Como tinha sido anunciado, teve lugar ao princípio da tarde (12H15) da passada Quinta-feira, um encontro seguido de debate (excepto para a imprensa) no auditório do Museu Municipal, sobre o projecto de instalação de um parque eólico no mar, entre Viana do Castelo/Caminha/Póvoa de Varzim, com uma área de cerca de 660 km2.
José Carlos Simão, director nacional da Direcção-Geral dos Recursos Naturais (DGRN), despachou num quarto de hora o que tinha a dizer aos presentes (pescadores de Caminha e Viana do Castelo, presidente da Camara deste concelho, Comandante da Capitania de Caminha, políticos locais, ambientalistas e algumas pessoas que aí compareceram e que puderam presenciar o debate que se seguiu).
Apontou como nota dominante neste processo que se tornou conturbado ao não serem auscultados previamente as associações de pescadores, que a partir de agora a DGRN iria conduzi-lo, porque até aqui estava entregue a um grupo de trabalho que o geriu a seu bel-prazer, gerando descontentamento entre as comunidades piscatórias e permitindo o aproveitamento político das forças partidárias da oposição.
O Director Nacional garantiu que "iria gerir a proposta final" a lançar a consulta pública, o que deverá suceder até final deste Verão.
Referiu que todos aos países da União Europeia se encontram envolvidos da política de descarbonização, nomeadamente os que possuem costa marítima onde existam condições de vento forte e regular, apontando para o caso da costa minhota e da zona de Cascais.
Assinalou a existência de três torres eólicas na costa vianense, e, a serem instaladas mais nesta zona, serão no seguimento das actuais, ressalvando perante os pescadores que "estamos aqui para vos ouvir e fazer as adaptações necessárias".
Revelou que em Espanha se encontra em marcha um projecto idêntico, mas alertou para a existência de um acordo fronteiriço na área das pescas, a norte da foz do rio Minho, pelo que discordou que estivessem a desenvolver um estudo "sem falar connosco".
Referiu que nenhum dos países deverá colocar aerogeradores em frente da foz do rio Minho ou encostar à fronteira.
Abel Caballero tomou posição
Refira-se que em recente entrevista a um jornal espanhol (el.diario.es), Abel Caballero, alcaide de Vigo que se prepara para assumir novo mandato, em resposta à pergunta do entrevistador sobre a instalação de um parque eólico a sul das ilhas Cies, assumiu que "pedimos (ao Governo de Madrid) que esteja enterrado e que não obstaculize a pesca", porque "tudo isto é compatível", assegurou.
Voltando ao enquadramento deste projecto apresentado em Caminha, José Simão admitiu serem conhecedores do "impacto que iria ter nas pescas", levando a que as áreas previstas estejam a ser "revisitadas", sendo fruto desta decisão, uma sessão realizada em Viana do Castelo "bastante acalorada", pelo que decidiram planear reuniões "parcelares" como a que teve lugar em Caminha há dois dias.
Falou numa batimetria (profundidade) de 100 metros e da instalação das unidades flutuantes de aerogeradores ligados por um único cabo à costa, bem como da produção mínima de 4.000 horas por ano de energia.
NOTA: Apesar de convidados a participar nesta sessão de esclarecimento, os jornalistas foram informados no início da mesma pelo presidente da Câmara de Caminha de que deveriam abandonar a reunião após o esclarecimento do director-geral e antes do início do debate ao qual assistiu quem quis…excepto a imprensa.