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Exposições e "Astronomia dos Lusíadas"

As comemorações iniciaram-se com a abertura de duas exposições: uma, com os trabalhos dos alunos do Agrupamento relacionados com Luciano Pereira da Silva; outra, de carácter bio-bliográfico do homenageado, resultante de uma conjugação de contributos de diversas faculdades e bibliotecas nacionais e com recurso ao espólio da própria família.

Miguel Gonçalves, presidente da Junta de Freguesia e Caminha/Vilarelho, não deixou passar em claro a iniciativa da escola, município e Centro de Formação do Vale do Minho, permitindo "elevar o nome de Caminha" e manter uma "ligação à terra" por parte dos alunos, retirando daí a própria lição que o ilustre matemático e astrónomo nos legou.

"Valorizar as personalidades da terra"

Maria Esteves, presidente da direcção da escola, usou igualmente da palavra nesta inauguração, enaltecendo este vulto da ciência e da cultura caminhense, frisando a determinado ponto que "nós trabalhamos em conjunto com a nossa comunidade".

Como da inauguração da mostra dos trabalhos dos alunos se tratava aquele momento, Maria Esteves acentuou que "a Escola trabalha os conteúdos teóricos das matérias", levando-os posteriormente "à prática".

Sobre Luciano Pereira da Silva, salientou a importância da "valorização de um intelectual brilhante, para melhor conhecer a nossa terra".

Paulo Bento, principal impulsionador destas comemorações cumpridas integralmente, de acordo com programa estabelecido, realçou a importância da organização do colóquio interdisciplinar, "o que é raro numa terra pequena", atendendo ao painel de intervenientes, levando-o a concluir que "temos que nos orgulhar com um evento desta natureza".

Realçou ainda o trabalho de fundo iniciado em 2010, "com uma pequena mostra de LPS", tendo em vista o grande momento concretizado este mês, e o próprio debate e divulgação da vida e obra do ilustre lente, que "ainda é um desconhecido por todos nós".

Considerou a homenagem "um exercício de memória", tal como sucedeu no seu centenário, e, simultaneamente, aproveitou para "reposicionar Luciano na história da ciência náutica", a área em que ele se especializou.

Exposição até 18 de Janeiro

Sobre a exposição bio-bibliográfica propriamente dita, precisou que ela decorria até 18 de Janeiro no Museu Municipal, um edifício contemporâneo de Luciano Pereira da Silva, construído em 1885, contendo "documentação inédita" e reunida pela primeira vez num único espaço.

Citou o espólio familiar "até agora totalmente desconhecido", contendo correspondência científica e fotografias inéditas, a par da documentação disponibilizada pela livraria (nome dado na época às bibliotecas) Luciano Pereira da Silva, do Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, departamento esse onde leccionou o lente caminhense, realçando ainda o conjunto de obras da autoria do homenageado (livros e separatas), só possível mercê da colaboração de diversas entidades e historiadores, citando o caso do "grande bibliógrafo de Caminha, o engº João Azevedo" e João Paulo Garrido.

No âmbito da divulgação deste programa de celebração dos 150 Anos de LPS, Paulo Bento apontou o caso de uma pessoa (Jorge Carvalho) que se apresentou no Museu, com diversos documentos inéditos e que foi possível ainda incluir nesta mostra que "merece uma visita" demorada e "com outra paz", que não a do momento da inauguração, acentuou.

"Espólio vasto"

Alguns comentários e apreciações à exposição estiveram ainda a cargo de Carlos Tenreiro, director do departamento de Matemática da Universidade de Coimbra, "cuja ajuda foi decisiva para esta exposição", admitiu P.B.

Este Departamento de Matemática fora instituído em 1772, pelo Marquês de Pombal, segundo foi divulgado na ocasião, e a livraria de Luciano Pereira da Silva foi objecto de interesse na sua aquisição logo após a sua morte, mas, acabando por ser apenas comprada em 1929, contendo um "espólio vasto", incluindo algumas edições dos Lusíadas.

Na primeira reunião da Faculdade de Ciências após o seu falecimento, houve decisão unânime na sua obtenção e montagem. O problema foi a falta de verbas, tendo sido decidido pedir ao Reitor que propusesse ao Senado a sua aquisição, face à disponibilidade da família para que esse objectivo se concretizasse.

Preço "verdadeiramente astronómico"

Joaquim Bensaúde, outro eminente cientista da época, garantiu à Faculdade que se conseguissem trazer para Coimbra o espólio bibliográfico de LPS, ele daria também o seu. Os responsáveis pela Universidade viram assim reforçada a hipótese de conseguir a verba (40 contos) do governo, uma vez que embora o preço pedido pelo de LPS fosse elevado, com a doação de Joaquim Bensaúde, acabaria por ser barato.

Apesar disso, o Governo acaba por indeferir a disponibilidade dessa verba, valendo a generosidade de Joaquim Bensaúde, ao enviar um cheque desde França, onde residia, para que o negócio se concretizasse.

Carlos Tenreiro referiu que a verba de 40 contos era considerável para a época ("verdadeiramente astronómica", frisou). Pormenorizando, disse que esse valor era superior aos orçamentos de vários anos da Biblioteca da Universidade.

Os professores João Pereira Dias e Joaquim de Carvalho foram os interlocutores da Faculdade junto da família, para que o negócio se efectivasse, o que aconteceu a 29 de Março de 1929, após o que uma camioneta se deslocou a Caminha e carregou oito caixotes com o espólio de Luciano Pereira da Silva.

"Astronomia dos Lusíadas"

Após este acto, foi apresentada a edição fac-similada de "Astronomia dos Lusíadas", a cargo de Carlota Simões, da Universidade de Coimbra, referindo que "à medida que formos mexendo na sua biblioteca e arquivo, continuamos a descobrir coisas sobre Luciano Pereira da Silva".

Esta professora deu os parabéns a Caminha pela iniciativa tomada neste aniversário.

"Agarramos o projecto"

Miguel Alves, presente da Câmara, ao encerrar estes actos, divulgou que "agarramos logo com duas mãos este projecto quando apresentado", porque, justificou: "Luciano Pereira da Silva não se limitou a ser nada em pequenino.

Elogiou a energia com que a escola se lançou nestas comemorações e a sua "mobilização".

Considerou "não ser fácil ler esta obra", mas, contudo, "ajuda a outras leituras".

Esta obra patrocinada pelo município caminhense, foi ainda justificada pelo facto de Caminha "ser um concelho de mar, estrelas e literatura".


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