Jornal Digital Regional
Nº 603: 29 Set a 5 Out 12
(Semanal - Sábados)






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Melhores dias, quando ?

Ainda ontem estava arrimado,
A pensar em dias de melhor futuro,
Mas divagando neste horizonte nublado,
Fiquei aterrado e sem uma onça de auguro.

O escuro perdomina todas as minhas visões,
Nenhum projeto me iça no tempo da melhora,
Tudo é rasteiro, ofegante, rodeado de desilusões,
Não consigo içar-me a sônhos de uma nova aurora.

Portanto o sol marca, na alva manhã, a presença irradiante,
Com reflexos luminosos, acariciantes e aconchegadores,
Mas tudo se revela obstruido no decorrer da vida ofegante,
Aonde não encontramos marcos, nem esquemas animadores.

Quando caminho pelas ruas da vida em sociedade,
A procura de um trabalho assalariado, de um naco de pão,
Encontro palavras com magoa que falam de impossibilidade,
Do facto de haver braços livres, mas alheios ao labôr e a produção.

O desemprego mantêm sua subida por rectilinea pista,
Rumo a valôres monumentais, outrora jamais igualados,
So na republica do desdém e da perseguição salazarista,
Se viveu sem vintém, comendo fiado e de tudo desfalcados.

Tempos idos, um passado de volta, que inunda a maioria,
Cheirando a bolsos vazios, pés descalços e sapatos rôtos,
Courelas cultivadas, obras edificadas, por força de sangria,
Aos quais sobrevivemos malamente e com muitos desgostos.

Antonio R. Vasconcelos