Longe estávamos de contar que após a publicação da peta do 1 de Abril na edição desse dia e esclarecida na semana seguinte, Portos de Galicia já estivesse a preparar os trabalhos de reparação do pontão flutuante e da rampa de acesso três dias antes.
Carreira interrompida há ano e meio
O serviço de transporte fluvial por intermédio do ferry-boat Santa Rita de Cássia iniciado entre as duas margens em 1995 encontra-se interrompido há anos e meio, como nos confirmou António Lomba, alcaide de A Guarda.
O colapso do pontão no cais galego tinha obrigado à suspensão das viagens do transbordador, mantendo-se a embarcação imobilizada no cais português, em Caminha, à espera de que a Xunta da Galiza procedesse à reparação, porque da sua competência.
Presidentes de câmara deslocaram-se a Santiago
Em 2022, os dois presidentes de câmara, Miguel Alves e António Lomba, tinham-se deslocada a Santiago de Compostela a fim de sensibilizarem os responsáveis pelos Portos da Galiza para a urgência na retoma do serviço transfronteiriço, obtendo como resposta que tal só deveria suceder no final do Verão de 2023.
Contudo, alegando uma deterioração progressiva das infraestruturas, nomeadamente após os temporais deste Inverno e temendo o seu afundamento, interferência na navegação e de modo a proteger o meio ambiente, deslocaram-se à Pasaxe no dia 29 de Março responsáveis pelos Portos da Galiza, inclundo a própria Conselleira do Mar, a fim de se inteirarem da situação, decidindo avançar de imediato com as obras.
Barcaça transportou pontão para estaleiro
No passado Sábado, uma barcaça, com o auxílio de duas gruas, transportou o pontão semi-afundado e a plataforma de embarque até aos antigos Estaleiros do Castro (agora designados GuardaMar), situados a 100 metros do cais, a fim de serem reparados, contando a Xunta que possam estar operacionais dentro de três meses, o que, a concretizar-se, permitiria a retoma do transporte em meados do Verão.
Inertes podem complicar
Contudo, devido à interrupção das viagens fluviais, deixaram de ser realizadas operações de dragagem de inertes, verificando-se uma grande concentração de areia em todo o canal, o que impedirá a circulação do Santa Rita de Cássia.
Portos de Galiza "não fez a manutenção adequada"
António Lomba, presidente do Município de A Guarda, explicou ao C@@000 que "finalmente, depois de muito insistirmos, existem movimentos em relação ao pontão de atracagem do ferry-boat".
Recordou que desde 2021 que vêm insistindo junto dos governantes galegos para que sejam reparados o molhe e o pontão danificados, devido a que Portos de Galicia "não fez a manutenção adequada", acusou, logo que "começaram a surgir dificuldades no acesso dos veículos ao cais".
António Lomba referiu a ida a Santiago na companhia de Miguel Alves no Verão de 2022, em que se encontraram com a presidente dos Portos da Galicia, garantindo-lhes que se encontravam a realizar "estudos técnicos" e que no final de 2022 iriam iniciar-se as reparações.
"Vejo duas dificuldades"
Face aos novos desenvolvimentos, António Lomba espera que dentro de quatro ou cinco meses estejam concluídas as reparações, mas "outra coisa", sinalizou, "é o funcionamento do transporte" em relação ao qual "vejo duas dificuldades, embora não queira alarmar", assinalou.
Uma delas, "são as condições em que esteja o barco", referiu o autarca galego, embora tenha um "acordo tácito com o presidente da Câmara de Caminha" para que ele possa funcionar, e outra prende-se com "as condições do rio", porque teme que elas sejam "muito más para a navegação". Espera que na praia-mar não haja dificuldades na sua circulação, mas, "na baixa-mar creio que vamos ter muitos problemas porque há muitíssima areia".
Desta forma, duvida que a carreira fluvial volte a funcionar antes do Verão, opinou.