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Sporting Club Caminhense

Homenageados remadores que há 50 anos venceram pela primeira vez Campeonato Nacional de Fundo

Numa iniciativa conjunta da Câmara Municipal de Caminha e do Sporting Club Caminhense, foram homenageados no passado Sábado os nove componentes da tripulação de Shell/8 e o seu treinador que no Dia de S. João de 1968, no Rio Douro, conquistaram pela primeira vez o título nacional de Fundo (cinco quilómetros) para o clube.

A cerimónia decorreu no Salão Nobre dos Passos do Concelho.

Havia já cinco anos que o SCCaminhense ficava em segundo lugar no Campeonato Nacional de Fundo, conquistado nas quatro edições anteriores pela CUF.

Com uma equipa renovada e muito jovem, pela qual os adversários e muita gente nada dava, a surpresa (ou nem tanto) saltou e o Caminhense impôs-se aos seus rivais, iniciando assim uma série de vitórias pelos anos fora, fazendo com que seja o clube com mais títulos de Fundo neste barco, conforme destacou João Pinto, ex-atleta e treinador, e actual adjunto do presidente da Câmara, ao apresentar esta cerimónia que emocionou os antigos atletas ou os familiares presentes em representação dos que já faleceram.

Designadamente, quando foram visionadas imagens recolhidas pela RTP dessa época, de outra prova (Shell/8 de Velocidade) em que participaram e venceram igualmente nesse mesmo ano, na Barragem de Castelo de Bode.

Em maré de homenagens, João Pinto foi desde já preparando o ambiente para o próximo ano, em que se cumprem 20 anos, quando pela primeira vez um atleta do Sporting Club Caminhense (Artur Antunes) se sagrou Campeão do Mundo, em double-scull, no Campeonato do Mundo Júnior, disputado em Plovdiv, Bulgária.

Na altura em que o Caminhense venceu o Shell/8, era presidente do clube António Soares. O treinador era José Fernando Maciel (Moca), um dos timoneiros mais carismáticos da sua época. A tripulação era composta por Paulino Carvalho, Alberto Pereira; Jorge Castro; António Pedrosa; Elias Silva; António Lourenço, José Valadares, Venâncio Silva e João Afonso, timoneiro.

Desta equipa, três remadores já faleceram (José Valadares, Paulino Carvalho e Venâncio Silva), sendo entregue a faixa de campeão aos seus filhos, visivelmente comovidos, nomeadamente ao verem imagens da prova do Campeonato de Velocidade. Registe-se que a maioria dos remadores era proveniente da classe piscatória de Caminha, o que não sucede nos dias de hoje. Infelizmente.

"Senti arrepios"

Elias Silva, o remador mais veterano da tripulação, ainda sob o efeito do choque da homenagem e da visualização da prova em que participara e ganhara, referiu ao C@2000 que "foi com muito gosto" que tinha conquistado esse titulo, porque "tinha visto as outras quatro provas em que o Caminhense entrou, na companhia do meu falecido padrinho" e numa das provas, "entraram primeiro com a ré do que com a proa", levando-o a considerar um "orgulho conquistar a primeira prova de Shell/8 para o Caminhense no Dia de S. João".

Referiu que após cortar a meta e já em terra, "chorei bastante agarrado aos falecidos Jó, Ruy Valença e João Gravato. E ao ver agora esta prova de Velocidade até senti arrepios, porque estamos a recordar 50 anos de história…".

"Foi uma surpresa agradável que tivemos aqui"

O timoneiro desta equipa de Oito foi João Afonso, outra das figuras carismáticas do remo caminhense que viveu a emoção de se sagrar campeão nacional de Fundo pela primeira vez "há 50 anos e parece que foi ontem", confessou ao C@2000 no final da homenagem e antes da fotografia de conjunto. Emoção sentida novamente neste dia em que todos foram recordados, "e até me vieram as lágrimas aos olhos", situação comum a todos estes campeões e aos seus descendentes que recolheram as faixas em sua memória mas que não quiseram comentar - por razões compreensíveis - este momento repleto de recordações e saudade.

"Vão levar uma tareia danada…"

João Afonso relatou-nos (ele que também foi repórter e comentador de remo no programa "O Remo contra a Maré", nos anos 80/90, na Rádio Regional (Jornal) Caminhense) alguns pormenores desse dia de S. João, como foi o caso do delegado do SCCaminhense nessa regata, Amílcar Barata da Costa, que ouviu dizer aos representantes do seus rivais na reunião de delegados que se realiza sempre antes das provas, que o " Caminhense veio com meninos, e mais uma vez vão levar uma tareia danada". Mas enganaram-se redondamente.

