Jornal Digital Regional
Nº 603: 29 Set a 5 Out 12
(Semanal - Sábados)






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JÚLIA PAULA FOI À FESTA CARIOCA E QUER EMPRESAS CAMINHENSES A EXPORTAR PARA O BRASIL

Foto CMCaminha

Júlia Paula quebrou um tabu e… lançou outro. Em dia de Assembleia Municipal e antecipando eventuais perguntas, o Gabinete de Comunicação emitiu um comunicado dando conta da assinatura de um acordo com a Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro. Júlia Paula foi à festa dos 101 anos daquele organismo, onde Portugal esteve representado por Miguel Relvas, e até assinou um acordo que visa levar as empresas caminhenses a exportar para o Brasil. Saber quais são as empresas interessadas neste "negócio", mas sobretudo quais as que têm capacidade exportadora para o Brasil, promete ser um novo "tabu".

Na Assembleia Municipal, o líder da bancada socialista, Fernando Lima, qualificou de "folhetim" o caso aberto com o pagamento pela câmara de Caminha das viagens e estadia de uma comitiva brasileira, com o pretexto de participar e internacionalizar a Feira Medieval e até de vir a haver uma telenovela com a presença de Caminha.

No executivo, o vereador Paulo Pereira respondeu a perguntas dos vereadores da oposição, formuladas quase duas semanas antes. Surgiam as primeiras explicações, de que o C@2000 deu notícia.

Na opinião pública, multiplicavam-se entretanto as interrogações, adensadas pelas suspeitas de que Júlia Paula, ausente da câmara, estaria no Brasil e insinuando que, deste imbróglio carioca, nasceria "qualquer coisa" para justificar a deslocação e toda a história que estava para trás. Havia mesmo quem avançasse que a presidente da câmara de Caminha, que esteve fora do município pelo menos duas semanas, se teria deslocado ao Rio de Janeiro, para participar na festa dos 101 anos da Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro, que promoveu um jantar de comemoração no Jockey Club Brasileiro, na Gávea, onde também esteve o ministro Miguel Relvas.

Câmara responde com acordo

Foto CMCaminha

Sexta-feira, Júlia Paula respondeu à polémica com a revelação da assinatura de um acordo entre a Câmara Municipal de Caminha e a Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro, que não foi anunciado antes e de cuja existência foi guardado "segredo" até agora.

O acordo - diz a nota de imprensa - tem em vista a "cooperação para promover a internacionalização das empresas de Caminha no mercado brasileiro e divulgar as potencialidades turísticas do concelho. O acordo vai ainda incentivar a fixação e implantação de empresas brasileiras em Caminha".

A câmara também promete apoiar este fluxo entre o concelho e o Brasil. Refere que Paulo Elísio de Souza, o presidente do organismo carioca, até enalteceu a parceria com a Câmara Municipal de Caminha no discurso comemorativo do 101º aniversário da Câmara Comércio.

Entretanto, citamos a nota, "Júlia Paula Costa salientou a importância deste protocolo no 'fomento das exportações das empresas sediadas em Caminha para o Brasil e para a divulgação das potencialidades turísticas do concelho'".

Em relação à telenovela - e recorde-se que dois dos três convidados trazidos a Caminha seriam ligados a esta área, a acreditar no vereador Paulo Pereira, a nota nada diz.

Zona industrial na gaveta?

A ideia de que Caminha poderia ter empresas com capacidade para exportar para o Brasil traz à colação a prometida zona industrial entre Vilar de Mouros e Argela, a que Júlia Paula se referiu por diversas vezes nos últimos anos.

A intenção foi anunciada com mais ênfase em época de campanha eleitoral, sendo a própria Júlia Paula a prometer instalar uma zona industrial no limite das freguesias de Vilar de Mouros e Argela, o que provocou até críticas da Corema, por se tratar da várzea do rio Coura: "num dos lugares de maior qualidade paisagística e ecológica do concelho e da região? Não será isto aniquilar qualquer possibilidade de desenvolvimento de Caminha ao pretender destruir os seus principais valores naturais e o seu capital ambiental?" - interrogaram os ambientalistas.

Certo é que já lá vão alguns anos, a promessa repete-se de vez em quando mas a zona industrial não avança. As condições para atrair investidores também não parecem as melhores no concelho. A derrama para o próximo ano acaba de ser fixada no máximo, 1,5%, em contra corrente em relação à esmagadora maioria dos municípios do distrito de Viana do Castelo. Arcos de Valdevez, Melgaço, Monção e Ponte de Lima não lançam qualquer derrama, enquanto Paredes de Coura, Ponte da Barca, Valença e Vila Nova de Cerveira optam por taxas reduzidas ou isenções para empresas com volumes de negócios mais baixos.

Festa noticiada nas revistas sociais

A comemoração dos 101 anos da Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro foi largamente noticiada, sobretudo nas revistas de sociedade. A festa foi apresentada pelo actor Ricardo Pereira e serviu também para agraciar diversas pessoas, como o actor Joaquim de Almeida (personalidade do ano Portugal-Brasil), a dramaturga portuguesa radicada no Brasil Maria Adelaide Amaral (personalidade do ano Brasil-Portugal) e ainda os empresários José Maria Ricciardi, que recebeu o título de empresário do ano de Portugal, e Otávio Azevedo, distinguido como empresário do ano do Brasil.

O evento contou com a presença do ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares Miguel Relvas, numa altura em que em Portugal o Governo se defrontava com uma crise na coligação e não só. A longa estadia no Brasil e as intervenções do ministro a partir do Rio de Janeiro foram bastante criticadas, inclusive por figuras do próprio PSD.

Esta pode ter sido uma das últimas grandes viagens do polémico ministro, cuja contestação mais acesa começou precisamente no dia em que esteve em Caminha (na inauguração do hotel "Design Hotel", em que também marcou lugar o presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro) com acusações de perseguição a uma jornalista. Hoje mesmo, a imprensa dá como certa uma remodelação, a acontecer ainda este ano, e Miguel Relvas não deverá escapar.