Jornal Digital Regional
Nº 590: 2/8 Jun 12
(Semanal - Sábados)






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Encarregado e bilheteiro depuseram no julgamento do desvio de dinheiro do ferry

Um pequeno atraso deu de imediato azo a advertência

Desvio de 17.600€ ao longo de quatro meses

Um funcionário da bilheteira do ferry-boat de Caminha, António Gonçalves, chamado a depor como testemunha no caso do desvio de 17.681€ do apuro diário de um dos turnos durante quatro meses (Agosto-Dezembro/08), referiu que na única vez que se atrasou na entrega do dinheiro correspondente a um dia de receita do seu serviço, foi de imediato chamado a atenção pelos serviços de contabilidade.

Esta declaração contrasta com o sucedido no caso em apreciação pelo Tribunal de Caminha, em que durante quatro meses deixaram de ser entregues os valores referentes ao turno de uma funcionária constituída arguida juntamente com uma amiga, sem que tivesse sido posto cobro a tal situação.

António Gonçalves referiria que, algumas vezes, na impossibilidade de ele próprio fazer entrega pessoal do dinheiro nos serviços de contabilidade, preenchia as guias e assinava-as, sendo sua mãe quem levava os documentos respectivos e a receita para os serviços camarários, sem que nunca tivesse havido qualquer falta de verba, frisou.

Contudo, deste julgamento que ainda decorre no tribunal, continua a ser intrigante que tivessem demorado tanto tempo a serem tomadas medidas, enquanto que no caso do bilheteiro, logo que se atrasou uma única vez (um dia), foi de imediato advertido.

Recorde-se que as declarações das duas arguidas revelaram-se contraditórias, e as das testemunhas adensam o "mistério" que rodeia este caso.

Nesta última sessão, o encarregado do ferry-boat, Paulo Marinho, confirmou que mensalmente efectuava um relatório do total do apuro da bilheteira e que entregava na contabilidade camarária, serviço este que teria a obrigação de o avisar na eventualidade de se registarem faltas de depósitos, do qual nunca fora avisado no decurso desse período, assegurou.

Acrescentou que ao dirigir-se em Novembro a um funcionário por se atrasar numa entrega, este lhe dissera que havia situações muito piores, levando-o a dirigir-se à contabilidade e inteirando-se então do que se passava, pela chefe destes serviços. Perante isso, elaborou um relatório do dinheiro em falta, após ter interpelado a funcionária em causa, a qual se mostrara "incrédula". Paulo Marinho adiantou não saber quem entregava o dinheiro desse turno, embora fosse do seu conhecimento que a amiga da bilheteira, Etelvina Morte, era presença assídua nas instalações camarárias. Segundo referiu, apenas voltou a falar com a funcionária em Dezembro, quando foi suspensa.

Paulo Marinho, a perguntas dos advogados, admitiu ter sido esta uma "situação anormal", mas não podia dar explicações para o sucedido

Contudo, nesta multiplicidade de datas em que o julgamento tem decorrido, também o funcionário do ferry disse que falara com Paulo Marinho, mas em Dezembro e não em Novembro como este referira, sobre os rumores existentes e logo de seguida a funcionária da bilheteira fora substituída por ele próprio no turno respectivo, enquanto que não se encontrava quem ocupasse o cargo da trabalhadora entretanto suspensa.

O julgamento prosseguirá com a audição da presidente Júlia Paula, testemunha de Susana Esteves, após não ter sido convocada para a sessão que decorreu na manhã do passado dia 29 de Maio, seguindo-se as alegações finais.