Descrevendo a prova, João Afonso recordou que "largamos, houve duas tripulações que bateram quando já vínhamos à frente um barco, obrigando a que fosse dada nova largada". Contudo, este percalço não perturbou os atletas verdes e brancos e "já próximo da Ponte da Arrábida, aos dois mil metros, já vínhamos com meia dúzia de barcos à frente e a partir daí foi sempre a esticar até à meta".

Esta prova foi "vivida intensamente" pelo timoneiro do Caminhense, como o próprio admitiu, situação comum, aliás, a tudo o que se relaciona com o seu Clube, conforme fez questão de salientar.

"Foi um ano excepcional"

Apesar do feito inédito para os anais do Sporting Club Caminhense, não houve uma recepção especial quando regressaram a Caminha. Contudo, após vencerem alguns meses depois o Nacional de Velocidade, foram recebidos em ambiente de festa, "fazendo recordar os anos dos remadores caminhenses que participaram nos Jogos Olímpicos e nos Mundiais". João Afonso recordou ainda que essa época foi fantástica, porque "ganhamos as provas de abertura, campeonatos nacionais de Fundo e Velocidade (Oito e Quatro), Taça Ibérica (contra um misto de remadores do Sevilha e dos Lavradores de Sevilha) e Luso-Galaicos, em Vigo.

Foi timoneiro até aos anos 80, após o que fez uma paragem, voltando mais tarde a dar apoio técnico aos treinadores do Clube.

João Afonso - Um verdadeiro incentivo para os jovens

Com a sua experiência e um currículo desportivo invejável, João Afonso é uma referência obrigatória para os jovens remadores que se iniciam nas primeiras remadas, nomeadamente agora em que existe um Centro de Formação de Remo a funcionar no Posto Náutico, mercê de um protocolo estabelecido entre o Agrupamento de Escolas do Concelho de Caminha, Câmara Municipal e Sporting Club Caminhense.

Aproveitando este momento, João Afonso deixou palavras de incentivo à prática da modalidade aos mais novos: "Toda a gente deve praticar Remo porque é um desporto saudável, de natureza, sendo um verdadeiro gozo e privilégio a gente ir para a água praticar" esta modalidade que diz tanto aos caminhenses.

Presidente do SCCaminhense quer posto náutico na posse do Clube

Pedro Fernandes, presidente da direcção, intervindo neste acto pouco divulgado, disse ser "importante lembrarmo-nos de todos os que estão no Clube", para avançar de seguida com uma frase que pareceu evidenciar a facilidade com que se comanda o SCC: "não é assim tão difícil gerir o clube, desde que se trabalhe em equipa".

Tendo anunciado em recente assembleia geral que contava ter na posse do clube o posto náutico ate final do ano, as coisas parece que não correram como o previsto, obrigando-o a proferir que "basta de promessas!", porque o Caminhense merece ter um posto náutico adaptado às realidades. "Precisamos de melhores condições", precisou o presidente, prometendo trabalhar afincadamente para o conseguir, pormenorizando que o ano está a acabar e a promessa ainda não se cumpriu.

Remo de Mar seduz presidente

Embora prometesse lutar pelos títulos nacionais em remo olímpico ("vamos tentar tudo por vencer este ano"), pareceu que a grande aposta vai para o Remo de Mar (em que se entra no mar com o barco de proa contra as ondas), uma modalidade sem tradições em Caminha mas que no anterior mandato autárquico começou a ter notoriedade. Pedro Fernandes anunciou que em 2020 vai realizar-se o Campeonato do Mundo em Portugal e que o Caminhense lutará por conseguir a primeira medalha nesta modalidade.

"Criaram história e responsabilidade acrescida"

A Câmara de Caminha esteve representada pelo vice-presidente Guilherme Lagido, manifestando a importância que o SCCaminhense representa para o Município, incentivando a direcção a entusiasmar novos valores.

Sobre o posto náutico, disse serem necessárias "boas ideias, sonhar com os pés na terra, criar projectos e concretizá-los", prometendo "batermo-nos por eles".

Com esses projectos concretizados, surgirão "novos êxitos que nos orgulharão", asseverou.

Taça Presidente da República a 12 de Janeiro

Este acto permitiu ainda homenagear os atletas que sagraram campeões nacionais em remo olímpico (4- vencedor há cinco anos consecutivos) ; 1X Infantil Feminino e 1X Iniciado Masculino, a par de um conjunto de primeiros lugares em ergómetro e estafetas de ergómetros. Também os treinadores João Garrido, Paulo Lima e Manuel Gomes receberam as faixas de campeões. A propósito, foi anunciado que a Taça Presidente da República terá lugar a 12 de Janeiro e Caminha acolherá o Nacional de Ergómetro uma semana depois.


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