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Caminhenses na alta-roda do Andebol espanhol

Ana e Bárbara Cerqueira, duas irmãs naturais de Caminha, de 24 e 19 anos, disputam a Liga da Divisão de Honra Feminina de Espanha.

Ana joga no Mekalia Guardés e Bárbara no Porriño, tendo-se defrontado em A Guarda no passado Sábado, em partida de rivalidade regional, no segundo jogo a contar para o calendário da divisão maior do Andebol do país vizinho.

Ambas jogaram juntas no Mekalia Atlético Guardés, mas, desde a época passada que Bárbara milita no Porriño, após uma decisão que o clube guardés reputou de "muito difícil", conforme nos confessou José Manuel Vicente, presidente da direcção desde o final do mês de Agosto - embora tenha incluído sempre o elenco directivo do Mekalia Guardés. Aliás, a sua firma - o Mekalia - patrocina há vários anos este clube.

A equipa de A Guarda vem merecendo ainda o apoio de diversas empresas, o que lhe permite lutar em todas as épocas pelo primeiro lugar, contra equipas poderosas como as de Valência, País Basco ou Canárias.

A par do suporte financeiro de diversas firmas ao clube de andebol, José Manuel Vicente atribui o sucesso desta modalidade desportiva em A Guarda, "aos seus adeptos extraordinários que enchem A Sangriña, sábado após sábado, como sucedeu hoje", enfatizou, em que têm conseguido manter o Mekalia Guardés "na categoria maior".

Além desta equipa feminina, possuem ainda os escalões de juniores, juvenis, iniciados, petizes e benjamins, equivalendo a 80 atletas em actividade, orientados por vários técnicos: Um da primeira equipa, outro que orienta os juniores e juvenis, e mais dois para as demais escolas de formação.

"Lutar sempre pelo primeiro lugar"

O presidente não hesita em assumir que "o único objectivo do Guardés é lutar sempre pelo primeiro lugar", razão de terem reforçado a equipa para esta época com uma guarda-redes espanhola internacional, de 22 anos "de projecção internacional" que jogava no Alcobenda-Madrid, sendo considerada a segunda melhor "porteira" de Espanha, a par de outra jovem, esquerdina, proveniente do Castel de Fels, Barcelona, uma pivot do Rocasa (há vários anos que este clube se classifica em segundo lugar nesta liga), estando ainda a aguardar outra pivot, francesa, e uma segunda esquerdina da Rioja, às que se juntarão ainda quatro andebolistas angolanas.

O porquê da separação das duas irmãs caminhenses

José Manuel Vicente explicou-nos porque não foi possível manter no plantel a Bárbara Rodrigues, uma defesa caminhense que durante alguns anos jogou em A Guarda, com muito sucesso. Os regulamentos espanhóis apenas permitem seis jogadoras estrangeiras em cada equipa, e o facto de existirem quatro jogadoras angolanas (subsidiadas pelo seu governo), uma portuguesa (Ana Cerqueira) e uma bielorussa, obrigou a direcção a tomar "uma decisão muito complicada". Anotou, contudo, que "se fosse possível, Bárbara estaria connosco e as portas do Mekalia estarão sempre abertas", assegurou.

O C@2000 pediu-lhe uma apreciação sobre a prestação de Ana Cerqueira, dizendo-nos que estão "contentíssimos", e que esta jogadora já não é apenas portuguesa, "é hispano-portuguesa", afiançou.

Explicando o empenhamento da sua empresa no apoio ao Clube Balonmano Guardés, disse-nos que há uns anos atrás, a então presidente pediu a sua contribuição, no tempo em que ainda disputavam a Liga de Prata.

Consumada a subida à Divisão de Honra, José Manuel Vicente foi então convidado "a dar uma mão" ao clube, ao que acedeu, estando agora, desde 25 de Agosto, na sua presidência.

Pavilhão novo: "Pergunte-lhe ao alcaide"

O C@2000 sabe que um dos principais objectivos dos atletas, adeptos e directores, é conseguir um pavilhão novo onde possam desenvolver mais a contento a sua actividade e aumentar consideravelmente o número de espectadores.

Lançou-nos um desafio: "A próxima vez que venha de Caminha fazer uma reportagem, entreviste o presidente da Câmara de A Guarda e pergunte-lhe".

Perante a capacidade reduzida da Sangriña (está inserido no complexo escolar da escola com este nome), questionamos José Manuel Vicente sobre a possibilidade de disputarem os jogos mais importantes no de Caminha.

Explicou que gostariam de realizar jogos em Caminha -"onde a única coisa que nos separa é o rio", acentuou -, e colocou-se à disposição do vereador respectivo para disputar jogos amigáveis.

Proposta idêntica vai apresentar ao vereador do pelouro de Vila Nova de Cerveira, atendendo à facilidade de comunicação entre ambas as vilas, através da Ponte da Amizade, de modo a "trazer atletas iniciadas cerveirenses para aqui".

