Encheu a sede da Junta de Freguesia de Arga de Baixo (agora com as três freguesias das Argas agregadas) para debater a presença do lobo na Serra d'Arga e Monte de Santa Luzia.
Esta tarde, a Corema e a Associação de Conservação do Habitat do Lobo Ibérico organizaram um colóquio/debate com a população local, contando com a participação de diversos investigadores, Direcção Regional de Agricultura, Instituto de Conservação da Natureza e Florestas e Câmara Municipal de Caminha.
O população serrana está apreensiva com a presença do lobo a escassos metros das suas casas, durante o dia, e perante os ataques aos rebanhos.
O confronto de opiniões foi duro.

Os moradores manifestaram-se contra a presença dos lobos na sua serra ("Ponham-nos no Parlamento!", desabafou um deles), e os técnicos que vêm estudando e acompanhando esta espécie protegida e em vias de extinção, tentaram elucidar os presentes sobre as características e importância deste animal que reapareceu na Serra d'Arga fruto da dispersão verificada em alcateias da Peneda-Gerês e Soajo, disseram.
A importância da presença de cães (Castro Laboreiro, Serra da Estrela, Rafeiro do Alentejo e Cão de Gado Transmontano) junto aos rebanhos, foi uma das recomendações dadas aos possuidores de cerca de 700 ovelhas e cabras, a par de os deverem recolher de noite.
O director regional de Agricultura do Norte presente neste debate, disse conhecer bem o lobo por experiência própria, chegando a vê-los a três metros da sua casa (zona de Bragança), afirmando que nunca teve medo deles, levando um dos moradores a interrompê-lo, dizendo-lhe: "Leve-o para o seu quintal!".
Segundo referiu, bem como os técnicos presentes autores de diversos estudos sobre esta espécie sublinharam, existem formas de subsidiar a obtenção e manutenção de cães, através do novo QREN (2015-2020).
A questão das indemnizações foi outro dos assuntos aflorados na reunião - embora não com a profundidade expectável -, em que ficou patente o receio que se apoderou das gentes serranas, na sua esmagadora maioria com uma idade superior a 60 anos, como destacou o vereador caminhense Guilherme Lagido.
Um autarca serrano confidenciou-nos que, dantes, o lobo fugia ao ver o homem mas, agora, não se atemoriza, aparece nas povoações durante o dia e ataca os rebanhos presos em cercas, como já sucedeu.

Uma representante da Associação de Garranos do monte de Outeiro, Viana do Castelo, perguntou como será possível defender do lobo estes equídeos, se andam à solta no monte, dado ser impossível serem acompanhados pelos cães.
A importância do turismo de observação (no caso, dos lobos) foi apontado como uma forma de rentabilizar este espaço de montanha, mas que não convenceu muito os presentes.
Houve quem assegurasse que o lobo não é genuíno da Serra d'Arga, mas o que é facto é que Domingos Cerejeira, cronista de Dem, referiu nas suas memórias publicadas pelo C@2000, ter avistado "cinco lobos grandes" na zona da Senhora das Neves, lá pelos anos 20,30 do século passado.
Na próxima edição do C@2000 apresentaremos uma reportagem circunstanciada desta problemática existente entre os defensores do lobo ibérico e as populações que se sentem ameaçadas e prejudicadas pela sua acção predadora.