qual aportou 7.000€, competindo à Câmara arcar com 30.000. A mesma situação foi gerada em Argela, atalhou, em resposta a outro pedido de informação solicitado por Julieta Alves.
Esclareceu os presentes que 70% do cabo já se encontrava colocado.
Parque infantil a instalar entre a Primavera e o Verão
A instalação de um parque infantil na única freguesia que ainda não possui este equipamento de diversão para os mais pequenos, mereceu um comentário de Julieta Alves, pelo facto de ter sido um dos projectos aprovados em Orçamento Participativo sem qualquer andamento.
Segundo revelou o autarca, teria havido uma reunião frustrada em Dezembro no local previsto para a sua colocação (junto ao CIRV), o que levou ao agendamento de nova acção no mesmo sítio, contando que entre a Primavera e o Verão, o parque infantil esteja a funcionar.
Muro à entrada de Vilar de Mouros
Um muro de protecção à circulação rodoviária à entrada de Vilar de Mouros, junto à EN301, cuja colocação foi exigida por Julieta Alves, serviu de pretexto ao presidente do Executivo para esclarecer a situação da obra de repavimentação nesta estrada nacional.
Recordou que aquando da construção da A/28, a beneficiação do piso na EN301 "ficou para trás", quando era expectável que a ligação à auto-estrada fosse melhorada.
Infelizmente, vincou, actualmente não existem verbas comunitárias destinadas às estradas, levando a que "estejamos num limbo". Assim, insistiram junto do Governo para que a obra se materializasse, o que conseguiram, sendo previsível que tivesse sido concluída até final do passado mês de Dezembro, o que não se verificou, prevendo-se agora que finde em Março. Explicou que foi possível prolongar a obra para além da rotunda de acesso à A/28 até à entrada de Vilar de Mouros, e que está previsto erguer o referido muro, mercê de negociações com o empreiteiro que acedeu aos pedidos da Câmara.
Esta reunião descentralizada permitiu ainda a Carlos Alves pedir à Câmara que pensasse em compensar a freguesia com uma viatura para o transporte de crianças.