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A Guarda

"Tesouros Vivos do Mar" em documentário

Caminha esteve presente e poderá seguir exemplo

O património marítimo imaterial que se transmite de geração em geração foi objecto de um trabalho documental por iniciativa do concelho de A Guarda, com o apoio da Associação Ponte nas Ondas e do Grupo de Acção Costeira de A Guarda- Vigo, resultando na realização de um filme/documentário com a duração de hora e meia.

Breves extractos deste documentário foram exibidos ontem à tarde na Casa dos Alonsos, nesta vila marinheira - sendo passado integralmente pelas 19H30 de hoje no Centro Cultural -, a par de ser prestada homenagem aos pescadores, patrões, percebeiros, redeiras, sargaceiro(a), cordoeiros, construtores de barcos, carpinteiros que contribuíram com os seus depoimentos para a concretização deste trabalho, ao "contarem-nos os seus saberes do património marítimo", reconheceu Domínguez Freitas, alcaide de A Guarda.

"É um destes dias em que nos sentimos satisfeitos"

A recuperação deste património marítimo imaterial do século XX "servirá para as gerações futuras saberem o que existia nesse século", sublinhou o presidente do município guardés.

Lamentou o património similar que se perdeu por não ter sido estampado em livro ou eternizado em filme, e acentuou a importância que a UNESCO atribui à preservação destes ofícios e saberes ancestrais, reveladores de "toda a força da ligação de A Guarda com o mar".

Freitas recordou ainda o papel da ANABAM (Associação Naturalista Baixo Miño) na recolha de inúmeros documentos, objectos e artes desta região, prometendo continuar a apostar nesta área da preservação do património.

Levantamento da cultura marítima

Este documentário que se encontra disponível na Net, projecta-se "para lá do rio Minho", sublinhou Santiago Veloso, presidente da Associação Ponte nas Ondas, a quem coube a realização e produção deste filme, pormenorizando que "desaparecem mais as pessoas do que as pedras" - como costuma referir a própria UNESCO -, daí a relevância destes trabalhos de recolha e de "preservação de saberes e conhecimentos das pessoas".

Cada um dos mais de 20 participantes nas gravações do documentário receberam um diploma a uma fotografia sua em ponto grande, como reconhecimento da sua colaboração, sendo projectado um pequeno trecho do filme relacionado com cada um deles, antes de serem agraciados.

Música tradicional e poesia a cargo do cantor galego Tino Baz e do grupo português " Da Outra Margem", de Vila do Conde, Caxinas, (com diversos intérpretes do país vizinho no seu seio), deram colorido a esta apresentação.

Caminha presente e apreciou trabalho

Estiveram presentes neste acto público o vice-presidente da Câmara de Caminha, Guilherme Lagido, e os presidentes de duas das associações de pescadores do concelho de Caminha, Vasco Presa, presidente da Associação de Pescadores de Vila Praia de Âncora, e António Felgueiras, da Associação de Pescadores para a Preservação e Defesa do Rio Minho - convidados pelo município caminhense, tal como a outra (terceira) associação que não compareceu -, facto destacado pelo alcaide galego no início da cerimónia.

Recorde-se que um dos pontos sensíveis da campanha de Miguel Alves, centrou-se no incremento do relacionamento com a Galiza, nomeadamente com A Guarda.

"Não foi tempo perdido"

Vasco Presa não deixou de anotar as semelhanças existentes com Vila Praia de Âncora, frisando que a pesca nesta vila começou precisamente com a emigração de guardeses "há dois séculos atrás" - o que ainda acontece hoje em dia, embora de sinal contrário -, pelo que enalteceu "o significado muito particular que uma iniciativa destas possui", para o futuro.

Embora num ou noutro pormenor possa haver algumas diferenças, "a origem é a mesma, é a mesma identidade galaica, fronteiriça, não há qualquer dúvida, que está por detrás de todo este evento, e não apenas a de A Guarda."

Vasco Presa não escondeu que se o município de Caminha apostar num documentário semelhante, disporá de "tanto material" como o que foi recolhido na parte galega.

Este pescador ancorense não hesitou em dizer que a sua deslocação a A Guarda a convite do município "não foi tempo perdido…nem coisa que se assemelhe!".

"Valorizar o passado"

Idêntica posição foi assumida pelo outro pescador. O seixense António Felgueiras considerou "interessante valorizar estas coisas, porque a malta mais jovem desconhece estas realidades dos homens do mar e o envolvimento das suas mulheres na actividade da pesca", levando-o a defender a realização de iniciativas semelhantes no lado português.

Após ser recordada uma aposta idêntica levada a cabo há alguns anos pela Junta de Lanhelas e Corema, António Felgueiras enfatizou a importância de ser promovida uma acção similar no rio Minho, "valorizando o passado" das gentes do rio e do mar, porque, justificou, "as pessoas mais idosas estão a desaparecer e, depois, não temos conhecimento do que acontecia antigamente".

"Bom exemplo"

Guilherme Lagido, vice-presidente da Câmara de Caminha, apreciou "imenso" este trabalho, elogiando "a forma exemplar de recuperar as nossas tradições e, no fundo, guardar o nosso património imaterial".

Sublinhou a importância da actividade económica, mas, ressalvou, a cultural não o é menos, ao abordar "este bom exemplo que aqui viemos recolher".

Este vereador não duvida que "coisas semelhantes podem ser feitas em Caminha", sendo essa a "nossa intenção, em pegarmos coisas que temos, potenciando-as, guardando-as e deixando aos vindouros aquilo que é a nossa cultura".

Não deixou passar em claro a similitude de situações com as de Caminha e Vila Praia de Âncora, incluindo os "termos", dando como exemplo a forma idêntica como se referem ao "argaço".


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