30-20

O resultado final do jogo a que assistimos na Sangriña revelou uma superioridade do Atlético Guardés sobre o Porriño, vencendo por 30-20.

A primeira parte foi dominada totalmente pelas guardesas (16-5), assistindo-se a uma recção das visitantes no segundo tempo, acabando por marcar 15 golos, contra os 14 obtidos pelas da casa.

Ana Cerqueira jogou todo o primeiro tempo e marcou dois golos, permanecendo no banco em quase toda a segunda parte.

A sua irmão Bárbara, passou toda a primeira parte a entrar quando o Porriño defendia, saindo quando atacava. Na segunda parte, jogou quase sempre, e marcou um golo, coincidindo com a melhoria da sua equipa. Nesta fase, o Guardés diminuiu o ritmo, colocando em jogo suplentes, atendendo a que tinha o jogo controlado.

Bárbara Cerqueira Rodrigues, apesar do resultado desnivelado verificado no final dos 60', disse ao C@2000 que ele era enganador: "Defendemos muito mal na primeira parte, não fomos agressivas, - como costumamos ser - e, no segundo tempo, já houve mais equilíbrio, pelo que acho que a diferença de dez golos não dita a realidade".

Referiu que a pivot que jogou mais tempo tem mais experiência do que ela, considerando por isso normal que o técnico tivesse feito essa opção.

Ana Cerqueira Rodrigues comungou da apreciação à partida feita pela sua irmã e adversária de clube, dizendo que "aproveitamos os falhanços delas, porque não entraram tão intensas como nós, surgindo um pouco mais agressivas na segunda parte e dinâmicas mas nós já tínhamos muitos golos de vantagem e demos o jogo por acabado".

As lesões atormentaram um pouco o Guardés desde o início da época ("chegamos a ter apenas duas guarda-redes e seis jogadoras de campo")

As duas irmãs, que desde bem jovens jogaram na mesma equipa, foram confrontadas desde a época anterior com a eventualidade de terem que se defrontar.

Gostariam de voltar a jogar juntas

Bárbara reconhece que "foi mais difícil esta situação no ano passado, por ser a primeira vez e haver a pressão de jogar no campo onde sempre joguei". Admite que apesar de "continuar a ser complicado - e ainda o é mais para os meus pais -, cada uma tem de lutar pela sua equipa e, vai ser sempre assim, independentemente da equipa onde estivermos".

Ana admite ser "muito mais sentimental do que ela, que possui uma mentalidade muito mais forte e encara as coisas melhor do que eu". Reforça a opinião de que "ainda me custa, é como se fosse a primeira vez que jogasse contra ela".

Contudo, reitera que a maior dose de sofrimento recai sobre os pais ao verem as filhas a jogar uma contra a outra, nomeadamente a mãe.

A possibilidade do regresso ao Guardés não é descartada pela Bárbara - indo ao encontro das palavras do presidente do clube - mas, admite que "estou muito bem no Porriño mas, se um dia houver uma proposta, logo se verá, nunca se sabe".

A sua irmã Ana evidenciou um sorriso aberto quando colocada a hipótese de voltar a jogar com a irmã, porque, acrescentou, "faz-me muita falta como irmã e por ser uma excelente jogadora em qualquer equipa, ainda com um progressão enorme por ser muito novinha ", concluiu, embora acredite que "ela vai voar para outro lado", devido à sua qualidade.

Selecção nacional: Destinos diferentes

A presença de ambas na selecção nacional tem sido diferente, atendendo a que Ana nos confirmou que "nunca mais fui chamada", ao contrário de Bárbara que desde os 11 anos que joga regularmente na equipa portuguesa, "um objectivo que todas as desportistas querem, representar o seu país lá fora", e, quem sabe, "conquistar uma medalha por Portugal".

Nesta época, seria bom que o Porriño se classificasse nas cinco primeiros lugares, disse-nos Bárbara Rodrigues, ao passo que sua irmã treina duas vezes por dia a fim "chegar o mais longe possível" e acredita que "temos qualidade suficiente para ganhar a Liga".

Afastada há já vários anos da realidade portuguesa, Ana não possui uma perspectiva global do Andebol feminino nacional, bastante distante do "ritmo" existente no país vizinho, em que "não olham a meios para conseguir objectivos que têm de se atingir a todo o custo", afiança, o que incute "uma mentalidade muito mais forte do que em Portugal".

"Defender bem, para ganhar vantagem"

Bárbara mantém um contacto mais regular com o Andebol português, como resultado de continuar a ser seleccionada, mas, discrepa da mentalidade dominante em que se dá primazia à marcação de golos, quando, "o mais importante é a defesa", ideia predominante em Espanha logo nas camadas jovens, assinala.

Completa o seu raciocínio, dizendo que ao abdicarem da defesa, "retira-se qualidade ao jogo e ao ritmo".


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